sexta-feira, 18 de novembro de 2016

judiciação



                      Temos acompanhado notícias dos telejornais que giram em torno da lava jato, do STF, Policia Federal, prisões de administradores e outros mandados de segurança, arresto de bens no Rio de Janeiro.   É isso  gente, quando o executivo não funciona ou funciona mal o judiciário é chamado a intervir na salvaguarda dos interesses da sociedade chegando quase a ser o próprio administrador, sem conhecimento ou legitimidade pois não foi eleito, procurando ao menos reparar os danos para a sociedade. O juiz que decide esta ou aquela pendência dá uma opinião técnica, baseada nas leis com o risco de uma sentença draconiana injusta e sem embasamento, normalmente dando uma decisão enviesada e que nem sempre atende as várias faces do entrevero. Reclamantes e reclamados insatisfeitos afinal juiz não é administrador, é um técnico em leis. Assim a governancia e outras áreas do país vem sendo administradas ultimamente através de liminares e mandados ao executivo. Muitas vezes falta coragem para tomar as medidas necessárias que nem sempre renderão votos e palanques. Coitado deste nosso país navegando como um barco guiado pelas marés sem programas, sem visão de futuro, algumas vezes  trazidos para a praia, outras o destino são as pedras ou os arrecifes.
                 Lembro de momento numa UTI da cidade onde uma promotora de saúde falou ao chefe do serviço - Preciso de um leito! e este lhe respondeu - Escolha um pra morrer, dê alta e carimbe que eu mando levar para o quarto, mas a decisão é sua. Nenhum está de alta. Assim ganhou-se algum tempo até que vagasse um leito e fosse possível receber o paciente mas muitas vezes o judiciário a meu ver extrapola seus limites interferindo na sociedade sem o conhecimento daquela área  para assumir os riscos de uma decisão que muitas vezes os próprios responsáveis relutaram em tomar e vem o juiz decide e "Cumpra-se!".  Ora a decisão de operar ou não é do médico e só dele ninguém mais pode fazê-lo assumir conduta que não seja o médico assistente já vi decisões judiciais desta ordem.
                   Nossa sociedade é imatura que anseia pela lei da ficha limpa ora, é obrigação do cidadão conhecer aquele que vai escolher para cuidar dos seus interesses. Não se pode escolher a raposa como chefe do galinheiro e isto é minha obrigação conhecer meu candidato seu passado e suas propostas. Esperar pelo ficha limpa é esperar que alguém faça o que eu como eleitor deveria fazer. Querer ser tratado como crianças não como uma sociedade moderna e participativa que aspiramos ser um dia, é deixar nas mãos de terceiros a responsabilidade que deveria ser de todos. Hoje em dia todos aqui entram na justiça por tudo pois a sociedade não consegue se regrar e ser justa, é muito dependente do direito e até merece essa judiciação pois não cumpre o óbvio. 
                  Educação e civilidade seria bastante útil ao brasileiro! esse povo alegre amoroso, festivo mas bastante deseducado, pouco cumpridor dos deveres de cidadãos. 
                  É gente, tristemente assistimos o país seguir em frente sem um plano de governo legitimado e desejado pelos seus cidadãos que levam calote do próprio governo, que faz leis que nitidamente lesam o povo vejam as correções dos  aposentados, sempre deixados de lado, médicos ficam com medo de liberar paciente e pedem muitos exames para se resguardarem, ora um exame bem feito tem valor e quando bem escrito no relatório é o bastante, não é preciso mil exames de laboratório ou imagem. Um bom exame, bem anotado é suficiente, mas os processos e mandatos confundem e assustam os doutores de pronto socorro.  É a judiciação atrapalhando o andamento da sociedade!
                    Mas cada qual com seu igual e seguimos a vida. Até a próxima semana com um tema mais ameno.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Novas histórias de pronto socorro




