sexta-feira, 24 de março de 2017

Histórias de familía


Toda família tem histórias interessantes e engraçadas.

Essa, pego emprestada da família da Stella.

Tia Rosalia era uma mineira de sorriso fácil e conversa idem. Uma vez foi em Minas buscar uma empregada no interior do estado. A moça chegou em Sampa e quase desmaiou de emoção. Os prédios, o trânsito, tudo era motivo para exclamações impagáveis da mineirinha. Ao chegar em casa, Rosalia explicou onde tudo estava e ficava e saiu para comprar pão para o lanche da noite. Antes de sair, porém, avisou à mineira recém-chegada:



-Se o telefone tocar, diga que já volto.



E saiu.



Ao voltar pra casa ouve o telefone explodindo de tocar. Abre a porta e vê a nova funcionária ao lado do telefone irritada e falando:



- Ela já vem!! TRIMMMM TRIMMM TRIMMM

- ELA JÁ VEEEEEM!!! TRIMMM TRIMMM



E assim a nova funcionária conheceu o telefone e foi aprendendo e se deslumbrando com a cidade grande. No fim das contas já era quase uma paulista. Arrumou namorado e tudo mais.

Tia Rosalia se foi, infelizmente, mas ficam suas gargalhadas, sua simpatia e essa história deliciosa que, contada por ela, com seu sotaque mineiro, tinha outro charme.



Outra muito boa foi de D. Manuela, casada com o Sr. Doutor. Isso mesmo. O nome dele era Doutor. Carioca da gema morando em São Paulo, foi para o Rio visitar as parentes e viu a recém-chegada novidade. Em alguns pontos da cidade havia cabines de gravação onde você gravava sua voz em um pequeno disco de vinil. Como lembrança, ela mandou um desses para uma de suas filhas em São Paulo, mas que não tinha vitrola. A filha, então, foi à casa da uma irmã e pôs o disco para tocar. A voz da D. Manuela saiu em alto e bom som:



- Minha filha, vá para casa de sua irmã, coloque este disco e você ouvirá minha voz.



Fim de gravação!



Seria trágico se não fosse cômico, mas é a pura verdade, sem adições.

Também, né, pra alguém casada com o Sr. Doutor até que parece pouco.



Com o tempo vou lembrando e contando histórias de família pois sou um dos netos mais velhos. Pais e tios já se foram e, se eu não conto, morre o causo.



Semana que vem tem mais.



Boa semana a todos!! Saúde!!



