quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mosquita, nossa cachorrinha!



          Natal época de festas, de colocar a melhor roupa, comilança, muita emoção.. Me esforço para lembrar da minha infância grandes ceias na casa dos tios, ótima casa, bem , grandes comidas, a cozinheira da família era espetacular, seus pratos, especiais. Era tempo de emoções conflitantes e solidão. Ao chegar escolhia uma poltrona bem gostosa e ali me afundava matutando, esperando que papai noel me trouxesse o que me faltava. Principalmente confiança e coragem, bem, ele nunca trouxe. Depois ficava vendo os presentes dos primos  a meu ver eram sempre melhores que os meus - puxa mas a tia é dos dois, temos a mesma hierarquia (mas não o mesmo status), fui aprendendo que na vida nem todos os iguais são iguais. É assim mesmo, me  achava excluído posto de lado. Uma vez peguei o violão e virei dono da festa, todos cantando ao meu comando! mais uma vez a música me socorrendo.

      A ceia era sempre deliciosa tudo muito correto e bem decorado minha tia tiravam mesmo os cristais da prateleira. Todos sentados educadamente a mesa, não havia crianças, os primos eram muito distantes e não era possível formar uma catrevagem (como falava o tio Fla! meu querido). Também era proibido correrias e molecagens, assim ficávamos até o sono bater nos pais,pra ir correndo pra casa e no caminho vamos repercutindo as coisas e vendo os presentes e "ano que vem será diferente" é voz corrente.

          Meu mal é acreditar em papai noel e fadas, mesmo crescido acredito.  Ninguem pra me ajudar ! sozinho não consigo tive avc…! me falam faz fisioterapia e faço todo dia mas até hoje não vi fadas só vejo eu e meu corpo desajeitado! e as vezes duas vezes por dia, mas melhorar é muito difícil, muito lento e pra piorar é bem fácil, só ficar sem andar uns dias já entorta o corpo e perde o  jeito! Podia ser o contrário não é? 
    
            Voltando a ceia: sem excessos, sem bebedeira, sem discursos.. a tv ficava longe, não fazia parte da festa, o show do Roberto começou muito depois  e nem sempre a namorada estava comigo o que aumentava minha solidão, filha única, ficava com a família. Este natal, 50 anos depois trouxe um pouco disto tudo, aquela alegria contida, meio tristeza, meus dois filhos mais velhos nos EUA. Foram para crescer e estão felizes, sem direito a chororô, mas enfim estão longe.  

               Para complicar mesmo nossa nova cadelinha graciosa e linda prosseguiu na cinomose,  apesar de Stella ter ficado a noite toda com ela no colo chorou, tremendo e tendo espasmos já não subiaos dois degraus da sala e parecia não suportar o peso em suas patas traseiras  resolvemos que não a deixaríamos sofrer e a sacrificaríamos se o sofrimento dela aumentasse. Enfim a Bae se foi nossa mosquita! e não voltou a lindinha! Vai brincar no paraíso. a dores estão bem  parecem só aumentar  parece que ontem joguei  tênis, está tão pertinho na memória,  saí da quadra e fui tocar.. 
                         Acho que nossos animais vão sim pro céu. São tão companheiros  e afetuosos que merecem o prêmio de ficar no reino de Deus quando morrerem.  Os hindus acreditam que pode haver reencarnação em animais por isso proíbem o consumo de carne de vaca e não sacrificam outros animais nem ratos são mortos existe um templo onde os ratos milhares deles são alimentados e cuidados sobem nas pessoas e dividem o mesmo prato de comida , só na índia isso é possível…  
vc ficou pouco tempoconosco e nem deutempo depegar o jeito dos donos mas o chefe daí quis assim ele vê as coisas de um jeito especial que não entendemos mas é a maneira certa ele nunca erra se vc foi é porque tinha que ir assuma e aproveite o céu Bae aí vc não vai sofrer e as doenças não vão mais te incomodar .   

       Uma boa semana pra todos e semana que vem tem mais pois o blog já esta escrito só faltando a revisão do conselho editorial. 

           Saúde pra todos hoje "o meu segundo aniversário" , o dia do avc em que nasci de novo, vou abrir um vinho e obrigado Deus meu protetor 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

judiciação



                      Temos acompanhado notícias dos telejornais que giram em torno da lava jato, do STF, Policia Federal, prisões de administradores e outros mandados de segurança, arresto de bens no Rio de Janeiro.   É isso  gente, quando o executivo não funciona ou funciona mal o judiciário é chamado a intervir na salvaguarda dos interesses da sociedade chegando quase a ser o próprio administrador, sem conhecimento ou legitimidade pois não foi eleito, procurando ao menos reparar os danos para a sociedade. O juiz que decide esta ou aquela pendência dá uma opinião técnica, baseada nas leis com o risco de uma sentença draconiana injusta e sem embasamento, normalmente dando uma decisão enviesada e que nem sempre atende as várias faces do entrevero. Reclamantes e reclamados insatisfeitos afinal juiz não é administrador, é um técnico em leis. Assim a governancia e outras áreas do país vem sendo administradas ultimamente através de liminares e mandados ao executivo. Muitas vezes falta coragem para tomar as medidas necessárias que nem sempre renderão votos e palanques. Coitado deste nosso país navegando como um barco guiado pelas marés sem programas, sem visão de futuro, algumas vezes  trazidos para a praia, outras o destino são as pedras ou os arrecifes.
                 Lembro de momento numa UTI da cidade onde uma promotora de saúde falou ao chefe do serviço - Preciso de um leito! e este lhe respondeu - Escolha um pra morrer, dê alta e carimbe que eu mando levar para o quarto, mas a decisão é sua. Nenhum está de alta. Assim ganhou-se algum tempo até que vagasse um leito e fosse possível receber o paciente mas muitas vezes o judiciário a meu ver extrapola seus limites interferindo na sociedade sem o conhecimento daquela área  para assumir os riscos de uma decisão que muitas vezes os próprios responsáveis relutaram em tomar e vem o juiz decide e "Cumpra-se!".  Ora a decisão de operar ou não é do médico e só dele ninguém mais pode fazê-lo assumir conduta que não seja o médico assistente já vi decisões judiciais desta ordem.
                   Nossa sociedade é imatura que anseia pela lei da ficha limpa ora, é obrigação do cidadão conhecer aquele que vai escolher para cuidar dos seus interesses. Não se pode escolher a raposa como chefe do galinheiro e isto é minha obrigação conhecer meu candidato seu passado e suas propostas. Esperar pelo ficha limpa é esperar que alguém faça o que eu como eleitor deveria fazer. Querer ser tratado como crianças não como uma sociedade moderna e participativa que aspiramos ser um dia, é deixar nas mãos de terceiros a responsabilidade que deveria ser de todos. Hoje em dia todos aqui entram na justiça por tudo pois a sociedade não consegue se regrar e ser justa, é muito dependente do direito e até merece essa judiciação pois não cumpre o óbvio. 
                  Educação e civilidade seria bastante útil ao brasileiro! esse povo alegre amoroso, festivo mas bastante deseducado, pouco cumpridor dos deveres de cidadãos. 
                  É gente, tristemente assistimos o país seguir em frente sem um plano de governo legitimado e desejado pelos seus cidadãos que levam calote do próprio governo, que faz leis que nitidamente lesam o povo vejam as correções dos  aposentados, sempre deixados de lado, médicos ficam com medo de liberar paciente e pedem muitos exames para se resguardarem, ora um exame bem feito tem valor e quando bem escrito no relatório é o bastante, não é preciso mil exames de laboratório ou imagem. Um bom exame, bem anotado é suficiente, mas os processos e mandatos confundem e assustam os doutores de pronto socorro.  É a judiciação atrapalhando o andamento da sociedade!
                    Mas cada qual com seu igual e seguimos a vida. Até a próxima semana com um tema mais ameno.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Novas histórias de pronto socorro