                     Tirem as crianças e os impressionáveis da sala.
                     Era um meio de tarde com chuva e vento e entra um homem, trazido pelo Samu com um guarda chuva aberto enfiado no rosto naquela época eu não sabia que teria um blog senão teria fotografado o homem que pegou seu guarda chuva pra se proteger da chuva, claro estava voltando pra casa de bike e o vento toda hora fechava o aparato atrapalhando-foi quando lhe ocorreu a grande idéia viro o guarda chuva e o vento o fará abrir-se ao invés de fechá-lo e foi o que fez, ficando com a ponteira perigosamente próxima do rosto mas nada vai acontecer pois ja estou perto de casa apenas mais uns  dois km. Assim pensando bleft  - colidiu com um caminhão parado e a ponteira o feriu no rosto o povo via aquela situação cômica de ter um guarda chuva aberto preso no rosto o Samu logo chegou e o levou para o Hospital Santa Rita onde eu cumpria meu turno de socorrista. Vários exames de imagem foram feitos que não evidenciaram nenhum dano mais sério : a ponteira penetrou abaixo do olho direito ao lado do nariz e foi realmente guiado por mãos divinas entrou mormente numa região basicamente óssea poupando estruturas sensoriais nobres como o olho e o nariz. Era divertido ver o homem sendo levado de cadeira com aquele guarda chuva aberto no rosto no centro cirúrgico após anestesiado o aparato foi tirado com sucesso e e sem maiores complicações, mais uns poucos dias de observação e nosso sortudo foi liberado para casa sem maiores perdas , não me consta o que foi feito do malvado guarda chuva protagonista desta incrível ocorrência. Assim nosso herói foi para casa com uma bela história para contar e com suas funções preservadas. 
                    Outro caso que me ocorre aconteceu há mais de 20 anos  também no H. Santa Rita. Um mecânico de fim de semana estava em baixo do seu fusca apertando parafusos e revisando o carro sem rodar por muitas semanas e com o tanque rigorosamente secvazio. Nosso homem não enxergava muitos recantos pois não havia luz suficiente então teve a "idéia brilhante!" que quase leva sua vida…acendeu um fósforo para iluminar esses recantos : não demorou e bum explosão! bem o homem teve quase 40 % do corpo queimado e quase perde a vida. Teve uma primeira fase de tratamento no Santa Rita e depois transferido para ao hospital especialista em queimados do Paraná com muito custo sobreviveu.      
                  Essas situações são para mim o grande atrativo de trabalhar, dar plantões exaustivos no Pronto Socorro. O inusitado, o inesperado, o surpreendente, a necessidade do raciocínio rápido e decisões firmes me desafiam. A conclusão dos casos, a satisfação do dever bem cumprido são para mim a melhor paga. As histórias no entorno do caso também me fascinam entender o pensamento que gerou a atitude de risco que são momentos de má avaliação bem humanas e freqüentes em nossas vidas, trabalho extra para nossos anjos da guarda que estão sempre atentos e mesmo assim muitas vezes insistimos no ato inseguro e fazemos a besteira.
         Uma vez estava jogando bola e fomos para o costumeiro churrasco pós futebol surpreendi os colegas com dificuldades em acender o fogo um deles mais apressado foi e pegou um pouco de gasolina do carro e molhou o carvão com o líquido, todos com  medo acendiam fósforos de uma distância segura e jogavam o fósforo aceso em direção ao carvão molhado e que  apagava no caminho deixando nosso carvão intacto. Achei aquilo meio esdrúxulo e fui dar uma de corajoso, peguei um fósforo e bem de perto depositei no carvão molhado com a gasolina, ora o gás explodiu perigosamente bem a minha frente queimando minha sobrancelha, o clarão foi visto do campo e muitos colegas acudiram para se inteirar do acontecido, nada de grave aconteceu e a sobrancelha cresceu rápido mas poderia ter sido bem pior. Meus protetores deviam estar ali soprando o fogo e se pudessem teriam me tirado a força dali mas o tal do livre arbítrio deve ser respeitado e eu  aprendi, fiquei sem sobrancelha uns dias e hoje sou um protetor ativo em situações semelhantes ou bebuns.
        Amigos felicidades a todos e bom fim de semana.
        Vai Brasil 2 x Argentina 0!









quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Plantão Musical: a origem


                     
                   