E vamos em frente

quinta-feira, 16 de março de 2017

Romeu e Julieta




                        A emoção iniciou com a chuva que desabou na hora de sairmos pois o
Ben-Hur assim como qualquer outro diretor não permite entrada do
público após iniciado o espetáculo. Neste exato momento, desabou uma
tempestade que impedia que este lento sequelado chegasse ao carro na
garagem. Esperamos mais um pouco até que a chuva diminuísse o
suficiente para suportar uma corrida ate o carro e assim foi
feito:cheguei ensopado no automóvel e tive que me secar com uma toalha
pois parecia ter saído do banho mas tinha que dar certo, era último
dia da peça em Maringá e a vontade de ir ver era grande.
                         No caminho, a chuva pareceu melhorar mas estávamos protegidos e
chegamos bem ao teatro e em poucos minutos e secos estávamos sentados.
Procurei me acomodar o mais correto possível para suportar toda a
função eu imaginava que seria bem dolorida, mas fui em frente
confiando na determinação de ficar até o fim e de conseguir marcar
mais um ponto na minha recuperação.
                         De cara não reconheço atriz em cena que depois constatei ser a linda
Fernanda Sordi mulher do Ricardo Michels, dois queridos amigos, pais
da Angelina. A ação vai se desenrolando com os dois neófitos em cena
segurando a trama muito bem, como dois atores já veteranos, mais não!
eram Ricardo e Fernanda, aquele vocalista da banda de rock Kicking
Bullets onde tambem tocava meu filho Guga: vi nascer o kicking
ensaiando no quintal de casa , um gramado amplo e isolado onde eu
achava que o barulho não incomodava tanto os vizinhos mesmo assim num
ensolarado domingo de tarde fui acordado da minha sesta dominical com
um aviso: tem um guarda na porta querendo falar com o dono da casa e
lá fui eu algum vizinho reclamou do barulho e a lei veio averiguar,
bem eram quatro horas da tarde mas a desculpa foi que a vizinha estava
doente e precisava repousar, neste dia o ensaio acabou cedo por mais
que eu argumentasse e nem estava tão alto! o kicking arrepiando a
vizinhança, o rock imperando! abaixo o sono, agora é rock dancem nos
seus quartos yeah! muitos outros ensaios foram feitos no meu quintal
sem a presença da lei. Venho acompanhando o progresso dessa banda
também ate tive a honra de tocar num lual do kicking. Grande emoção
tocar junto com meu filho, sempre quis isso..mas isso é outra
história...Depois de duas horas de um espetáculo muito bem encenado, com cenário
bem produzido, iluminação bem colocada, produção musical correta, vale
destacar a Camila, filha do Ben Hur que faz sua estréia nos palcos
interpretando a filha do ilustre casal romântico. Uma aparição pequena
porem forte, marcante. Ben Hur na pele de Sheakspeare e do velho padre
convence, diverte e dá curso ao roteiro, atuação impecável como
sempre.
                          Claro que falar bem dos atores ate parece rasgação de seda, afinal são
amigos que acompanhamos o crescimento, amadurecimento profissional,
mas a parte disso somos publico, críticos e formadores de opinião que
avaliam que torcem por um sucesso sempre crescente sem protecionismo.
Direção correta de ben hur prado, o espetáculo diverte e intretem o
publico que sai com sensação de quero mais. Agora o corajoso benhur
leva o espetáculo para outras cidades do Parana, culminando com
temporada em São Paulo.
                          Ben Hur é desses desses personagens  necessários, 
com sua cultura, coragem e competência vão
carregando o teatro sempre mais longe. Força Ben Hur, os novos atores
Fernanda, Ricardo, Camila, em cena parecem tarimbados artistas de hoje.
Esperamos ansiosos a nova empreitada que temos certeza o irrequieto
Ben Hur já deve estar tramando.
                      Não pude deixar de fazer um paralelo com minha própria presença nos
palcos como ator da companhia Trianon. Trabalhei no Doente Imaginário de Moliere e no Inimigo do Povo de
Ibsen. Foram tempos de descobertas. Descobertas que conto de uma outra vez...

domingo, 5 de março de 2017

vou falar de carnaval


              
                                    Venho de uma família que não cultua o carnaval, era visto apenas como um feriado para dormir até tarde. Nos verões passados em Santos íamos pra avenida assistir ao desfile das escolas de samba e paquerar mais um pouco. No verão de 1969 Stella estava presente e foi ali que tudo começou, namoro que subiu a serra o que é raro por lá .
                                   Mas o melhor estava por vir . Me lembro de um carnaval passado em SJ do Rio Preto, no Automóvel Clube que fazia grandes acontecimentos, mas a entrada era muito pesada para o meu bolso de estudante em fim de férias. Ficamos eu e mais alguns duros na porta do clube vendo a chegada dos foliões, na chegada de bloco com umas 10 ou 12 pessoas , sem pensar acabei me misturando e entrando junto, lá dentro o baile corria solto e uma ex namorada de meu irmão mais velho achou de me dar um pega num canto do salão eu ali com a ex do meu irmão aos beijos e abraços. Nunca entendi o porque que dela me agarrar, se foi pra fazer ciúme não deu certo pois nunca contei aquilo ao meu irmão e no fim do baile eu era o mais feliz do carnaval! tinha entrado de graça e ficado aos beijos com a ex  do meu irmão..isso conta pontos extras a qualquer adolescente, ela ainda era mais velha que eu pelo menos um ano e meio e conta mais ponto. Nunca mais vi a moça nem soube nada dela, passou…só coisa de carnaval!
                              Outro carnaval com história foi passado no Anhembi Tenis Clube no Alto de Pinheiros. Éramos a atração das domingueiras dançantes do clube, eu, Sizão, Duda Neves e o Robertinho, um super time. Estava de paquera com a Zizi uma baixinha de cabelos na cintura que havia passado uma tintura loira no cabelo chamada rinsagem, que ficou toda no meu braço, no meio do baile caiu uma daquelas chuvas paulistas de curta duração mas muito grossa depois de um tempo o salão começou a alagar inviabilizando o baile. Fomos embora com água já pelo joelho e nada mais ocorreu além da roupa bem suja, estávamos na várzea do Rio Pinheiros onde até hoje alaga. A chuva nos rendeu boas histórias para contar depois. Um carnaval bem paulistano, enfim… mas bem divertido! 
                         Lembranças de coisas acontecidas quase 50 anos  atrás… que fazem o avanço da idade ser doce. Lembranças que nos remoçam, divertem e emocionam.Nos fazem estar prontos para viver mais coisas boas e interessantes.  
                         Bem gente depois dos festejos de momo em que eu tirei minha fantasia de Frankestein da cabeça vou continuar a vida.  No lugar do osso acrílico, mas to bonito ! Muitos projetos em andamento, ficar parado é muito ruim pois regride minhas aptidões. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O caso do Toninho