                     Tirem as crianças e os impressionáveis da sala.
                     Era um meio de tarde com chuva e vento e entra um homem, trazido pelo Samu com um guarda chuva aberto enfiado no rosto naquela época eu não sabia que teria um blog senão teria fotografado o homem que pegou seu guarda chuva pra se proteger da chuva, claro estava voltando pra casa de bike e o vento toda hora fechava o aparato atrapalhando-foi quando lhe ocorreu a grande idéia viro o guarda chuva e o vento o fará abrir-se ao invés de fechá-lo e foi o que fez, ficando com a ponteira perigosamente próxima do rosto mas nada vai acontecer pois ja estou perto de casa apenas mais uns  dois km. Assim pensando bleft  - colidiu com um caminhão parado e a ponteira o feriu no rosto o povo via aquela situação cômica de ter um guarda chuva aberto preso no rosto o Samu logo chegou e o levou para o Hospital Santa Rita onde eu cumpria meu turno de socorrista. Vários exames de imagem foram feitos que não evidenciaram nenhum dano mais sério : a ponteira penetrou abaixo do olho direito ao lado do nariz e foi realmente guiado por mãos divinas entrou mormente numa região basicamente óssea poupando estruturas sensoriais nobres como o olho e o nariz. Era divertido ver o homem sendo levado de cadeira com aquele guarda chuva aberto no rosto no centro cirúrgico após anestesiado o aparato foi tirado com sucesso e e sem maiores complicações, mais uns poucos dias de observação e nosso sortudo foi liberado para casa sem maiores perdas , não me consta o que foi feito do malvado guarda chuva protagonista desta incrível ocorrência. Assim nosso herói foi para casa com uma bela história para contar e com suas funções preservadas. 
                    Outro caso que me ocorre aconteceu há mais de 20 anos  também no H. Santa Rita. Um mecânico de fim de semana estava em baixo do seu fusca apertando parafusos e revisando o carro sem rodar por muitas semanas e com o tanque rigorosamente secvazio. Nosso homem não enxergava muitos recantos pois não havia luz suficiente então teve a "idéia brilhante!" que quase leva sua vida…acendeu um fósforo para iluminar esses recantos : não demorou e bum explosão! bem o homem teve quase 40 % do corpo queimado e quase perde a vida. Teve uma primeira fase de tratamento no Santa Rita e depois transferido para ao hospital especialista em queimados do Paraná com muito custo sobreviveu.      
                  Essas situações são para mim o grande atrativo de trabalhar, dar plantões exaustivos no Pronto Socorro. O inusitado, o inesperado, o surpreendente, a necessidade do raciocínio rápido e decisões firmes me desafiam. A conclusão dos casos, a satisfação do dever bem cumprido são para mim a melhor paga. As histórias no entorno do caso também me fascinam entender o pensamento que gerou a atitude de risco que são momentos de má avaliação bem humanas e freqüentes em nossas vidas, trabalho extra para nossos anjos da guarda que estão sempre atentos e mesmo assim muitas vezes insistimos no ato inseguro e fazemos a besteira.
         Uma vez estava jogando bola e fomos para o costumeiro churrasco pós futebol surpreendi os colegas com dificuldades em acender o fogo um deles mais apressado foi e pegou um pouco de gasolina do carro e molhou o carvão com o líquido, todos com  medo acendiam fósforos de uma distância segura e jogavam o fósforo aceso em direção ao carvão molhado e que  apagava no caminho deixando nosso carvão intacto. Achei aquilo meio esdrúxulo e fui dar uma de corajoso, peguei um fósforo e bem de perto depositei no carvão molhado com a gasolina, ora o gás explodiu perigosamente bem a minha frente queimando minha sobrancelha, o clarão foi visto do campo e muitos colegas acudiram para se inteirar do acontecido, nada de grave aconteceu e a sobrancelha cresceu rápido mas poderia ter sido bem pior. Meus protetores deviam estar ali soprando o fogo e se pudessem teriam me tirado a força dali mas o tal do livre arbítrio deve ser respeitado e eu  aprendi, fiquei sem sobrancelha uns dias e hoje sou um protetor ativo em situações semelhantes ou bebuns.
        Amigos felicidades a todos e bom fim de semana.
        Vai Brasil 2 x Argentina 0!









quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Plantão Musical: a origem


                     
                   
                        Todos aqui de Maringá conhecem ou até já assistiram o show dos médicos que acontece anualmente homenageando um compositor brasileiro. Ja´ fizemos mais de 20 shows anuais o que nos reporta a mais de 20 anos do Plantão Musical. 
                       Comecei a pensar e a procurar lembrar do começo deste nosso grupo e lembro começamos nos aproximando por afinidades várias e principalmente a musical e nas reuniões onde estávamos juntos acabávamos cantando e tocando violão, assim nos aniversários de alguém do grupo acabávamos cantando nossas músicas preferidas. Cantavam Robson, Donadio, Benedito Tel e outros e tínhamos o costume de contar algo da música que cantávamos e assim passávamos muito tempo, sempre eu ao violão. Combinamos algumas vezes encontros musicais na Sociedade Médica com o intuito de cantar e tocar e ali ficávamos. Destas reuniões evoluímos para a idéia de fazer os "Show dos Pratas da Casa", um evento médico cultural com exposições de artes e onde os músicos e cantores da medicina maringaense iriam se apresentar com o acompanhamento de um grupo profissional. Estava dada a partida para os nossos shows .Esses pratas da casa nada apresentavam de produção, apenas o cantor ia ao microfone e cantava alguma música previamente acordada com o conjunto. Nestes shows fizemos mostra de artes plásticas dos colegas pintores e escultores e ainda apresentamos contos e poesias dos colegas escritores.
                   Numa demonstração de confiança e coragem os colegas da diretoria da unimed da época nos sugeriu fazer um cd com esses cantores. A aceitamos de cara e partimos para a produção do espetacular "O outro lado", cd concluído no final de 1998 e distribuído aos cooperados da unimed como brinde de natal. 12 músicas foram gravadas. Com esmerada produção, contou com a participação de muscos consagrados. Com a intermediação do meu primo o baixista Sizão Machado que também está presente, conseguimos a participação do Derico do programa do Jô e do trompetista cubano Luiz Claudio Faria, que aceitaram participar sem ônus para o projeto, resultando num espetacular cd. O encarte caprichado trazendo a ficha técnica detalhada de cada música além de fotos das gravações concluiu, um trabalho muito bom, digno de estar presente na cdteca de todo médico amante de música de Maringá ou de outras localidades.  A repercussão foi grande, fomos mais tarde convidados pela diretoria da Associação Médica do Paraná a nos apresentar em Curitiba, o que foi aceito com muita alegria.  
                Começou assim como uma brincadeira, um sonho, um devaneio, um delírio; fazer um show só de médicos, evidenciar os talentos da classe, mostrar o nosso outro lado, nosso lazer, nossos hobbys, iniciamos contatos e as conversas mexendo com o sonho de muitos, principalmente o meu! Dirigir, orientar, produzir arranjos musicais, discutir com músicos e cantores quais os instrumentos em cada musica, ensaiar com cada um, vivenciar esse universo pra mim fascinante.. Tornar tudo isso realidade, foi um trabalho árduo de cada um, mas que sempre valeu a pena!
               Brincadeira transformada em encontros divertidos, prazeiroso convívio que estendemos até hoje. Nascia assim o Plantão Musical que apurou a produção e a montagem cênica, o figurino e assim foram, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Vinícius de Moraes, Roberto Carlos, Chico Buarque ,Gilberto Gil, Rita Lee, e o último Paulo César Pinheiro. Já estamos em discussões para o do ano que vem ainda sem um nome de contexto, sempre com a mesma estrutura: encontros na segunda a noite onde cantamos, conversamos sobre o show, escrevemos os textos, todos deliberam sobre tudo que envolve nosso show, numa verdadeira democracia! Nossas reuniões vão de março até outubro, o mês do show. Isto nos uniu ainda mais transformando o Plantão Musical numa irmandade unida pela música e pela medicina! Nossas reuniões vão de março ate outubro. Vamos começar os trabalhos visando o próximo show que  ainda praticamente não saiu do zero!    
                Pois é gente essa é a nossa historia entremeada de amizade, companheirismo e claro música,parceria, cumplicidade uma grande colaboração do plantão musical para a cultura maringaense e do Paraná.  





quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Espalhafatoso


                   