                        Todos aqui de Maringá conhecem ou até já assistiram o show dos médicos que acontece anualmente homenageando um compositor brasileiro. Ja´ fizemos mais de 20 shows anuais o que nos reporta a mais de 20 anos do Plantão Musical. 
                       Comecei a pensar e a procurar lembrar do começo deste nosso grupo e lembro começamos nos aproximando por afinidades várias e principalmente a musical e nas reuniões onde estávamos juntos acabávamos cantando e tocando violão, assim nos aniversários de alguém do grupo acabávamos cantando nossas músicas preferidas. Cantavam Robson, Donadio, Benedito Tel e outros e tínhamos o costume de contar algo da música que cantávamos e assim passávamos muito tempo, sempre eu ao violão. Combinamos algumas vezes encontros musicais na Sociedade Médica com o intuito de cantar e tocar e ali ficávamos. Destas reuniões evoluímos para a idéia de fazer os "Show dos Pratas da Casa", um evento médico cultural com exposições de artes e onde os músicos e cantores da medicina maringaense iriam se apresentar com o acompanhamento de um grupo profissional. Estava dada a partida para os nossos shows .Esses pratas da casa nada apresentavam de produção, apenas o cantor ia ao microfone e cantava alguma música previamente acordada com o conjunto. Nestes shows fizemos mostra de artes plásticas dos colegas pintores e escultores e ainda apresentamos contos e poesias dos colegas escritores.
                   Numa demonstração de confiança e coragem os colegas da diretoria da unimed da época nos sugeriu fazer um cd com esses cantores. A aceitamos de cara e partimos para a produção do espetacular "O outro lado", cd concluído no final de 1998 e distribuído aos cooperados da unimed como brinde de natal. 12 músicas foram gravadas. Com esmerada produção, contou com a participação de muscos consagrados. Com a intermediação do meu primo o baixista Sizão Machado que também está presente, conseguimos a participação do Derico do programa do Jô e do trompetista cubano Luiz Claudio Faria, que aceitaram participar sem ônus para o projeto, resultando num espetacular cd. O encarte caprichado trazendo a ficha técnica detalhada de cada música além de fotos das gravações concluiu, um trabalho muito bom, digno de estar presente na cdteca de todo médico amante de música de Maringá ou de outras localidades.  A repercussão foi grande, fomos mais tarde convidados pela diretoria da Associação Médica do Paraná a nos apresentar em Curitiba, o que foi aceito com muita alegria.  
                Começou assim como uma brincadeira, um sonho, um devaneio, um delírio; fazer um show só de médicos, evidenciar os talentos da classe, mostrar o nosso outro lado, nosso lazer, nossos hobbys, iniciamos contatos e as conversas mexendo com o sonho de muitos, principalmente o meu! Dirigir, orientar, produzir arranjos musicais, discutir com músicos e cantores quais os instrumentos em cada musica, ensaiar com cada um, vivenciar esse universo pra mim fascinante.. Tornar tudo isso realidade, foi um trabalho árduo de cada um, mas que sempre valeu a pena!
               Brincadeira transformada em encontros divertidos, prazeiroso convívio que estendemos até hoje. Nascia assim o Plantão Musical que apurou a produção e a montagem cênica, o figurino e assim foram, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Vinícius de Moraes, Roberto Carlos, Chico Buarque ,Gilberto Gil, Rita Lee, e o último Paulo César Pinheiro. Já estamos em discussões para o do ano que vem ainda sem um nome de contexto, sempre com a mesma estrutura: encontros na segunda a noite onde cantamos, conversamos sobre o show, escrevemos os textos, todos deliberam sobre tudo que envolve nosso show, numa verdadeira democracia! Nossas reuniões vão de março até outubro, o mês do show. Isto nos uniu ainda mais transformando o Plantão Musical numa irmandade unida pela música e pela medicina! Nossas reuniões vão de março ate outubro. Vamos começar os trabalhos visando o próximo show que  ainda praticamente não saiu do zero!    
                Pois é gente essa é a nossa historia entremeada de amizade, companheirismo e claro música,parceria, cumplicidade uma grande colaboração do plantão musical para a cultura maringaense e do Paraná.