     O Toninho era um grande sujeito muito trabalhador e competente, era atendeste do ps da Santa Casa de SP, vinha para o plantão arrumadíssimo, bem maquiado, cheiroso e muito animado. Quando encontrava um grupo de acadêmicos novos sempre parava com seus comentários - Que menino lindo! É um Apolo com esses olhos verdes! Uma perdição! Tem namorada, ja? e o novato ficava ali querendo sumir até que um veterano o salvasse - Deixa o menino senão ele nunca mais vai voltar - Que nada ele é meio safadinho, deu pra ver no seu sorriso..conheço safados de longe e este é, posso apostar. Todos riam e corriam pras suas obrigações. Num domingo meio pachorrento após o intervalo Toninho chega esbaforido 
- Me ajudem por favor minha irmã está morrendo, uma cólica que a faz dobrar o espinhaço! Está aos gritos! 
- Traga aqui que nós examinamos e resolvemos - e lá foi ele buscar a irmã moribunda, ao chegar o chefe do plantão experiente já comanda:
- Chama a gineco que o caso é pra eles! e a irmã gemendo 
-  Ai vou morrer.." -  foi colocada num dos boxes e o chefe faz uma boa palpação abdominal e pergunta
 - De quanto tempo vc está ? 
- O que dr.?  
- Está gravida de quanto Rose?
- Nossa dr. Minha mãe me mata, nem namorado eu tenho, ainda sou virgem…
   Mas um exame foi feito e confirmado! - Chama a gineco rápido que está com total e não demora. Foi o tempo de chegar o residente da gineco para nascer a criança..linda, forte, saudável. Toninho desapareceu de fininho, voltou depois da ceia já com tudo acalmado. 
- Aí tio, bela cólica! Toninho murchou, mas depois veio comemorar o sobrinho.
             A moça teve um relacionamento que a fez engravidar e escondeu de toda família, ninguém suspeitou de nada, com roupas largas escolhidas com cuidado, a Rose disfarçou bem.
          A turma do PS feliz com a rápida solução  - Nossa que eficiência!
 - Ainda bem que não era vc com essas dores, né Toninho!?
 -  Ah eu saberia e correria atras do pai oras! 
          Assim se resolveu o pitoresco caso do Toninho 
 - Ai meu deus tenho que comprar o enxovalzinho, essa criança não tem o que vestir! bradava o exagerado Toninho!
                                         Todos do PS ajudaram no enxoval da criança que se chamou Márcio José e cresceu lindo e forte badalado pela turma e acadêmicos com a ajuda do zeloso tio.
                   Meus leitores podem se perguntar como esconder uma gestação e a família não perceber eu aqui mesmo em Maringá assisti casos como esse. Mesmo colocando o sonar pra ouvir os batimentos a família ainda tem dúvida e a gestante nega, nega e nega. Muitas famílias não têm o costume de se expor sem roupas e ninguém suspeita e se a gestante nega ninguem duvida dela. Me perguntava - poxa não vêm a barriga crescer? acho que é também uma negação daquilo que a assusta e nem quer pensar - " que não sei o que é" - e assim se vão os vômitos e enjoo, o sono, a indisposição. O cérebro nega tudo aquilo, a gestante suporta tudo com galhardia e determinação.  Normalmente estas gestações tem belos partos naturais, me lembro de um outro aqui no SAS do Santa Rita em que a gestante era criada pela avó, evangélica ferrenha e não acreditava em nada, entrava muda e saia calada das consultas, sempre com um olharzinho atônito! Mas no fim tudo se ajeitou, a vó babou pelo nenen e entre mortos e feridos salvaram-se todos. Os pais acabaram se casando e os atendi no filho seguinte, agora encomendado dentro dos conformes, com ciência da avó! 
               Coisas da profissão! Que saudade! Essas e outras situações que as pacientes pedem sigilo são geralmente difíceis de condizir, a família por perto estranhando a situação, mas o desejo da paciente deve sempre ser respeitado! Temos o dever de respeitar o desejo da paciente.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Cenário musical dos anos 1980 em Maringá





