sexta-feira, 24 de março de 2017

Histórias de familía


Toda família tem histórias interessantes e engraçadas.

Essa, pego emprestada da família da Stella.

Tia Rosalia era uma mineira de sorriso fácil e conversa idem. Uma vez foi em Minas buscar uma empregada no interior do estado. A moça chegou em Sampa e quase desmaiou de emoção. Os prédios, o trânsito, tudo era motivo para exclamações impagáveis da mineirinha. Ao chegar em casa, Rosalia explicou onde tudo estava e ficava e saiu para comprar pão para o lanche da noite. Antes de sair, porém, avisou à mineira recém-chegada:



-Se o telefone tocar, diga que já volto.



E saiu.



Ao voltar pra casa ouve o telefone explodindo de tocar. Abre a porta e vê a nova funcionária ao lado do telefone irritada e falando:



- Ela já vem!! TRIMMMM TRIMMM TRIMMM

- ELA JÁ VEEEEEM!!! TRIMMM TRIMMM



E assim a nova funcionária conheceu o telefone e foi aprendendo e se deslumbrando com a cidade grande. No fim das contas já era quase uma paulista. Arrumou namorado e tudo mais.

Tia Rosalia se foi, infelizmente, mas ficam suas gargalhadas, sua simpatia e essa história deliciosa que, contada por ela, com seu sotaque mineiro, tinha outro charme.



Outra muito boa foi de D. Manuela, casada com o Sr. Doutor. Isso mesmo. O nome dele era Doutor. Carioca da gema morando em São Paulo, foi para o Rio visitar as parentes e viu a recém-chegada novidade. Em alguns pontos da cidade havia cabines de gravação onde você gravava sua voz em um pequeno disco de vinil. Como lembrança, ela mandou um desses para uma de suas filhas em São Paulo, mas que não tinha vitrola. A filha, então, foi à casa da uma irmã e pôs o disco para tocar. A voz da D. Manuela saiu em alto e bom som:



- Minha filha, vá para casa de sua irmã, coloque este disco e você ouvirá minha voz.



Fim de gravação!



Seria trágico se não fosse cômico, mas é a pura verdade, sem adições.

Também, né, pra alguém casada com o Sr. Doutor até que parece pouco.



Com o tempo vou lembrando e contando histórias de família pois sou um dos netos mais velhos. Pais e tios já se foram e, se eu não conto, morre o causo.



Semana que vem tem mais.



Boa semana a todos!! Saúde!!



E vamos em frente

quinta-feira, 16 de março de 2017

Romeu e Julieta




                        A emoção iniciou com a chuva que desabou na hora de sairmos pois o
Ben-Hur assim como qualquer outro diretor não permite entrada do
público após iniciado o espetáculo. Neste exato momento, desabou uma
tempestade que impedia que este lento sequelado chegasse ao carro na
garagem. Esperamos mais um pouco até que a chuva diminuísse o
suficiente para suportar uma corrida ate o carro e assim foi
feito:cheguei ensopado no automóvel e tive que me secar com uma toalha
pois parecia ter saído do banho mas tinha que dar certo, era último
dia da peça em Maringá e a vontade de ir ver era grande.
                         No caminho, a chuva pareceu melhorar mas estávamos protegidos e
chegamos bem ao teatro e em poucos minutos e secos estávamos sentados.
Procurei me acomodar o mais correto possível para suportar toda a
função eu imaginava que seria bem dolorida, mas fui em frente
confiando na determinação de ficar até o fim e de conseguir marcar
mais um ponto na minha recuperação.
                         De cara não reconheço atriz em cena que depois constatei ser a linda
Fernanda Sordi mulher do Ricardo Michels, dois queridos amigos, pais
da Angelina. A ação vai se desenrolando com os dois neófitos em cena
segurando a trama muito bem, como dois atores já veteranos, mais não!
eram Ricardo e Fernanda, aquele vocalista da banda de rock Kicking
Bullets onde tambem tocava meu filho Guga: vi nascer o kicking
ensaiando no quintal de casa , um gramado amplo e isolado onde eu
achava que o barulho não incomodava tanto os vizinhos mesmo assim num
ensolarado domingo de tarde fui acordado da minha sesta dominical com
um aviso: tem um guarda na porta querendo falar com o dono da casa e
lá fui eu algum vizinho reclamou do barulho e a lei veio averiguar,
bem eram quatro horas da tarde mas a desculpa foi que a vizinha estava
doente e precisava repousar, neste dia o ensaio acabou cedo por mais
que eu argumentasse e nem estava tão alto! o kicking arrepiando a
vizinhança, o rock imperando! abaixo o sono, agora é rock dancem nos
seus quartos yeah! muitos outros ensaios foram feitos no meu quintal
sem a presença da lei. Venho acompanhando o progresso dessa banda
também ate tive a honra de tocar num lual do kicking. Grande emoção
tocar junto com meu filho, sempre quis isso..mas isso é outra
história...Depois de duas horas de um espetáculo muito bem encenado, com cenário
bem produzido, iluminação bem colocada, produção musical correta, vale
destacar a Camila, filha do Ben Hur que faz sua estréia nos palcos
interpretando a filha do ilustre casal romântico. Uma aparição pequena
porem forte, marcante. Ben Hur na pele de Sheakspeare e do velho padre
convence, diverte e dá curso ao roteiro, atuação impecável como
sempre.
                          Claro que falar bem dos atores ate parece rasgação de seda, afinal são
amigos que acompanhamos o crescimento, amadurecimento profissional,
mas a parte disso somos publico, críticos e formadores de opinião que
avaliam que torcem por um sucesso sempre crescente sem protecionismo.
Direção correta de ben hur prado, o espetáculo diverte e intretem o
publico que sai com sensação de quero mais. Agora o corajoso benhur
leva o espetáculo para outras cidades do Parana, culminando com
temporada em São Paulo.
                          Ben Hur é desses desses personagens  necessários, 
com sua cultura, coragem e competência vão
carregando o teatro sempre mais longe. Força Ben Hur, os novos atores
Fernanda, Ricardo, Camila, em cena parecem tarimbados artistas de hoje.
Esperamos ansiosos a nova empreitada que temos certeza o irrequieto
Ben Hur já deve estar tramando.
                      Não pude deixar de fazer um paralelo com minha própria presença nos
palcos como ator da companhia Trianon. Trabalhei no Doente Imaginário de Moliere e no Inimigo do Povo de
Ibsen. Foram tempos de descobertas. Descobertas que conto de uma outra vez...