                     Estava naquele estágio meio inconsciente do despertar quando me ocorreu a palavra meio a esmo espalhafatoso mas não conseguia pensar claramente nela e me vinha espalhatapata e empaquei nela algum minutos me esforçando para conseguir soletrá-la mesmo em silêncio. Eram 6 da manhã e Stella ressonava tranqüila ao meu lado e eu não pretendia acordá-la num dia que podíamos dormir até mais tarde, mas numa mexida mais forte perguntei vc tá acordada não?? e lhe passei o que me assolava - uma pessoa bagunceira, barulhenta, atrapalhada, estapalha…e ela também não conseguiu chegar no espalhafatoso, ela também travou com espalhafato ficamos os dois ali falando palavras relacionadas mas ninguém acertava em cheio até que um de nós falou espalhafatoso e conseguimos destravar o  programae seguir ainda dormitando até mais tarde. 
                        Aquela situação, ter que pensar e falar naquela semiconsciência me transportou aos meus plantões noturnos no PA do Santa Rita e outros. Eu sempre escolhia plantões noturnos em fins de semana nos quais poderia recuperar o sono no dia seguinte pois não conseguia dormir nos intervalos das consultas, que em noites de sorte podiam chegar a 2 ou 3 horas. Mas eu com minha ansiedade e insônia ficava na insone expectativa da próxima consulta e não conseguia repousar, quando tocava o telefone ou a auxiliar batia na porta levava uns bons minutos para chegar aqui na terra. Entrava no banheiro e lavava o rosto escovava os dentes além de pegar uns tic tacs para disfarçar o bafo de jibóia e ia me arrastando pelo corredor até o consultório com os sentidos aguçados na expectativa - o que será ?
                        Dessa vez meu olfato aguçado já surpreendia o perfume mascarado por outros aromas menos agradáveis. Chovia e uma mulher em traje de festa com seu cabelo e maquiagem desmoronando acompanhada de um homem com gravata e terno cinza bem talhado sugerindo serem padrinhos de algum casamento, tendo um adolescente deitado na maca com desleixo.
                       - Pois é torrrr (doutor), foi aquele filé desgraçado que serviram com molho madeira, mas  não posso beber! Aquilo bateu no estômago e tudo virou… logo depois ainda veio o brinde com champanhe! Vou deixar de brindar minha prima? e aquela tacinha tem só uns três goles então eu fui quando engoli aquilo, todo salão virou! Misturar molho madeira com champanhe! Quem não pode beber como eu fica prejudicado, vou reclamar com a mestre de cerimonias.. que furo! Com tudo virando pedi ao meu primo que me acompanhasse ao banheiro e no caminho já golfei no meu terno novo! aquele cheiro azedo daquele maldito filé. Sentei no chão do banheiro e golfei mais uns par de vezes, limpei os bofes, coitado do primo que me ajudava ficar ali naquela imundice. Ele disse vc tá muito mal, vou falar com a tia e saiu, depois veio o tio pra me levar no hospital, eu nem queria só passei mal do estômago comendo aquele filé, ainda bem que deixei tudo lá no clube, então tô aqui na tortura, pura má digestão! sou muito sensível, tanto é que nem bebo…vou vomitar de novo…
                     Então vai aqui neste lixo e splash… E lá ia eu tratar com a família - Nada então gente ele está alcoolizado mas bem acordado lembra bem do que houve e consegue se defender na hora do vomito. A tragédia é vomitar e engasgar com o próprio vomito, como morreu Jimmy Hendrix, o baterista do Led Zepelim e possivelmente Jim Morrison do The Doors…   
                       Mais tarde ele acorda bravo reclamando: - Quero ir embora! estou bem e arranca o soro do braço… E lá vou eu de novo - Não o deixem beber muita água de uma vez senão vomita tudo de novo. Comer só quando ele sentir fome, umas bolachas água e sal uma a uma a deixem-no quieto que vai dormir bastante. Espero que tenha aprendido.
                   Perto das 7 e meia espero ansioso a chegada da próxima equipe e estou livre! Passo os casos que ainda estão no PS e com o sol ardendo nos olhos secos procuro lembrar onde deixei meu carro, com sol bem forte chego em casa e apesar da fome corro pro banho tirar toda aquela roupa, parece que o cheiro impregna e a cada movimento sinto algum odor do plantão, um  banho demorado e reparador vou pra cama, procuro conciliar o sono mas o plantão não me sai da cabeça: os pacientes, seus nomes e o que foi receitado.. Já próximo do almoço enfim caio no sono pesado.
                   Naquela época pensava que na aposentadoria iria dormir até o sono acabar e assim costumavam ser os plantões  noturnos no PS do Hospital Santa Rita e outros


   


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Plantão Musical





                  O show dos médicos "Plantão Musical" foi sexta e sábado. Muito bom! Como sempre bom programa para quem foi. Músicas ótimas e bem executadas, banda competente, bons arranjos. Paulo César Pinheiro é desses gênios da MPB e o Plantão Musical faz justiça a ele. Fez letras fantásticas como a de "Viagem" que ele compôs aos 14 anos - nessa idade verbalizar aquelas imagens é coisa de gênio - entre outras maravilhas.  
                    Cantei com o grupo e sozinho. Havia muita expectativa da minha performance, de cantar dentro do ritmo e com uma dicção aceitável uma vez que depois do avc venho acelerando muito, inclusive para falar e costumo me complicar. Mas com a ajuda de todos principalmente da Gorethi e da Geisa minha fono, acabei me saindo bem. Ensaiei algumas vezes em casa e consegui dividir quase bem a música, que não era assim tão fácil de cantar, ficou bom, me sai bem. Vi que perdi aquele poder de improvisação que eu tinha mas ensaiando, treinando a coisa vai como tem sido com tudo, afinal é assim e será daqui pra frente. Cantei como sou hoje me obrigando a  esquecer aquele super músico que eu fui, mas como dizem os daqui de casa tudo está  aqui dentro, ninguém tirou. Só falta tudo aquilo estar guardado bem no lugar do derrame que "queimou"… então depois que voltar meus movimentos nas mãos vou lá ficar dedilhando meus instrumentos até voltar a agilidade…ainda bem que sou novo ainda porque a coisa será demorada… 
                   Aquele que fui antes do avc não existe mais e nem sei se voltará, mas mesmo assim sou melhor que muito "Manoel e Paiçandu"….
                  Depois do show fomos para um carreteiro na casa do cantor Edson, uma  ótima  aquisição do grupo. Festeiro levou todos pra uma celebração animada, todos ainda eufóricos, falantes! foi uma noitada agradável. Fiquei até 3 da madrugada, cansado e com dor no quadril mas o papo e a companhia do elenco me fez agüentar firme das 8 até 2:30h. Cheguei bem cansado em casa mas feliz por ter conseguido passar em por mais este desafio: Cantar no palco!
                  Gente o tal do palco tem mel, vejo isto pelos colegas do plantão, muito menos acostumados a ele do que eu com minhas aparições na noite maringaense. Fica um frisson, uma expectativa gostosa em todos que só esvaece depois da estréia. Antes da entrada uns se calam num canto, outros aquecem a voz com ruídos estranhos e hilariantes, outros ainda falam pelos cotovelos espantando a ansiedade. Os músicos as voltas com seus instrumentos. As mulheres lindas, maquiadas (os homens também abusaram da base antibrilho) estreando seus figurinos, vestidas para a ocasião com aquela luz linda nos olhos que as deixam ainda mais bonitas, os homens inquietos, de camisas novas, discretamente dissipando o nervosismo, dispersando a ansiedade de cantar num show com meses de preparação e ensaios.
                    E os ensaios? No começo apenas conversas, quem será esse ano? Qual sua história? quem vai cantar o que, qual teatro, figurinos? Qual meu tom? Meu pai falava com sabedoria que o melhor da festa esperar por ela.. e chegou o dia. Platéia de amigos que parece estar em todos os shows que fazemos, poderíamos fazer chamada!  
              Já começamos a articulação do próximo show. Quem homenagearemos onde será? Data e  tudo mais que deve ser decidido com antecedência. Já temos prometida a volta de André , Simonte e Gilson que estiveram ausentes este ano por motivos pessoais vários já resolvidos. Cristina cade vc?  Então vamos começar logo o trabalho de pesquisa e discografia, estrutura do show e a captação de verba da lei rouanet. Este ano foi muito fraca nossa arrecadação e no fim acabamos contribuindo do próprio bolso! Valeu cada centavo! Eu adoro tocar, me apresentar. Antes de ser parado pelo avc vinha tocando blues e rock clássico com Paulo Machado e Eulas, além dos chorinhos com meu bandolim e como "Enxó de bainha" que agora cresceu para Clube do choro de Maringá com a incorporação de chorões e da cidade.  Nosso som estava redondinho, me dava extremo prazer tocar aquele repertório com esses músicos. 
          Volto pra minha rotina das terapeutas, segunda feira e a Marcella vem animada e lá vamos andar para soltar os músculos, andar, sentar, levantar, em casa hoje levantei de um degrau baixinho de escada, vitória! com ajuda leve mas levantei, senão estaria lá até agora…coisas da recuperação ininterrupta - Vc ficou parado todo fim de semana! ela vai dizer - mal sabe ela que subir e descer aquela escada da Soc Médica é bem trabalhoso, ainda mais com calçado que escorregava e com duas taças de vinho.. 
            Vcs que não leram o post: "Como nossos pais" onde falei da minha admiração por Bob Dylan, vejam que eu tenho razão, foi ganhador do prêmio Nobel de literatura, não por uma obra mas como letrista, poesia musical. Boas letras, ritmadas, rimas ricas… Acho até que ELES leram o post…
  




