quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Meu primeiro porre




       Eu devia ter uns 8 anos e fomos num domingo, meu pai, um tio e meu avô até São Roque, próximo de São Paulo, comprar vinho. Esta é uma região serrana, com muitas videiras que cometia alguns vinhos, nada que prestasse, só um vinho licoroso, doce, tipo vinho do padre. 
       Andávamos, todo o séquito, por entre os tonéis, e o encarregado nos tirava meio copo para o deguste. Um dos homens dava uma bicada e fazia o comentário do expertise: frutado, meio reticente até tímido, acho que vai fugir do meu copo, e deixava menos de meio copo do precioso líquido. Meu irmão mais velho, sempre sacana, dizia, "toma, vai ficar aí" e eu mandava pra dentro com a conivência dos adultos que viam eu me embebedar e faziam vista grossa. O vinho era meio doce bom para o paladar de uma criança. Depois de uns 20 ou 30 toneis eu já estava alto, mas parar, quem é de, novo meio copo e meu irmão me sempre atiçando. 
       Na volta para casa, no meio do caminho, dei uma vomitada de proporções industriais, em cima do tio e do avô. Não foi por querer, mas foi bom ter vomitado naqueles que podiam ter evitado minha bebedeira, mas não o fizeram e aquele cheiro de vinho, meu pai sempre distraído, dirigindo perguntou, "ué, ele bebeu?" sem resposta, cheguei em casa amparado pelo papai e trançando as pernas. Minha mãe, clássica superprotetora, logo saiu em minha defesa, "o que vocês fizeram com o meu menino???", sem resposta me pôs para tomar um super banho pois estava um azedume só, depois da toalhinha seca e cheirosa da mamãe, fui dormir.
No dia seguinte nem fui pra escola, porque ainda tropeçava ao andar e a cabeça parecia rachar. Belo exemplo, nunca mais fico bêbado, e realmente tomei pouquíssimos porres na vida, odeio bêbado e ficar bêbado, perder o controle, ficar chato, inconveniente, porque não existe bêbado agradável e agora tem essa "bebi e não lembro o que fiz", mas ninguém vende o carro por $200 reais nem dá o celular pro guardador, eu acho meio desculpa para quem fez bobagem e quer fugir da responsabilidade. Acho que bebedeira devia ser agravante, como beber e dirigir, vai preso, beber e arrumar confusão também. Bebeu conscientemente, perdeu o controle, então porque bebeu não lembra...assumiu o risco de ficar de fogo, arruaceiro e briguento, ia faltar cadeia. Põe tudo junto, porque bêbado cuida de bêbado. Por isso não bebo ou se bebo é muito pouco, paro muito antes da embriaguez. 
Valeu gente, vamos beber com responsabilidade, agora tenho essa tonturinha perene parecido com ficar de pilequinho, só não destranca a língua nem tira a inibição abaixo os bêbados chatos (todos). Valeu gente até a próxima semana mais histórias do Celsão.

Foi meu primeiro e um dos poucos porres da minha vida, me divirto sóbrio. Na verdade minha embriaguez é de música. Se tem música fico embriagado mesmo, nas nuvens.

Valeu gente! até a semana com a volta da patroa que está curtindo Los Angeles com o filhinho, Malibu, Beverly Hills, está mal ela, mandou um por do sol pelo w.a. do pacífico, lindo, poético! ela tá cansada, o AVC afetou ela também...precisa de aliviar a cabeça, nada como uma viagem, em março vou também preciso descansar a cabeça o corpo até que descansa

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Um jogo da NBA e outras paixões





                      Amigos, todos que me acompanham, os que me conhecem perceberam que jogava e sou fã de futebol, virei tenista por necessidade. No final de 1990 estava muito gordo, sem físico para o futebol, o tenis me recebeu muito bem e em pouco tempo estava apaixonado pelo esporte da raquete, ficava horas no paredão praticando. O tenis tem tudo do futebol com menos desgaste, e nada de briga. Conseguia correr e jogar satisfatoriamente mesmo gordo, o tenis tem o drible, a bola no ângulo (da quadra), a deixadinha que mata e brinca com o oponente, então sempre digo que o tenis é a evolução do boleiro inteligente rsrs! com a vantagem de não ter o pontapé, a briga, muito rara no tênis, onde a gentileza deve imperar.