         Cheguei em Maringá em julho de 1981 vindo de Sampa. Lá eu praticamente só tocava bandolim e pouco violão, nada de rock. Aqui chegando fui ver os points de música o vivo e identifiquei a lanchonete Império que apresentava o Geraldinho do cavaco com o Wagner na percussão e voz, além do violonista Toninho Sapateiro, a boite Kalahari apresentava o Boi num espaço e seu irmão Bal noutro. Algumas vezes peguei emprestado o baixo do meu amigo Roberto Peralto e lá ia eu me juntar  ao Bal, ao Lélio e um baterista para fazer a noite algumas vezes Stella me acompanhou, mas esse local iniciava após 23:00h e se estendia até 2, ou 3 da manhã. 
        Fui convidado por alguém que não me lembro para tocar uma homenagem ao Noel Rosa no auditório da biblioteca pública ao lado do correio apenas eu e meu violão, logo quando cheguei observei um garoto alto e bem magrinho com um estojo de pandeiro nas mãos que veio logo conversar comigo desse jeito conheci o Pézinho batuqueiro, convidei-o para tocar comigo e lá fomos nós para o palco assim nascia uma grande amizade que se estende até hoje.       
         Havia também  o Chaplin bar, na Av. Herval dos irmãos Julio e Jorge. Foi, talvez o embrião do Car Wash choperia, um bar pequeno com um palco no canto onde sempre havia boa música brasileira num espaço muito aconchegante.   Festas dos colegas médicos, o Geraldinho do cavaco era sempre chamado para abrilhantar a noite e muitas vezes nos juntávamos e fazíamos a noite juntos. 
         O Sukiaki House na Av. Brasil também apresentava música ao vivo, o Rosalino, grande cantor da região estava sempre por ali , me lembro de uma noite acompanhados do Dr. Robson acabamos sentados na calçada acompanhando o Rosalino que cantou de tudo ali comigo. A parceria foi muito boa e o Rosalino pode cantar fragmentos dos standarts americanos que ele gostava tanto. Imaginem a cena ali na Av. Brasil 3 homens sentados na calçada tocando e cantando e o Rosalino desfilando sua prodigiosa garganta! Deus o tenha com carinho Rosalino.
         Com o rock no Seis e Meia do Hellington acabei conhecendo a moçada do rock, e fizemos uma formação o Be baterista, sumido, o cantor Júnior, e acabamos fazendo um bom ruído.
         Lá no Chicken In, chamado pela moçada de Balaio de Frango, também promoveu algumas noites de rock com minha presença. O barulho era bem grande. Tem uns caras que confundem rock com música alta, muito longe disso! Mas esses caras vão acabar aprendendo, volume de som não interfere na qualidade muitas vezes atrapalha. 
         As festas em Maringá eram sempre muito animadas, fui chamado a tocar em muitas delas, bom churrasco e música,a gritaria do truco só atrapalhava a música mas os truqueiros gostam de gritar mais alto que tudo. Não gostava de tocar nestas festas onde havia muita gritaria e bebedeira, não combina com musica mas algumas vezes era impossível evitar.
             Segui tocando aqui e ali até começar a fazer parte da Receita do Samba no final da década de 1980 e depois partindo para carreira solo e com A Válvula, com Stone, Lu barriga e eu, desde os tempos do Tribu's onde A Válvula começou e  ficou conhecida dos rockeiros da cidade. Hoje existem outras boas opções, com destaque para a Casa de Bamba e o Varanda, lugares de boa música brasileira instrumental ao vivo   