quarta-feira, 5 de outubro de 2016

The Beatles




                       Leitores: vou fazer um "mea culpa". No último post, "Como nossos pais"  aconteceu comigo o que os escritores dizem acontecer com seus personagens: - Não pensava que ele morreria com apendicite… , apenas fui escrevendo e as coisas foram acontecendo e de repente: crise de apendicite complicada e com péssimo atendimento,simplesmente aconteceu, não previ nada  rsrs..
                Desenvolvi o tema situado no cenário musical e no fim tinha escrito sobre o B Dylan, sem dúvidas um dos meus ídolos mas os Beatles, meus ídolos absolutos no rock se enciumaram e reclamaram de não terem sido os primeiros assuntos musicais do meu blog. Faço agora um mea culpa e aqui vão os Beatles.
                E começo pelo nome. Depois de Hamburgo onde tiveram temporada de relativo sucesso,voltam para a Grã Bretanha para viver de música, todos haviam abandonado suas ocupações projetos para se dedicar ao rock full time. Ficavam procurando lugares para tocar e ganhar o seu sustento o que não era fácil na Europa pós guerra. Uma vez conseguiram a possibilidade de se apresentarem numa arena onde o dono costumava promover lutas de boxe este perguntava a todo instante - Qual o nome de vocês? esperava umnome que fosse bombástico, chamasse público e fosse um aviso do que aconteceria  no palco. - Pensamos em The Beatles! uau o que quer dizer isso não sabemos - a palavra não existe e como costuma acontecer com muitas bandas sem um nome já conhecido! O dono da espelunca onde vai haver o show acaba interferindo no nome perguntou qual seu nome? - John Lennon. - Então será "Long John and the silver beetlees" inspirado nas bandas americanas  pois John era o mais velho e o solista da maioria das músicas daqueles tempos. Para não se indisporem com o dono aceitaram esse nome e entraram no palco como  "Long John and the silver beetles", besouros ou nos EUA gíria para mulheres motociclistas. Com o tempo adicionaram beat - de batida -,  fizeram um besouro com batida. Eles adoravam palavras de duplo sentido, John adorava a banda "Cricketthes" que é um jogo muito comum na  Grã Bretanha, crickets do jogo e também significa grilos e queriam um nome com este tipo de trocadilho  conseguiram o neologismo com duplo sentido beatles sem significado nem tradução, apenas uma brincadeira deles,que funcionou!    
                 Enfim não significa nada, apenas um nome que os fãs e os empresários odiaram por essa mesma razão mas assim ficou fez sucesso e rodou o mundo.
                 Pretendo escrever muito sobre eles que eu adoro e sigo desde 62/63 com o compacto de "She loves you" que não saia da nossa vitrola só alternando com "Quero que vá tudo pro inferno" do rei Roberto que meu irmão trouxe para casa emprestado de algum amigo. Mas aquele disco soava diferente dos outros tinha mais brilho, comunicava mais, a pegada era mais forte.
                 Nesta época tivemos uma funcionária em casa que era tiéte dos Beatles mais ligada nas roupas, cabelo -beleza…, dessas que gritam se alguma noticia deles passasse na tv, ela comprava tudo que aparecesse deles no jornaleiro e com 10 anos eu também absorvia tudo. Quando liguei aquela devoção inexplicável dela com o som que eles produziam fiquei mais ligado nos fabulous four neste ponto nasceu  uma ligação musical firme que perdura até hoje e ainda cresce, sou beatlemaníaco de carteirinha, adoro-os juntos e em carreira solo devoro tudo sobre eles e não me canso de ouvi-los.   
                Sempre gostei muito também de tocar suas músicas nas minhas noitadas, me fazia retornar no tempo e me sentia em casa com suas músicas que eu conheço muito bem. Cada LP que saia, escutávamos até a exaustão para pegar os detalhes harmônicos, melódicos e vocais, ficávamos meses ouvindo, e até hoje cada vez que vc ouve percebe um novo detalhe que mostra porque ninguém conseguiu copiá-los em todos esses anos, e não faltaram tentativas, Oásis que o diga…eles continuam únicos e inigualáveis. Muitos outros artistas interpretaram músicas dos Beatles e fizeram sucesso, vide Joe Cocker com With a lintel help from my friends, Ray Charles com Eleanor Rigbi e até Tina Turner com Help. Mas não eram cópias e sim releituras  bastante boas de suas músicas, aproveitando o que cada interprete fazia  melhor. Vale a pena ouvir as duas versões a original e a releitura. Eu prefiro a original porque quando acaba a música o LP continua tocando Beatles, depois vem mais Beatles. Decorávamos também a seqüência e os finais. Tudo era motivo de muita conversa e acabava com algum roqueiro ao violão mostrando o que tinha descoberto! Beatles foi o som da minha (e da de muito gente) adolescência e continuamos ouvindo até hoje.
                Bem gente por hoje é só e fiquem com Deus, até o próximo post. Saúde! Boa semana
                Em tempo venham ao show dos médicos! Dias 7 e 8/10!  esta vez cantando musicas do espetacular  Paulo César Pinheiro                    
                Informações na Soc. Médica - tel 3262 0066    




quinta-feira, 22 de setembro de 2016

como nossos pais


          
           Fernando me disse que no próximo fim de semana vai a um festival de musica próximo de LA que tem como atrações: Bob Dylan, Rolling Stones, Paul McCartney, e outros. Na hora me veio a música "Como nossos pais" do Belchior imortalizada na interpretação de Elis Regina: -"nossos ídolos ainda são os mesmos", neste caso são mesmo! lembrei algumas coisas de Bob Dylan e resolvi escrever sobre ele pra variar um pouco.
            Primeiro grande poeta do rock e um dos meus ídolos no rock, apesar de não ser um grande instrumentista, normalmente prefiro estes pois não costumo me ligar em letras. Nas minhas noitadas já aconteceu de cantar uma música muitas e muitas vezes sempre com a letra na minha pasta e não saber do que ela tratava, pois o que me chama a atenção na música normalmente é a melodia, o swing, a levada, a harmonia. Antes do BDylan as letras eram inconseqüentes e superficiais como ele mesmo disse: sem peso! Ele compunha falando das angústias da sua geração. Aprendeu sozinho tocar piano, violão, gaita.
             Seu nome Robert Zimmerman descendente de judeus russos. Procurava um nome artístico e não conseguia algum que lhe satisfizesse. Numa entrevista quando perguntado por seu nome ele disparou Bob Dylan! provavelmente inspirado em Dylan Thomas, poeta inglês muito conhecido entre os jovens da época e que Bob admirava muito, o normal seria Bobby que outros artistas já haviam adotado e que o fez então usar o Bob.
             Suas interpretações e seu estilo o levaram para a música folk, suas letras falavam da solidão, dúvidas vocacionais e outras angústias da sua geração até então assuntos incomuns no rock antes de sua chegada. Era bastante  admirado pelos Beatles, principalmente J. Lennon que se encantava com  os assuntos que Dylan abordava em suas músicas. Numa das idas dos Beatles aos USA acabaram se encontrando, ocasião em que BDylan apresentou a maconha aos Beatles, ele e a banda e passaram toda a noite fumando e tocando, aprofundando seus laços de amizade, trocando idéias de musicas e de letras. Lennon o mais interessado na nova amizade mostrando suas músicas e principalmente suas letras. O dia raiou com eles conversando  animadamente.  
             Like a rolling stone, uma das músicas interpretadas pelos Rolling Stones tem essa imagem de pedras rolantes são muito frequente na música, sugerindo independencia surgiram talvez ainda no blues  de Muddy Waters querendo falar que pedras rolantes não criam limo e são o exemplo de liberdade e ausência de raízes e ligações e posses.  Até Lupicínio Rodrigues usou essa mesma imagem em sua música Vingança quando diz - "você há de ser como as pedras que rolam na estrada, sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar" , like a rolling stone, na música brasileira.
          Afinal se não me ligo a letras, se Dylan não é grande instrumentista porque ele me chamou atenção? Pela harmonia de suas melodias? Por finalmente uma letra tocar minha alma? Era necessário acompanhar a música com a letra, nem todo LP trazia as letras impressas no encarte, quando acontecia aquele disco passava de mão em mão era melhor que aula de ingles para poder acompanhar suas mensagens. O inglês nunca foi meu forte,  em "Blowin' in the wind" fiquei por muito tempo descobrindo as palavras e o significado da musica. Talvez por isso, na ânsia de cantar suas musicas, tenha me detido ainda mais profundamente nas letras e sentido sua solidão, suas duvidas existenciais, sua ansiedade.
           Hoje o sr BDylan é uma unanimidade! eu que gosto de guitarras, solos sonzeira, não encontrava isso nas músicas dele mas outros interpretes fizeram isso , dando uma interpretação mais rock em suas músicas outra, como os Rolling Stones em "Like a rolling stone". 
           E assim mas aprendi a respeitar Sr. Zimmerman, respeito esse que que vem passando de pai para filhos!