    Fico triste ao assistir meu tricolor jogando indolente e preguiçoso sem honrar aqueles que pagaram bem caro para assistir o espetáculo? Se está 1x0 já é suficiente, eles enrolam com bolas para o lado e para trás sem ter vergonha de roubar quem pagou! e quem assiste o jogo de casa, como eu que nunca perco o tricolor na TV, acaba mudando de canal.

No basquete não tem jogo ganho, com a cesta valendo 3 pontos praticamente qualquer escore pode ser alcançado e além disso se o time enrola, o juiz inverte o mando, simplesmente dá bola pro outro time. As jogadas de efeito, enterradas e pontes aéreas são estimuladas por todos, um erro numa jogada destas é ovacionada como acerto, dá prazer ver um jogo da NBA do ginásio com todo o aparato para entreter e divertir, no intervalo tem dança break, não só de mulheres ,mas os grupos de rapazes  dão show de condicionamento e rapidez conto fato ocorrido nesta noite.

Tive a grata oportunidade de assistir um jogo da NBA, Miami Heat, que estava com tudo, foi até campeão aquele ano, contra o Philadelphia 76, que apesar de inferior se empenhou e correu muito para equilibrar a partida. Honraram nossos U$70,00 por ingresso. 

             Iniciando a noitada, vc chega num estádio limpo, com amplas rampas de acesso, e dezenas de policiais, (observem quem paga a hora extra destes policiais que estão trabalhando é o produtor do evento, nada mais justo), auxiliares e voluntários orientando o educado povo a se instalar sem brigas ou empurra/empurra, a assistência está arrumadíssima com as mulheres se equilibrando em seus saltos 12 ou 15 e maquiadíssimas, parece que vão a uma balada dançar. Dá pra ir com o filho de 3 anos pela mão (como aqui, não?),  cada um a subir a rampa no setor próximo ao seu assento. Dentro do ginásio é tudo limpíssimo, como sempre, entrei no banheiro só para ver, limpo cheirando bem e organizado com um funcionário ali dentro para o que for preciso. Como todo lugar naquele país, vários boxes de comida desde o tradicional hot dog (obrigatório nos jogos do Miami) até pasta, ribs, comida mexicana, tailandesa e pasmem brasileira, tudo muito bem acondicionado para vc levar e comer durante a partida, a cadeira é espaçosa com lugar para se acomodar o copo, ninguém invade o espaço do outro. Dá vontade de comer tudo daquelas lojas!

Quando se entra no recinto da quadra, chama a atenção o enorme placar eletrônico pendendo do alto, tanta coisa para olhar e o jogo comendo solto com mais um show do Lebron James. Quando começa a partida é uma festa os telões ficam incitando o público a torcer, dando prêmios para quem gritar mais alto e por aí em diante, animadores de torcida postados a cada setor vão intensificando o assanhamento da massa, a câmera escolhe alguém para tentar acertar uma bola na cesta da metade do campo, a recompensa estava acumulada mas era uma boa grana não me lembro quanto. O cara errou mas deu entrevista, ganhou muitos brindes, uma festa, foi ovacionado. Até dona Stella se interessou, torceu! nem poderia ser diferente, aquilo sim é um espetáculo onde os atletas são encorajados a tentar jogadas de efeito, e mostrar o que sabem.

 Vejam o exemplo de povo civilizado, o Fernando costuma perder chaves, documentos e outras coisas, lá ele perdeu as chaves do carro e do seu apartamento, dia seguinte ele telefona para o setor de achados e perdidos e diz qual assento ele ocupava, quais as chaves que estavam no chaveiro e o policial disse, está aqui sim...e tudo se resolveu, vale os U$70 não vale?,

A saída foi como a entrada, sem correria ou empurrões os guardas orientavam o trânsito que fluía bem. Voltamos calmamente a pé, o Fernando morava a uns 300m da American Air Line Arena em Downtown Miami.

Já por aqui.....dá dó ver o “melhor futebol do mundo”...já faz muito tempo que não acho isso, a média de público quando joga o Manchester United é de 45 mil pagantes, sobram 3 ou 4 assentos só. Onde que por aqui temos isso?? Nem em Itaquera! Chegar e sair dos estádios? Adrenalina pura! congestionamentos, assaltos, brigas.
 Fico pasmo ao ver que a roubalheira e a incompetência estão em todas as áreas, nada escapa nesse Brasil.