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Car Wash







                                          Vejo com profundo pesar os comentários abordando o fechamento do Car Wash Chopperia. Estou em Maringá desde 1981 e fui um freqüentador assíduo, desde quando ainda lavavam carros, ocupando apenas o "bico" do terreno. Ali tudo começou, primeiro ofereciam um lugar com certo conforto para os proprietários dos automóveis, depois passaram a ter uma bebidinha, uma comidinha e assim nasceu o bar.         
                         Maringá mudou muito desde então, cresceu, se sofisticou, chegou mais perto dos grandes centros e o Car Wash acompanhou, se atualizou, participou dessas mudanças, mas seu cerne permaneceu, por isso permanceu na liderança da noite por tanto tempo.  Vivi ali bons momentos musicais.
                         Era um lugar onde vc sempre encontraria gente bonita, ótima música e além de um serviço de bar muito caprichado. Era um lugar com musica ao vivo que mantinha alto o padrão dos músicos que ali se apresentavam. No começo era o Mizael e o Cascavel que mostravam o melhor da MPB todas as noites, era um local que mudava o músico a cada semana. Fiquei muito satisfeito quando fui chamado para me apresentar, me esmerei no repertório e fui com o Beto Batera que era fixo da casa e o baixista Machado. Eu sempre gostei de rock e ali também interpretei muitos deles. O Jorge, sempre preocupado com o barulho, não querendo incomodar as conversas entre amigos, ficava fazendo cara feia e abaixando o som, cujo comando ficava próximo do caixa, mesmo assim toquei meus blues  e os freqüentadores mandavam muitos pedidos para este tipo de música, com isso Jorge foi entendendo que seus clientes aprovavam o repertório e até que comprou alguns cds do gênero para o som ambiente. Fui convidado para tocar este estilo na área contígua ao bar, onde hoje é a pizzaria, fazia meu som nas terças feiras e convidava os amigos rockeiros para  tocar comigo. Fizemos um bom barulho ali, sem me preocupar mais com a altura da música. Tinha liberdade pra chamar pessoas pra uma canjinha, brincarmos de desafio musical. Luciano Barriga foi meu parceiro por muito tempo também. Varios "estrangeiros" também se apresentaram naqueles palcos, acompanhei alguns, fiquei de espectador em outros. Muitas feras…
                       Enfim é triste ver que esse bar está prestes a encerrar suas atividades, o choppe sempre bem tirado e servido muito rápido pelos céleres garçons, Paulo, Valdir e outros que não permitiam que a bebida esquentasse. Mas as comidas eram, também especiais com destaque para o kibe, o carpaccio que era meu preferido nos fins de noite e que eu trazia para casa, os rissoles deliciosos que vinham sempre muito quentes, queimando algumas vezes a boca deste apressado. Quase sempre me esquecendo de levar os pratos de volta e o Jorge dando broncas. Não tenho mais pratos do Car Wash, se tivesse seriam uma boa recordação, juntava-os em casa e devolvia, para alívio deles.
                      Enfim era um bar onde eu me sentia em casa. Médicos e outros prfissionais costumavam fazer ali seu happy hour, quando os colegas saiam do consultório passavam devagar pela praça esticando a cabeça para identificar as mesas se formando e sempre havia alguém da área chegando também. Esse happy hour se estendia até o inicio das atividades musicais e se juntava ao pessoal chegando pra noite…
                      O nome Car Wash vai se juntar aos clássicos bares brasileiros como a lendária boate Mustache, Bar Brahma, Jogral, Bar do Juarez, e outras tantas que fazem e fizeram a alegria de tantos freqüentadores.

                    