quinta-feira, 15 de setembro de 2016

neuroplaticidade


       Esta semana por conta da expectativa de mover os membros parados e conseguir realizar tarefas como enxugar o corpo, usar a faca na refeição, sem falar da minha vontade de tocar meus instrumentos, muitas vezes tenho a impressão de estar malhando em ferro frio! Qual será o meu limite? A capacidade de aumentar meu poder neuro /muscular: minha expectativa e das pessoas ao meu redor é sempre muito alta e  a frustração de não atingir os objetivos também é grande e paralisante.  Esse passo de formiguinha da recuperação cansa e surge a vontade de alguma coisa mágica que seja mais rápida (eu sei que não existe mas sonho com essa possibilidade), a  resposta me vem nítida na seqüência.
             A neuroplasticidade - até já escrevi neste blog sobre ela, mas como é assunto novo e polêmico e ainda  me assolou esta semana, resolvi colocá-lo na discussão - é a capacidade do cérebro de se transformar. Até pouco tempo atrás, o conceito era que o cérebro não tinha capacidade de se transformar e recuperar  áreas lesadas.  Com o interesse de esclarecer aqueles que não estão familiarizados com essa terminologia - a unidade funcional do encéfalo - o neurônio é uma célula estrelada que emite vários pequenos prolongamentos chamados dendritos e normalmente um ou dois bastante extensos, os axônios, que se ligam com outros fora do encéfalo na medula espinhal ou em gânglios neurais. Com pequenos prolongamentos os dendritos fazem a comunicação entre os neurônios formando uma rede. 
             Os novos métodos de imagem puderam evidenciar como o encéfalo procura saídas nos casos de perda da funcionalidade de alguma área  por trauma ou a.v.c. O neurônio não regenera, isto é irrevogável, mas essas novas ligações dendriticas quase chegam a substituir o neurônio perdido, assim o cérebro se transforma e procura manter suas funções motoras e cognitivas. Isso demora muito e depende de estímulo que a fisioterapia promove. Deus caprichou no ser humano, nosso organismo é perfeito e é muito prazeiroso entender seu funcionamento e conhecer suas capacidades, sente-se a presença  de Deus o tempo todo sorrindo pelo maravilhoso trabalho executado! É linda a natureza e o homem seu melhor trabalho!   
         É possível fazer uma analogia, apenas com o intuito de simplificar o intrincado funcionamento do encéfalo, se numa casa um cômodo ficasse sem luz seria possível retirar energia de um cabo de um outro quarto e trazer energia ao quarto sem luz, essas novas ligações podem enfim fazer isso. A fisioterapia induz essas novas ligações, também facilitará estes novos circuitos, unindo algumas ligações que são mantidas inativas e essa situação ativa essas conexões  "desligadas" na parte intacta do cérebro. 
          Nos estudos para a recuperação de uma área lesada por um trauma ou por um avc os novos métodos de imagem mostraram aspectos novos e desconhecidos de como o cérebro se transforma para manter a funcionalidade mesmo em casos de lesões graves,   viu-se que até os axônios podem emitir prolongamentos dendriticos coisa desconhecida até nossos dias. A fisioterapia e a repetição de movimentos induz essas novas ligações razão pela qual, não se deve abandonar a fisioterapia mesmo que pareça cansativa, ineficaz e demorada. 
         Enfim não vou ficar livre da fisio, nem minhas terapeutas livres de mim. Essa é a minha vida, buscar meus movimentos perdidos…andar bem, correr, me vestir, ser independente, falta muito ainda..  tenho o que fazer por mais 10 anos ou mais segundo me falou um dos meus terapeutas só não pode morrer antes…vou morrer nada tenho vida e quero vida! vou viver e voltar a tocar como antes é o que eu quero! assim, contando com a neuroplasticidade vou caminhando. Uns dias melhor, outros nem tanto mas sempre em frente! Essa neuroplasticidade é lenta e não há nenhum sinal de que ela está acontecendo, só sabemos que está e só vamos vivendo e deixando o sistema nervoso fazer seu trabalho, mesmo que seja lento! Todos conhecemos sequelados de avc que se recuperaram muito bem depois de alguns anos. 
      Eu serei um desses. 
      Devo principalmente conter minha ansiedade, porque a recuperação definitiva não tem data de entrega.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

agosto chegou e acabou


        A Olimpíada chegou, foi embora, trouxe meu aniversario de nascimento de mamãe, tenho outro, do meu AVC, quando comemoro como outro nascimento!  Trouxe tambem meu irmão, minha cunhada e minha afilhada: puro amor menina linda, carinhosa, inteligente, atenciosa. Meu irmão que agora vem comemorar todos os anos aqui comigo esse dia de repente mais importante ainda. Na infância lá em casa os aniversários não eram tão valorizados, com os filhos passei a enxergar a importância dessa data, depois do AVC cada dia passou a ser um novo 'diaversário" digno de muitas comemorações. A presença da minha família coroa de maneira alegre esses momentos. Família é tudo! Almoçamos juntos diariamente, ótimo convívio, interagimos muito, participamos um da vida do outro. Eu com as minhas dificuldades recebo muita atenção, convites para sair, passear, distrair.. Apesar de Fernando morar longe estamos sempre em contato por fone, skype, whatsapp, falamos todos os dias, assunto que não falta! 
         Agosto trouxe também o Fernando, direto de Los Angeles. Que alegria, que prazer inenarrável ter todos em casa. Afeição, carinho, encontro temperado pela força do sangue comum que aproxima ainda mais as pessoas. Cantoria, dupla de violões, gaita, brincadeiras, piadas.  Muitas histórias, lembranças distantes, "micos", gargalhadas…Nossa querida cachorra sempre entre nós oferecendo companhia e dando e recebendo afagos de todos. Claro, conversas em volta da mesa comendo boa comida e bebendo boa bebida. Come-se e bebe-se muito nestas ocasiões. E o fim de semana acabou… E agosto acabou...
          Agora é tempo de ensaiar para o show dos médicos no início no  outubro. Voz, afinação, respiração, ritmo, fôlego são minhas novas preocupações. Tudo é novo e complicado. Aprender a respirar? Cantar? Eu? E esse tempo friozinho e chuvoso endurece e enche de dor a perna esquerda mas a vida continua. Terapeutas diariamente, Marcella, Fabiana, Suyane, Geisa, e a busca dos movimentos permanece ocupando meu tempo e meus projetos, minha vida.                           
         Aproveito a presença do filho americano para sair, passear, conversar, ficar perto, tomar uma gelada, jogar conversa fora, tirar uma soneca perto, falar do SPFC nossa paixão comum. Anda mal das pernas o nosso tricolor!  Enfim conviver nem que seja por pouco tempo, ele volta pro trabalho no começo de setembro! Vai viver sua vida filho, Deus o acompanhará sempre, como tem sido. Me espere em abril/maio em L.A. Vou ver o melhor por do sol dos EUA. 
         Quando envelhecemos a família se torna ainda mais importante, depois do meu AVC, a ligação com a família triplicou! ficar com meus filhos e a Stella é tudo de bom! das minhas contadas alegrias essa é a maior, a que me pega mais direto no coração, na alma! Puro êxtase!
        Viver em família é VIVER! Mas tem prazer amplificado pelas vitórias dos filhos! Imagino com os netos... que demoram a chegar! Mas hão de chegar no seu tempo! Até lá, estarei bom para pegá-los no colo, hoje só sentado, que chatisse! Mas serei o vô sentado...  que é vô do mesmo jeito só que sentado! 


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

histórias olímpicas lll a missão



                    Conto-lhes a saga de um jovem marinagense  em direção a Tóquio 2020.
                     Trata-se de Felipe Brito Ferreira filho da prima da Stella e do Betão, jogador de volei de Maringá.
                       Desde o início da adolescência Felipe já destoava dos colegas de classe pela altura muito acima dos outros  - Esse menino precisa fazer um esporte, está muito alto e não pode ficar mole...era voz corrente na família Ele próprio acabou escolhendo a natação, boa escolha porque mexe com tudo, não estoura joelhos e coluna e assim ele fez sua estrutura física. A dedicação aos treinos fez com que ele colecionasse títulos estaduais, nacionais e sulamericano. Foi convidado a treinar e competir pelo Clube Curitibano e lá foi ele aos treze anos.  Deixou a casa da família em Maringá e foi-se de mala e cuia para Curitiba treinar e viver por lá. O clube exigia dedicação nos estudos e a bolsa /atleta dependeria disso mas Felipe sempre tinha sido um bom aluno e isso não seria dificuldade para ele, mas as coisas começavaam a mudar na capital.  Bernardinho, técnico multi campeão e agora medalha de ouro, do volei brasileiro foi convidado a fazer uma palestra para os nadadores, ao ver Felipe, foi ao seu encontro e puxou conversa - Qual sua altura 2,03? O que vc está fazendo na natação? Bora comigo para o volei! - sou filho do Beto Ferreira ex atleta de volei . -Ah sim me lembro dele. E Felipe contou para o pai o encontro. A partir daí decidiram que o garoto iria fazer um teste no Esporte Clube Pinheiros em SP, clube  que melhor forma atletas de volei assim foi feito. O teste consistia em bater umas bolas com o treinador e Felipe apesar de não jogar volei frequentemente tinha herdado da natação músculos fortes e rápidos e enfim bateu bolas com força e deu saltos rápidos pegando bolas bem altas devido a sua grande envergadura. O treinador  disse rápido - Esse menino é meu! e assim foi feito E de novo Felipe mudou-se. Desta vez para SP numa república de atletas pertinho do clube e foi desenvolvendo sua habilidade de jogador de volei no infanto juvenil e juvenil, sagrando-se campeão também, nesta nova modalidade estava com apenas16 anos.
              Devo aqui fazer algumas considerações, formar um atleta não é apenas dar treino e exigir dedicação exclusiva boas notas. Existe a distancia de casa, dos amigos, o estranhamento da nova cidade, o morar com estranhos, a ausência do conforto que esta acostumado. Esses são alguns aspectos geralmente minimizados no esforço do adolescente, mas fundamentais na trajetória para o sucesso.
               Na época foi convidado a participar dos treinos da seleção principal em Saquarema e lá ficou 3 meses com o grupo meses  com o grupo jogando treinando fundamentos aprimorando as habilidades com a comissão técnica da seleção além de  Bernardinho por perto!
                  Esses são os motivos da minha aposta nesse nome para Tóquio 2020 o que vcs acham?
                 Outro parente, um Barretto agora, menino habilidoso grande boleiro morava e jogava no interior de SP e o grande SPFC foi fazer um amistoso das categorias de base na cidade em que residia e jogava. Ele acabou com o jogo, fez dois gols e dominou o meio campo, claro veio o convite para reinar no SPFC. A família já tinha planos de mudar-se para SP o  que acabou acontecendo. Um ano depois pai e filho foram até Cotia procurar os contatos do convite quando as partes se encontraram acertaram que o menino iria treinar no SPFC/Cotia. A  família morava perto do estádio do Morumbi onde saía o ônibus todas as manhãs e nosso atleta ia treinar , ficava dois períodos treinando e convivendo com os outros jogadores com toda a infra estrutura necessária para formar as novas jóias do clube nosso Barrettinho não cresceu o esperado e seus colegas de time estavam com 1,80 ele permanecia mais mirrado,mas continuava grande no futebol até que um dia foi chamado na diretoria e dispensado, acabava o sonho de ser jogador de futebol a tristeza pelo sonho acabado, as baladas e viagens perdidas pois não era bem recebida a falta mesmo com justificativa, ainda tentou noutros times do interior de sp mas nada se materializou. Tambem se sacrificou, se dedicou, trocou horas de recreação pelo treino, sono por estudo, estava quase lá... Porem um fator alheio a tudo o eliminou...a altura! 
                 As histórias de quase atletas, futuros atletas, atletas disperdiçados, são tantas que terîamos assunto por muito tempo. 
                 Aos futuros atletas e aos que mudaram seus rumos o sucesso, a glória, e a certeza de ter feito bem feito.