          Valeu gente!!!


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Iniciação musical





    A minha evolução musical, foi muito característica e parecida com a da geração mais nova, depois de um certo amadurecimento começam a ouvir músicas antigas vintage... e eu vejo um pouco disso com  a moçada mais  curtindo hoje o que eu curtia quando mais novo até na mesma ordem evolutiva e até na mesma ordem. O que aconteceu com meu gosto musical, quando adolescente eu curtia rock raiz com Credence, Alman Brothers que os mais velhos não gostavam muito. Meu irmão mais velho teve influencia no meu gosto musical pois ele levava os discos dos amigos e da namorada para ouvir em casa e eu acabava ouvindo à exaustão. Na época ouvia pouca música brasileira pois a moda era o rock dos Beatles e Rolling Stones, e outros. Mudou com o Jorge Ben e a bossa nova, mas difícil de tocar no violão, só quem tinha professor tocava essas músicas e depois os amigos copiavam e saíam tocando, mas como eram difíceis, poucos se aventuravam nelas e eu que estava começando não conseguia acompanhar a bossa nova. A molecada toda se enrolava. E mesmo o Jorge Ben, difícil pra mim na época, hoje vejo que é muito simples.
 Vejam, achei boa a definição - diferença entre jazz e rock: rock 3 acordes e platéia de 3000 pessoas, jazz 3000 acordes e platéia de 3 pessoas.
Não era comum se ouvir música clássica que chegou pra mim pelo meu pai e também ópera pelo meu avô paterno, um flautista muito bom que tocava tudo por música, numa orquestra filarmônica que ensaiava no salão de uma igreja pertinho de casa e o eu sempre o acompanhava nos ensaios. Ele passava em casa para me pegar e assim fui apreciando mais as músicas clássicas, fascinado pela sonoridade ecoando pelo salão. As vezes ensaiavam na nave central da igreja que era pouco frequentada, e aí era um arraso..
       Conheci Jannis Joplin que me causou impacto, tanto pela interpretação única para uma cantora jovem e branca quanto pela sua história esdrúxula e bem anos 70, Ray Charles e os spirituals além de Elvis Presley, Beatles.
 Os spirituals achava chato no começo, depois entendi a musicalidade daquilo e fiquei fã.  Anos depois o Fernando morando em Savanah, Georgia, me levou a um culto religioso, com aquela cantoria linda, maioria de afro-americanos tão cativante que vc acaba participando do Aleluiah, e consagrou minha admiração.
 Com a bossa nova, o Jorge Ben e o iêiêiê tocando sem parar no rádio, meu pai ouvindo música clássica e Beth Carvalho, que como bom adolescente eu odiava, o tempo foi passando e eu fui pro chorinho e depois pro jazz e já não tinha paciência para o barulho do rock, e aí era a época do Jimmy Hendrix que a molecada tirava nota por nota e eu também. Ganhei um disco do Black Sabath da minha madrinha e fui iniciado, adorei, comprei um do Credence,  Stones e a MPB entrou com a Tropicália, Novos Baianos, Caetano, Gil, Elis, Milton, ainda mais que meu primo era seu baixista, Djavan, Ivan Lins, depois passei a curtir jazz, Oscar Peterson, George Benson, Jimmy Smith e o álbum The Cat que não saia da “ vitrola”, Ray Charles...
E até hoje minha cabeça ferve com música! Se tiver tocando alguma coisa não fale comigo. Todos os ritmos me encantam, procuro escutar cada um, buscando suas influencias e origens, explorar a musicalidade de cada instrumento de cada frase musical. O pouco de cérebro que me resta estará ocupado com a música. Cada acorde, cada harmonia, cada nota alcançam minha alma.
Valeu gente!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Histórias de futebol






  Meus dois avós eram são paulinos e criados em SP. O materno, Pedrão lia os jornais, sabia as notícias do tricolor e era meio fanático, nunca gostou do Corinthians, nem do Maluf com quem ele implicava. Meus tios, irmãos de mamãe, eram bem são paulinos, com destaque para o tio Bé, o tio Rubens, que combinava com meu pai e mais um amigo, o Moacir, e íamos ao Pacaembu ver o tricolor nos jogos de sábado. Imaginem um moleque indo ao campo com seu tio gozador e seu pai, ficava nas nuvens. O estádio era próximo de casa, só precisava pegar um ônibus ou um bonde (nossa!!) e mais uma caminhada e chegávamos. Este era o tio brincalhão, mais jovem, que fazia pipoca de tarde e mais nos alugava com suas brincadeiras. Uma vez vestiu-se de fantasma com lençol e tudo: seu alvo éramos eu e minha prima Beth – aquela dona da lancha que não ligou, vide post anterior –, que costumávamos ficar muito na casa da vovó, pois morávamos na mesma rua e passávamos as tardes ali.