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

2017



                                                Chegou 2017 !  Em que pesem as críticas justificadas que esse negócio de ano novo serve bem para o comércio e para ferrar o peru. Eu com minha ingenuidade e alma de criança que acredita em fadas e papai noel sem dúvida que pelo sim e pelo não pulei três vezes na perna direita, fiz planos…. Sem dúvida é um novo ciclo que começa e a maioria de nós e eu incluído fazemos planos e planejamos ano novo melhor , 
                                    Bem fala o meu Fernando com seu pragmatismo gringo..se vc faz tudo sempre igual não pode esperar resultado diferente. Então preciso mudar é a minha rotina e ser novo de pensamentos e idéias e (mais difícil), de sentir as coisas de um jeito diferente e aí virão coisas novas e atitudes novas é aí que eu emperro! como sentir as coisas de um jeito diferente se eu ainda não aprendi ver as coisas com este corpo, com estas limitações! Que ainda tenho o Celsão inteiro muito real e próximo e me socorro dele quase sempre!  Será trabalhoso mudar a maneira de sentir e pensar enfim não sei como seria pois ainda não consegui, apesar de precisar agir assim e que será este ano que farei isso! 
                           Bem as vezes penso que pensar tem muito de genético isto é este indivíduo pensa assim e  precisa aprender a pensar de outro muitas vezes fico procurando clarear uma musica e chego a um lugar onde não consigo prosseguir depois de um tempo volto naquela mesma música e no mesmo lugar eu empaco, poxa passou tempo cresci musicalmente  porque paro no mesmo lugar? dificuldade "física" de clarear certa passagem ?  penso que sim pois os gênios e virtuoses fazem com facilidade algo que muitos não conseguiram. Jung dizia ainda que podemos até mudar o nosso passado,com a análise e o auto conhecimento essa idéia do Jung não e´assim fácil e direta, é preciso acessar aqueles tempos entender tudo e então aceitar o passado, coisa de anos de psicanálise Junguiana mas é nesta linha meio confusa mas possível por isso tem tanta gente fazendo análise …eu mesmo fiz algum tempo com o saudoso Eduardo Canever. Acho que todo médico deveria fazer psicanálise pra entender melhor seus pacientes. Essa experiência com o Canever me possibilitou aprofundar no relacionamento com minhas pacientes como era meu jeito de cuidar. Ele me faria muito bem pós AVC. Não tive infância pobre e muito menos medíocre mas a análise me serviu para me  aprofundar no auto- conhecimento   e poder me relacionar com minhas pacientes com método e  principalmente  de uma maneira terapêutica. 
                          Enfim vejam como o ano novo trouxe novos ares o blog do Celsão indo fundo…! no psicológico abordando temas áridos que me acendeu a saudade do Canever, grande sujeito, pianista de jazz. Construímos uma grande relação.
                           2017 de vida nova! o ano chega mesmo é no cheque que preenchemos com o 2016 e rasuramos pra 2017, faço muito isso até que já escrevi 2017 em vários em branco! Como estou antigo falando de pagar com cheque ainda nos anos 60 falando em cheque, meu! - não aceitamos mais cheques só cartão ou espécie! - pois é gente chegou o ano novo vida nova pensamento novo! Tenho coisas para fazer este ano viajar (é plano antigo) é o que me salta na cabeça. Vou viajar e fazer uma avaliação das dificuldades de um limitado, aprofundar nisso. Mudar hábitos, conceitos, preconceitos. Gostávamos de chegar numa cidade nova e sair nos virando. Em Valência andamos umas boas 8 quadras pelo centro puxando as malas e olhando tudo! que outra oportunidade teríamos de fazer isso, vendo o comércio, sentindo o cheiro da cidade, olhando o comércio fora dos shopping e áreas pra turista como  gostamos. Depois no hotel descansamos da empreitada mas com o espírito lotado de novidades é assim que gostamos de fazer e está certo que faremos diferente, com menos improviso e menos caminhadas! uma pena porque vemos coisas andando a pé que dentro de um taxi nunca veríamos. Sempre nos deslocamos de metrô e a pé, adoramos esse desafio de fazer como os locais, mas isso vai mudar, ano novo, novo eu! Assim que deverá ser.
                        Gustavo e Fernando estão agora indo de Los Angeles para Miami de carro, 4600km atravessando os EUA. Viva a internet que nos possibilita viajarmos juntos vendo as paisagens, a neve, o pequeno cannion de Sedona no Arizona, lindo! montanhas com o pico nevado espetacular e diferente das nossas paisagens, cidades de filmes, de recantos de farwest, deserto do Arizona, estamos viajando juntos fotos e conversas freqüentes, estão bem agasalhados? já comeram? está 2 graus bem friozinho, tudo se ajeita com o aquecimento do carro! ainda faltam 2000 km para chegarem. Mais emoções e belezas dessa viajem espetacular, nos arredores de Dallas,Texas cruzaram muitos km de campos de petróleo. Emoções como comer um lanche naquelas lanchonetes de madeira no meio do nada onde uma sexagenária descalça dança sozinha ao som de uma juke box observada por alguns rancheiros que tomam seus drinks, só falta serem atacados pelos apaches…ou comanches mas aí se ouvirá "aiow silver" e o Roy Roger aparecerá para acomodar a situação. 
                           Bem gente então é isso. O ano chegou e a vida continua vou me preparar para minha personal training e caminhar na rua, agora está sol e temperatura amena! 
                           Boa semana a todos e feliz ano de 2017 saúde! Beijos do Celsão que semana que vem tem história de PS/Santa Casa! Aguardem