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

histórias de consultorio



                     Recebi no consultório uma senhora com irregularidades menstruais de aproximadamente 35 anos portanto longe da menopausa. Logo quando fui recebê-la chamava atenção a adiantada calvíce que já acendia a luz para distúrbio hormonal, presença de hormonio masculino: calvíce e irregularidade menstrual.  Solicitei perfil de hormonios masculinos que se mostrou bem alterado com tendência geral de elevação que me conduzia a hipótese de um tumor funcionante de ovário ou supra renal  produtor de hormônio masculino. já trazia um ultra-som normalize afastava por hora o tumor de ovário que pode ser pequeno e não visível ao exame. A cada retorno íamos estreitando nossa relação que me conduziu ao esdrúxulo diagnóstico. Disse-me que era esposa de um viajante que ficava fora aproximadamente um mês antes de voltar para casa com sua expectativa de que quando chegasse a esposa estivesse desejosa de sexo e que por isso teriam relações intensas e demoradas mas que desafortunadamente isto contrariava totalmente sua natureza, calma e parcimoniosa. O marido, então ficava desconfiado de que na sua ausência a mulher tivesse outros homens o que a deixava tranqüila e desinteressada de sexo seguia-se briga e discussão que a deixava muito triste e desgastada. foi aconselhada por uma amiga que padecia do mesmo problema a usar uma injeção que lhe daria o fogo tão ansiado e necessário para sua convivência harmoniosa com o viajante. E assim ela fazia já há muitos meses. ao ser avisada que o marido iria chegar ia até a farmácia e pedia a tal injeção que nada mais é do que hormônio masculino responsável por essa função no homem e na mulher. Esse comportamento era responsável pelo desarranjo hormonal em que se encontrava, trazendo sinais leves de masculinização. Orientada a suspender esse medicamento suas funções normais retornaram em alguns meses e foi encorajada a conversar com o marido e expor seu verdadeiro caráter. Com compreensão e tempo as coisas chegaram ao normal. 
                    A consulta muitas vezes é muito mais que uma relação doença/cura, vários aspectos emocionais sociais, familiares, mesmo no posto de saúde do bairro temos boas histórias como a transexual que se vestia e pintava como mulher e desejava por isso ser vista por um ginecologista! aqueles tempos ha mais de 20 anos a questão gênero ainda era a tradicional e o desejo da paciente era inusitado mas a consulta foi feita muitas dúvidas foram discutidas e ela ficou assídua no meu consultório muitas vezes acompanhada da companheira.
                 Sem saber eu estava lançando moda e sendo moderno pois o desejo do paciente impera e deve ser respeitado se possível. Neste caso ficou uma falação e risadinhas na sala de espera, mas nada afetou a orientação de atendimento a paciente. Muitas  vezes atendi a ex mulher e a atual, nesse caso a recepcionista era orientada a não marcar hora para as duas no mesmo período…
                Num outro momento eu era o médico da esposa e da outra, nada mais que uma aventura que acabou resultando em gravidez. Esposa que já tinha filhos crescidos e nutria o desejo de que a moça abandonasse a criança que esta criaria junto com o pai o marido num utópico final feliz. Mas a gestante, apesar da aparente simplicidade veio nas últimas consultas com a mãe, futura avó e estas se uniram para criar bem o menininho lindo e sadio que veio ao mundo!  
                 O bom profissional deve cuidar de seus pacientes sem julgamentos nem preconceitos. 
                  Essa história aconteceu no pronto socorro num final de tarde o Siate trouxe homem e mulher acidentados de moto numa das rodovias ao redor de Maringá foram acomodados inicialmente em macas próximas assim que pode falar o homem pediu que em hipótese nenhuma os familiares poderiam saber que os dois foram acidentados juntos.   Separar os dois era difícil pois o ps não é grande a este ponto. Internamos logo quem precisava com o cuidado de alojá-los em quartos distantes, mesmo assim na chegada dos familiares e entrega dos documentos na secretaria do ps foi impossível manter o segredo e não durou muito a    o costumeiro burburinho de um ps tão movimentado somaram-se mais lágrimas e gritaria do caso descoberto pelos cônjuges e depois sempre havendo um frisson nos horários de visitas. Felizmente tudo acabou bem.. esses exemplos mostram a diversidade humana de valores morais, físicos, éticos, de possibilidades sociais, emocionais, familiares. Ao médico cabe amparar, orientar e se possível curar… sem julgamentos nem preconceitos.
                Assim vamos participando intensamente desses momentos que depois de resolvidos chegam a ser engraçados. Muitas outras foram vivenciadas nesses anos todos de lida que encheriam muitas postagens deste blog. Com o tempo lhes contarei algumas.    

                           

         


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Histórias olímpicas

               
                  Estava no quarto ano e junto com outros colegas da faculdade montamos um ótimo time de futebol society extraído da seleção da faculdade, com 6 a 8 integrantes. 
                   Nos fins de semana arranjávamos partidas contra times das chácaras ao redor de SP. Normalmente fazíamos o jogo no final da manhã do sábado ou domingo, depois saboreavamos um churrasco e ficavamos tomando sol e papeando ao redor da piscina mas não eram só flores pois esses times eram formados pela família e amigos e ficavam muito bravos de perder em casa! Lembro de uma a vez que a coisa andou feia contra uns armênios quase chegando as vias de fato, mas o dono da chácara era aluno da Santa Casa e nossos carros estavam perto fez tudo acabar em churrasco.            
                 Nessas pelejas as nossas mulheres nos acompanhavam. Stella era muito amiga de Sueli, que em viagem para a Europa acabou conhecendo um sueco que virou seu marido, anos depois numa dessas pelejas a Sueli foi junto conosco e se fez acompanhar por uma bela sueca que estava hospedando, fomos todos, a sueca pegou seu material para jogar bola, lá chegando  a moça se vestiu colocou sua chuteira e entrou no campo conosco no aquecimento; aquilo de chutar no gol trocar passes, correr em volta do campo ela mostrava uma boa intimidade com a bola, bom domínio e bom chute enfim não seria a última a ser escolhida caso fizessemos dois times para jogar uma pelada. No jogo Brasil e Suécia da Rio 2016 o spiker disse que lá existem quatro divisões de futebol feminino que as deixam em atividade o ano todo, as nossas jogadoras acabando a olimpíada estão desempregadas, pois acaba-se o futebol feminino no Brasil. Essa diferença é marcante para um esportista, mas mesmo com toda essa diferença de estrutura fizemos 5x1com direito a gol de letra nelas e temos a melhor jogadora do mundo eleita por cinco anos. Ganhamos delas abusando do nosso talento individual nato e muita improvisação.
                    a dupla de volei de praia americana bem conhecida de Fernando meu filho que tambem joga  nos USA  por recreação era composta de Paterson e Jake Gibbs, este último já com mais de 39 anos e acometido por dois canceres; o primeiro um melanoma no ombro esquerdo em 2002 que depois de extirpado, permitiu a volta deste ao esporte ele foi pego tempos depois em 2010 no exame antidopping que deu positivo para um derivado raro da testosterona que o atleta e seu técnico juravam não ter usado. Os médicos fizeram um rastreamento minucioso  e acharam um tumor funcionante de testículo que por ser recente e ainda pequeno  foi também tratado com sucesso permitindo a volta dele ao esporte sem muito  prejuízo.  
            Essas histórias servem para dignificar ainda mais a trajetória desses atletas olímpicos exemplos de vida e superação. que devem nos servir de exemplo para todos nós.
           Minha família sempre foi do esporte, meu pai era basicamente do futebol mas fez algumas incursões no atletismo no Mackenzie College como ele gostava de falar, onde estudou o primeiro e segundo graus. Meu irmão mais novo e eu sempre ligados ao futebol, fiz uma tentativa estéril no judo, no handebol que me deixou uma história muito boa e uma fratura consolidada de segundo metacarpo que me impediu de tocar na final do concurso brasileiro de chorinho da tv bandeirantes, já contada em postagens anteriores.
             Esse gosto pelo esporte fez com que fossemos `a cerimonia de abertura dos jogos Panamericanos de sp em 1960 no Pacaembu perigosamente superlotado.  Meu pai adorava fotografar e claro fotografou meu irmão mais novo com um ano no colo daqueles monstros do basquete americano. Coisas do sr. Byron, figuraça humana e surpreendente, saudades pai! Conseguir isso daqueles caras marrentos da NBA  é mesmo um grande feito, mas o sr. Byron era demais, impossível dizer não pra tamanha honestidade e pureza. 
           Eu também adoro esportes estou adorando essa olimpíada numa época em que posso assistir muitos esportes na tv e me transportar para a pele destes atletas maravilhosos.
            O Brasil acaba de vencer a Alemanha! primeira do ranking mundial    Uuhuuuuu!!!
             



