Vocês que tem acompanhado meus escritos podem
ter a falsa impressão que eu estou perdendo do derrame e não foi o que de fato
ocorreu, quando cheguei no quarto do hospital Santa Rita, vindo da UTI era como
um boneco de pano, não mexia nada da perna e braço esquerdo, não controlava a
cabeça que pendia para frente e não conseguia me manter sentado pois o quadril
e cintura não seguravam o tórax que pendia para o lado. Hoje ando bem com apoio
de um braço, ou cheio de charme com uma bengala canadense. Sento e mantenho
minha cabeça alinhada com o corpo.
Ainda não mexo o braço esquerdo mas estamos, eu e a Helen, minha querida fisio polaca, concentrando trabalhos nele e, mais um mês e meio, espero estar movendo alguma coisa. Eu não elevava nada o braço esquerdo pela capsulite adesiva, hoje o elevo bem acima da cabeça, enfim, a Suyane, minha fisio meio "japinha", solto meu braço.
Isto, sem contar que os colegas que
iam me visitar no quarto, ao verem a tomo que ficava ao lado da cama, duvidavam
que eu saísse dali.
Quando fiz a craniotomia no dia do
AVC, já havia edema cerebral o que dificulta o fechamento da caixa craniana. Houve
stress suficiente para mandar avisar meus filhos que a coisa estava feia lá no
centro cirúrgico, mas venci tudo e estou aqui.
Imaginem aquela vontade de beber água
e me traziam uma gaze encharcada que era espremida na minha boca, havia uma
traqueostomia e o receio de entrar água no lugar errado. Quando bebia água, ela
era adicionada a um espessante, era minha água seca como eu dizia. Estava
querendo macarrão e pão de queijo, e um belo copo de água e nada disso... Eu
dizia que queria beber água de glub, glub, mas demorou até ser liberado beber
no copo segurando com minha própria mão...
Sou bastante peludo e meus pelos são muito grossos e compridos, cada sorinho era fixado com várias tiras de esparadrapo que aderiam firmemente aos meus pelos, na hora de tirar o curativo era um tormento, aquela cola não solta com nada então eu reclamava muito com a enfermagem para ir com cuidado e frear o ímpeto de puxar e arrancar tudo aquilo com pelo e tudo. Elas sempre ouviram minhas súplicas e continuo peludo como sempre. Uma vitória, pois depilação definitiva não estava nos planos... Aos peludos aconselho muitos ais para as enfermeiras, elas se compadecem e você sai ileso.
Aqui agradeço, mais uma vez a presteza e eficiência do meu atendimento, comandado pelo amigo Jair Biato, pois sem a sua presteza e oportunidade dos atendimentos não poderia estar aqui agora contando minhas vitorias.
Não corro com as pernas, mas o faço com o
espírito e com a alma que, com isso tudo, ficaram mais ativas e sensíveis.
Senti sempre no coração as preces e os bons fluidos dos amigos, família e pacientes, o que me ajudou sempre. Muito obrigado gente! Continuem, porque tenho muito pela frente, ainda não estou pronto.