 O tio Bé ficava inventando brincadeiras para nos sacanear, era um tio legal, querido e afetuoso, muito são paulino. Meu pai acabou, comprando uma cadeira cativa no estádio do Morumbi para ajudar o SPFC a fechar o anel superior das arquibancadas, que demoraram muito a serem completadas. 

Lembro que nos jogos do Pacaembu  ficávamos próximos da saída dos jogadores apupando o time, que não era tão bom naquela época e a diretoria dizia não ter dinheiro para comprar jogador, pois tinha que fechar o anel superior. Lembro que quando o Morumbi,  estava sendo construído era um passeio da família ir ver as obras do grande estádio, eu devia ter uns 8/10 anos nessa época e ficávamos andando pelas obras vendo as enormes colunas sendo erguidas e me orgulhando por aquele que seria por muitos anos o maior estádio particular do mundo e calculando onde seria a nossa cadeira cativa, que acho que nunca foi usada por nós e acabou sendo vendida na compra de nossa casa. Bem mais tarde, meu pai acabou comprando título familiar do São Paulo Clube apesar de frequentarmos outra associação, como faz um são paulino comprou por puro amor clubístico, acho que fui lá umas 3 vezes, uma só vez entrei na piscina nunca joguei bola lá, pois frequentávamos o Club Atlético Indiano onde eu jogava no campeonato, tínhamos nossas panelinhas e meu pai era fundador.

 Tinha um amigo que era cronista esportivo. Então com sua orientação paguei uma mensalidade da associação dos cronistas esportivos e me deram uma carteirinha, com foto e tudo, aquilo, mais uma cara de mau, nos  permitia entrar de graça nos jogos de futebol então foi uma festa! Toda quarta e domingo eu estava lá, mesmo que não fosse do meu tricolor, íamos por gostar de futebol. Vi alguns jogos históricos: Santos fugir de campo contra o São Paulo, Pelé jogar no gol contra o Gremio e o Heitor do Corinthians pegar penalty do Pelé. Gostávamos de ir ver o Pelé jogando, acho graça comparar o negão com o Maradona (só argentinos e quem não viu o Pelé jogar). Ele era sobrenatural, um ET, perfeito em tudo sou muito agradecido de ter visto o Pelé jogar tantas vezes no estádio. Maradona, pode ser comparado ao Zico quando tinha joelho e mesmo ao Rivelino com a cabeça do tenista Djokovic. Só na cabeça de argentino pode ter espaço para tal comparação.

       Era o auge do Pelé, mas o tricolor era meu time do coração desde pequenino. Para se ter uma ideia, quando SPFC comprou o Dario Pereira, um craque da seleção uruguaia, eu fui, com outros são paulinos da faculdade, assistir seu primeiro treino no time, em uma tarde chuvosa e fria, e ele nem treinou, uma roubada.

Quando menino, junto da turma da rua fizemos um time de futsal e pela maioria acabamos nos intitulando: corintinha com camisa e tudo e meu pai fotografou o time com a camisa do timão, estou sendo gozado todos estes anos, não pude fazer nada fui contratado pelo time da rua tinha que ser profissional e esquecer paixões pessoais....

Como vocês veem não podia torcer por outro time, ainda dei sorte que a Stella, seu pai e tios eram também são paulinos praticantes e tudo deu certo, fiz o mesmo com meus filhos e não tenho nenhum dissidente. Assim escolhi meu time ou fui meio obrigado suavemente pela família, então aqui estou eu são paulino sofredor, mas fiel e sem arrependimento. Atualmente meio insatisfeito com a passividade do clube as vezes mas no geral vamos bem. Viva o tricolor! Né Julio Meneguetti e Walter Marin? 

Saudações tricolores!!!!