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

meu primeiro filho

       

                           Lembro que era um sábado paulistano de sol e calor, como hoje. Estávamos no sítio do meu amigo e parceiro Cesar Brunetti jogando tenis  as 3 da tarde, quando a Stella chegou na beira da quadra e avisou que algo estava estranho com sua barriga, fomos até o banheiro e constatei um fio de água que escorria. Guga estava querendo chegar. Mas com toda calma de um residente em gineco, e como a Stella estava ótima, sem contração nem nada, saboreamos o churrasco, conversamos, rimos, descansamos e as 6 e meia fomos pra casa. Ligamos para o médico. Numa época anterior a celulares, bips, e outros meios de comunicação ainda aguardamos a volta dele do circo para onde havia ido com seus filhos, afinal era sábado, 7 da noite. Dia e horário dedicados a criançada.
                      Imaginei que a bolsa não havia estourado, apenas  uma pequena rotura. Faltavam ainda 20 dias pra "data" o que aconteceria? Internada Stella foi direto pra sala de parto, ao chegar o obstetra viu que mesmo sem cólicas já apresentava 80%  da dilatação necessária, depois  acomodada na mesa de parto com soro e tudo, tremia como vara verde e nossa anestesista, uma divertida nordestina alto astral dizia: - Trema, minha filha vc tem direitos use-os, ajudando a descontrair o impacto de um primeiro filho chegando antes da hora.  Entre risadas e palavras de incentivo fiquei na sala o tempo todo, o médico, também meu professor, perguntou se eu queria fazer o parto mas declinei por não me sentir apto naquele momento. Anos mais tarde já em Maringá, fiz o parto do meu terceiro filho, auxiliado pelo Dr. Moacir Manetti.
               Ainda comunicamos a meus sogros aqui em Maringá que seu primeiro neto estava chegando, os avós sairam na corrida e conseguiram passagens de ônibus pinga, pinga até SP pois era o tempo dos postos de gasolina fechados inviabilizando a viagem de carro., avião nem existia por aqui. Quando chegaram, filha e neto já estavam bem. Guga no berçário e Stella no quarto descansando! Guga era uma criança linda e saudável com 3.800g e 52cm, havia sido um parto normal, sem intercorrências e nem incidentes as 23:15h. Eu babava no meu primeiro filho! Extasiado com o comportamento de Guga e Stella tudo tão sereno, grande nascimento , sem atropelos, gritos e confusões.
              Meus pais chegaram para conhecer seu primeiro neto, depois a família foi se juntando no quarto, a tia e a avó da Stella, todos ali comemorando a alegria do primeiro bebe.
             A vida mudou, em casa, os ensaios musicais de chorinho agora eram acompanhados do autentico "chorinho"...as saídas eram trabalhosas, cheias de tralhas, casacos, carrinho e tudo mais..os plantões as vezes eram locais de dormir, descansar.. mas ainda assim a vida se tornou mais colorida, saborosa..
             Retornar a rotina, voltar pra minha vida real de residente ficou mais dificil, em cada momento de folga, fechava os olhos e relembrava aqueles momentos inesquecíveis o primeiro choro forte e saudável! Emoção a flor da pele depois de uma noite com nene novo! Antes saía dos plantões pingando de sono, agora já chegava nesse estado, e não vendo a hora de chegar em casa e me juntar a minha família novamente.  E assim íamos nos adaptando ao nosso filho que insistia em ficar acordado até tarde contrariando nossa proposta de acostumá-lo a dormir as 20 h. Ele chorava um pouquinho mas era bom para expandir bem os pulmões! rsrs..  Acabamos nos adaptando, os tres com respeito aos horarios e necessidades de cada um e fomos em frente.
           Mais de trinta anos se passaram! Me tornar pai foi um presente seu pra mim. A emoção do convívio de cada dia continua, a adaptação, o respeito aos horários e necessidades de cada um tambem continuam.
           Meu filho, hoje é seu aniversário, mas não só hoje desejo toda felicidade, sucesso, e que vc continue com sua determinação, alegria e diplomacia atras dos seus sonhos. Conte sempre com seu pai.
           Estamos todos nós digerindo e nos recuperando desse AVC, que nos surpreendeu a todos, mas somos os mesmos na essencia, no amor e na fortaleza de nossos laços.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

minha vida pós AVC esta semana




                                                                         
                          Semana que marcou pela minha falta de disposição pensei só vou fazer o que me der prazer e bem estar fiquei um pouco sem paciência com o passo de formiguinha da fisioterapia queria algo mais imediato visível, sei que não existe mas fiquei uns dias meio abatido, corroborado por um analgésico opiáceo com os quais não me acerto, noites mal dormidas.. com tudo isso me dei uns dias de folga: ver tv e dormir sem culpa..mas não dá, precisava levantar e tocar a vida! Cada movimento novo deve ser aprendido então imagine pra andar bem, correr "dis costas", cantar 30 músicas.. vai levar anos de trabalho. Já estou a quase três nessa e melhorei muito para alguém que tinha prognóstico de não sair da cama. Fui bem longe, e procuro mirar bem mais longe pra acertar coisas normais, quero correr em volta do parque o que nunca fiz antes do avc, mas quero fazer agora, depois. Vou dar festa em comemoração neste dia!   
                  Vou fazer uma aplicação bloqueadora da dor e da coceira  no nervo pudendo (que me causa uma coceira insana na região pudenda é gente, "nas parte"), acho que uma parte do meu incomodo vai parar. Outra dor bem chata é causada pela fraqueza dos músculos posteriores da coxa que se inserem na tuberosidade isquiática isto é onde sentamos, na frente desse osso da nádega onde sentamos. Normalmente sentamos distribuindo o peso entre o osso e os tendões dos músculos da coxais que em mim estão mais fracos pela atrofia causada pelo avc, tenho feito fortalecimento muscular mas que ainda me causa dor ao sentar e atualmente também andar e ficar em pé  
                  Todos sabem, mas vou repetir com conhecimento de causa, a inatividade gera inatividade e muito pior, faz muito mal pra auto estima, me esforcei e voltei com a Fabiana fisio e fiz todos os exercícios solicitados, voltei pra casa muito mais leve e confiante,  feliz por ter feito, hoje ainda tenho uma preguicinha mas administrável, até fui no ensaio do Plantão Musical na sociedade médica, onde tive preparação vocal pra cantar minha música no nosso show no começo de outubro, que vcs ficam sabendo em primeira mão. O ritmo está ainda meio falho mas atribuído ao fato de que frases devem ser cantadas em concordância com a respiração, se vc corre e acaba a frase muito cedo, corre um pouco na letra para dar certo.. enfim precisa ensaiar e automatizar a dicção com o movimento respiratório. Constatei feliz que a afinação está aceitável, as vezes claudica mas está bem aceitável, agora tenho que cantar a música duzentas vezes antes de me assanhar com microfones e palco o que me era natural e intuitivo, hoje carece de muito treino para automação e ajuste da velocidade de falar as palavras, respirar e manter o ritmo. Dito assim vê-se que não é tão fácil em passar meus dias. Acertando isso também notei que estou de fôlego curto não tenho conseguido falar as frases então corro e falo de soquinho sem respirar muito, até na conversa, estou com a respiração desmesurada, o que me faz correr para acertar tudo. Tenho muito que fazer não,amigos…??
                     Bem gente este é meu momento atual, feliz com o que conquistei e consciente do longo caminho que tenho a percorrer mas com ajuda e todos da família chego lá, sou novo ainda…estou confiante na aplicação de segunda, depois conto. 
                     Pois é gente a vida é feita de dia/dia, tijolo por tijolo e coitado dos apressados, vão se frustrar muitas vezes, montar a vida com boas escolhas, qualidade e serenidade são fundamentais, mas a atualidade está sem paciência e quer tudo pra já. O computador e as redes sociais dão a falsa impressão de que as coisas são imediatas "sqn"… Vamos com foco e tranqüilidade construir nosso caminho. 
                     Beijos a todos e até a próxima semana! 