domingo, 5 de março de 2017

vou falar de carnaval


              
                                    Venho de uma família que não cultua o carnaval, era visto apenas como um feriado para dormir até tarde. Nos verões passados em Santos íamos pra avenida assistir ao desfile das escolas de samba e paquerar mais um pouco. No verão de 1969 Stella estava presente e foi ali que tudo começou, namoro que subiu a serra o que é raro por lá .
                                   Mas o melhor estava por vir . Me lembro de um carnaval passado em SJ do Rio Preto, no Automóvel Clube que fazia grandes acontecimentos, mas a entrada era muito pesada para o meu bolso de estudante em fim de férias. Ficamos eu e mais alguns duros na porta do clube vendo a chegada dos foliões, na chegada de bloco com umas 10 ou 12 pessoas , sem pensar acabei me misturando e entrando junto, lá dentro o baile corria solto e uma ex namorada de meu irmão mais velho achou de me dar um pega num canto do salão eu ali com a ex do meu irmão aos beijos e abraços. Nunca entendi o porque que dela me agarrar, se foi pra fazer ciúme não deu certo pois nunca contei aquilo ao meu irmão e no fim do baile eu era o mais feliz do carnaval! tinha entrado de graça e ficado aos beijos com a ex  do meu irmão..isso conta pontos extras a qualquer adolescente, ela ainda era mais velha que eu pelo menos um ano e meio e conta mais ponto. Nunca mais vi a moça nem soube nada dela, passou…só coisa de carnaval!
                              Outro carnaval com história foi passado no Anhembi Tenis Clube no Alto de Pinheiros. Éramos a atração das domingueiras dançantes do clube, eu, Sizão, Duda Neves e o Robertinho, um super time. Estava de paquera com a Zizi uma baixinha de cabelos na cintura que havia passado uma tintura loira no cabelo chamada rinsagem, que ficou toda no meu braço, no meio do baile caiu uma daquelas chuvas paulistas de curta duração mas muito grossa depois de um tempo o salão começou a alagar inviabilizando o baile. Fomos embora com água já pelo joelho e nada mais ocorreu além da roupa bem suja, estávamos na várzea do Rio Pinheiros onde até hoje alaga. A chuva nos rendeu boas histórias para contar depois. Um carnaval bem paulistano, enfim… mas bem divertido! 
                         Lembranças de coisas acontecidas quase 50 anos  atrás… que fazem o avanço da idade ser doce. Lembranças que nos remoçam, divertem e emocionam.Nos fazem estar prontos para viver mais coisas boas e interessantes.  
                         Bem gente depois dos festejos de momo em que eu tirei minha fantasia de Frankestein da cabeça vou continuar a vida.  No lugar do osso acrílico, mas to bonito ! Muitos projetos em andamento, ficar parado é muito ruim pois regride minhas aptidões.