    

quinta-feira, 21 de julho de 2016

anestesia




                                     Escrevo-lhes parte da história da medicina a guisa de curiosidade, por episódio muito interessante da nossa história, onde o acasos a perspicácia de quem o o interpretou acabou mais uma vez auxiliando na tomada de novos rumos na historia da medicina, vide a descoberta da penicilina,
quando em 1928 Alexander Fleming estudando substâncias capazes de combater bactérias esqueceu o material de estudo  sobre a mesa quando saia de férias ao voltar viu que as culturas de staphilo cocus aureus estavam contaminadas pelo mofo e ao redor destes se formava-se  um halo claro sugerindo que o mofo produzia alguma substância capaz de inibir o crescimento substância que inibia o crescimento das bactérias depois, estudando estas substâncias , chegou ao desenvolvimento da penicilina.
                                    No século XIX o cirurgião dentista Horace Wells tinha na dor dos tratamentos seu maior inimigo e vinha pesquisando possibilidades de anestesiar seus pacientes. O ópio era usado como analgesico e para funcionar como anestésico a dose deveria ser muito alta o que amedrontava os médicos em usá-lo. Alguns goles de bebida alcoólica era também usada sem sucesso. A coisa era mesmo um verdadeiro show de horrores com gritos, gente amarrada e segura por assistentes corajosos. 
                                  Era comum naquele tempo circos com shows de gás hilariante, o óxido nitroso ou protóxido de azoto, as pessoas pagavam 25 centavos para inalar o composto e ficar no palco rindo e fazendo maluquices e a platéia assistindo encorajando essas sandices, gente  dançando, pulando cambalhotas..  Certa noite nosso dentista se acomodou ao lado da mulher para presenciar o espetáculo quando viu um conhecido seu dando cambalhotas e bater distraidamente sua canela na ponta angulada de uma cadeira. O dentista logo pensou isso dói muito, mas o homem pareceu nem se incomodar e continuou sua performance.
                                 Ao acabar a função aproximou-se do conhecido e lhe perguntou sobre a lesão.  - Qual?  - Essa na sua canela respondeu o dentista. - Nem notei e foi passar a mão na calça banhada de sangue. Com a calça erguida era via-se o talho extenso e profundo. Só seria possível suportar a dor se o indivíduo enfim estivesse anestesiado. Horace Wells não dormiu naquela noite conjecturando e marcou experiência nele mesmo na manhã seguinte. Iniciou inalando o gás até quase até a inconsciência e depois teve seu molar extraído pelo seu assistente sem esboçar nenhum sofrimento. Nas semanas que se seguiram fez alguns tratamentos indolores, sem um gemido sequer. Assim foi aprendendo usar o gás hilariante como anestésico, ainda  empiricamente sem conhecimento dos perigos, transitando perigosamente entre a vida e a morte por asfixia, intoxicação e superdosagem. O protóxido é usado até hoje em anestesias inalatórias em associação com outros compostos.
                                 A medicina, como outras ciências teve seus momentos obscuros, como o tratamento de dores na coluna que consistia em fazer queimaduras a ferro em brasa da nuca até a nádega, tratamentos tão cruéis quanto inúteis, além da crendice dos cirurgiões que o peritonio não podia ser aberto, que depois sobrevinham peritonites gravíssimas seguidas de morte, também com os conceitos de higiene da época não poderia ser diferente. As peritonites principalmente em ferimentos de combate eram quase sempre fatais.  Bons anos se passaram até o maior conhecimento da microbiologia que determinou sérias mudanças nas condutas médicas e cirúrgicas. A medicina e mormente a cirurgia evoluiu lentamente e os dias de hoje "estas informações e outras mais" constam do espetacular livro : "O século dos cirurgiões" de Jurgen Thorwald que eu recomendo efusivamente. Todo médico e profissional da saúde devia tê-lo na estante ler e reler de tempos em tempos.
                                  Hoje em dia vemos as pessoas fazerem cirurgias por motivos fúteis, e sem esgotar todas as possibilidades terapeuticas não invasivas antes de optar pelo tratamento cirúrgico. Hoje se começa pela cirurgia e depois se busca o tratamento clínico. Inversão de valores mas são os modismos costumes da época o imediatismo , a fantasia de se retirar a doença com as mãos acabam somadas nesta tendência atual de se operar tudo rapidamente. 
                                 Enfim é o que se constata,não é?     

quinta-feira, 14 de julho de 2016

eu e a medicina


   O frio nos acarreta alterações! Comemos mais e comidas mais calóricas pra aumentar o panículo adiposo que isola nos do frio isso tudo é fisiológico em nosso organismo. Época de emagrecer é o verão,
                               Maravilha, é a medicina me a me dando chance de me aprofundar no estudo do organismo mais perfeito do universo tudo isso. Deus nos fez a sua imagem e semelhança e caprichou mesmo na sua obra.
                               Assisti ao filme (do livro do mesmo nome, O Fisitian, médico em inglês, mas aqui mal traduzido para O Físico) , me atiçou o orgulho de ser médico. Nosso conhecimento uma dádiva, nossa profissão abençoada, minha especialidade linda , a única que atende dois indivíduos diferentes em situações distintas de uma só vez: que vc faz com um afeta o outros assim por diante tem que saber muito! e gostar muito! mas mais lindo de tudo é participar do momento da chegada de um novo ser: mais um filho, outro neto ! participar deste momento de pura felicidade é um privilégio que a medicina me proporcionou. ser tratado como da família
                              Saber que fiz bem a minha parte é motivo de orgulho para mim e também para meu pai que não esta mais entre nós mas onde ele estiver acompanha o filho na sua trajetória na medicina do filho que era motivo de  orgulho.  Eu já estava no quinto ano  conseguia um dinheirinho dando plantões e substituindo colegas em ambulatórios e meu pai satisfeito me fazia gastar tudo de uma vez…estou lembrando e dividindo com vcs. Assim era meu pai, sempre vibrando com as conquistas dos filhos. Foi cedo como eu gostaria de passar uma tarde com ele atualmente, compartilhar sua bondade e confiança na família que era  seu maior orgulho adorava ser um Pereira Barretto puro como ele dizia, transmitiu para os filhos esse mesmo sentimento, quatrocentão na São Paulo dos anos 30 e 40  isso era importante e o crack do café  acabou com a fazenda de café do interior de SP, onde por muitos anos viveu minha família. 
                          Cresci escutando histórias de Luiz Pereira Barretto, o gênio da família ele realmente foi muito importante em seus estudos de moléstias tropicais numa de suas viagens para a Amazônia conheceu o guaraná e o trouxe para o sul, durante muitos anos no rótulo do guaraná Antártica aparecia: fórmula do dr. Luiz Pereira Barretto além disso trouxe a uva para o Brasil pois o imigrante italiano só se fixaria ao novo país se o acompanhasse o vinho; tratou ele de trazer as uvas para a região de Valinhos / Jundiaí e lá começou a cultura da uva no Brasil. Além disso participou com Vital Brasil e Carlos Chagas no estudo da febre amarela que grassava na região sudeste. Conta-se que para provar que a febre amarela não era transmitida pelas emanações do paciente chegou a dormir no leito de um paciente recém morto pela doença e ainda ingerir pílula feita do vomito deste, acabaram provando a responsabilidade do vetor na transmissão da enfermidade que é o mesmo mesmo  aedes egypti desde aquele tempo nos atrapalhando a  saúde houve um tempo em que se considerava erradicado o aedes e consequentemente a doença mas agora o mosquito voltou com força total todos   sabemos o resto da história.
                          Agora me apercebi de onde vem meu interesse de estudar medicina: pressão silenciosa da família pois  nunca ouvi meus pais me obrigando nem mesmo sugerindo que seguisse a profissão. Enfim achei minha vocação, repito o que já disse no blog anteriormente apesar da paixão e da facilidade pela música nunca pensei em torná-la minha profissão. A música ficou no lugar certo na minha vida, um hobby bem sério, nada mais que isso. E nem me considero bom o bastante para ser músico de profissão como instrumentista e intérprete sou comum, nada extraordinário ainda mais aos 19 anos muito menos capaz que atualmente. Mas nem se pudesse voltar atrás não iria viver de música, achei meu lugar como médico, adoro minha profissão, sofro por ser obrigado a ficar longe dela excetuando nas palestras e reuniões com gestantes que me torno médico onde viro médico novamente. Dos desgastantes plantões, a ausência no almoço familiar e em outras datas importantes como alguns natais e reveillon, muitos domingos, o cansaço, que também era grande, claro que não tenho saudade mas trabalhar, operar, pensar montar os quebra cabeças das enfermidades atender as gestantes com sua energia positiva, contagiante me fizeram um privilegiado de trabalhar com algo que me dava tanto prazer.
                       Atualmente , ainda sem mexer a mão esquerda satisfatoriamente não há como exercer a profissão, voltar ao trabalho mas esse dia enquanto não chega vou pensando em um jeito de ficar conectado com minha amada profissão lendo, estudando lembrando...