sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Celsão e a música



    


      Estou com saudades de tocar. O palco. A expectativa da entrada. A escolha do repertório. O público. A reação. Gostam, não gostam. Dançam, cantam?
        Estava pensando no violão e resolvi contar essa história, já disse que nunca me considerei violonista, pois nunca investi em técnica, pois achava que o ouvido e o swing eram suficientes, hoje vejo que estava errado, me falta técnica, e teoria musical teria me ajudado muito, até que tentei mas não tive paciência para continuar e o que eu sou mesmo é um grande animador de roda de música, nisso sou único, conheço muita música, se alguém sai cantando e não conheço, o que é difícil, vou no ouvido e a coisa acaba saindo. Quando tocava nos barzinhos gostava de adivinhar o gosto das pessoas e tocar musicas para elas pelo estilo, roupas, atitudes tocava esta ou aquela e normalmente acertava, tinha também algumas paradas de sucesso que mexiam com a assistência, meu sonho era tocar e o povo sair dançando..já consegui isso no começo da carreira no Saloon com o Receita de Samba, apesar se ser do samba eu cantava uns boleros que enchiam a pista além do meu hit “O peixe” do Juan Luis Guerra, que também era matador.
          É um prazer tocar para pista cheia que reage ao seu swing e sua interpretação quando entrei na faculdade de medicina, fui chamado primeiro na PUC de Sorocaba, fiquei duas semanas lá até ser chamado na Santa Casa. O trote lá na PUC era tenebroso então quando entrei havia a comissão antitrote, fiquei uns dias na casa de um amigo do ginásio que era dessa comissão e o que eles faziam era trocar de calouro, cada república trocava com outra para haver integração. A que eu fiquei era num prédio com várias numa das repúblicas e tinha um violão, eu comecei a tocar e em pouco tempo apareceu um monte de gente cantando e eu no meio de todo, o calouro comandando a roda, dali há pouco veio zelador e síndico e mandaram parar o barulho, fomos todo pra quadra de esportes ao lado do hospital, todos se sentaram no chão em roda e o calouro no centro comandando, eu tocava todos os sucessos do rádio e foi aquele coral! estávamos ao lado do hospital e em pouco tempo apareceu a polícia mandando parar o barulho. Dali pra frente eu era um calouro com moral, o que tocava violão. Acabou aquele negócio de medir a quadra com palito e gritaria no me ouvido. Eu só era raptado para ir tocar nas repúblicas, mas com direito a almoço e sem agressividade lembro que tinha um violonista clássico que não conseguia tocar samba, então ele me pegava e pedia pra tocar samba e ficava olhando minhas mãos, batida de samba não se escreve pois os tempos são meio aleatórios e o samba não se aprende na escola, já disseram.. e ficávamos ali tocando ele ficava ansioso, pegava o violão e fazia uma escala belíssima e com uma sonoridade perfeita, me devolvia o instrumento e dizia toca mais um pouco e ali ficávamos alternando nossos estilos eu fascinado com sua técnica e ele com meu swing inato.   
           A música me abriu muitas portas, sou grato a ela, me fez conhecer muita gente e muitos lugares.     Realmente é muito chato ficar sem tocar meus instrumentos, muitas vezes ponho o violão contra o peito e fico ali quieto sem tirar som só abraçado ao meu amigão. Devo voltar a me relacionar com ele no futuro, espero... porque não?  BB King e outros foram até bem mais que 80 anos posso muito bem chegar lá . Também estou bem de saúde e de espírito. Deus há de me ajudar e eu também farei o possível: me afastar das drogas, isto é continuar sem tocar músicas sertanejas e axé, rsrsrsrsrsrsrsrs, ter pensamento e atitude positiva o que é bem difícil mas possível, viver com amor no coração, ser bom, viver para o bem. Engraçado são coisas que eu sempre fiz, por toda a vida nunca entenderei o porque deste AVC, sem fumar sem ter pressão alta, o tenis e a música para tirar o stresse...
           No tempo do AVC estava bem feliz com minha vida então às vezes me parece que estes eventos são inexoráveis, podem ser adiados não evitados....as vezes fico preocupado mas tenho muitos desafios: voltar tocar violão,  conhecer o mundo, ver este país ser o que pode! o tricolor tricampeão mundial! (este o mais difícil) e juntar a família toda nos almoços de domingo comigo de mestre cuca, com os netos puxando minha calça e correndo pela casa.
         Ouvir música me dá um enorme prazer, mas poder tocar é mágico.  
            

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Então...



        

                  Pois é gente e o meu AVC já vai completar 2 anos de acidente. Muita coisa já deixei prá trás mas ainda tenho um longo caminho pela frente, houve um bom progresso que me faculta andar sozinho e sem bengala, neste particular o que me empata é o medo de cair, que nestes dias está muito acentuado e paralisante, eu mesmo sei o discurso - tem que confiar, - quem não arrisca não petisca.. mas não me convence a sair andando sozinho, me atrapalha pois poderia fazer muito mais coisas que faço hoje, mas faço minha parte, meus treinos, minhas caminhadas mas não me sinto capaz de sair pela rua sem bengala e sem companhia! posso ir ao clube mas me vejo paralisado, sem coragem. Triste constatar isso mas é verdade, sou eu, me perdoem a fraqueza. Vou com luta e trabalho superar isso e sair por aí a caminhar e ver o mundo passar, quem sabe esperar a lama de Mariana baixar, o terror sumir e a vida entrar nos eixos. Não fazemos parte daquela bacia então seremos poupados, mas a mancha está aí, a lama que afoga o rio, que aterra o mar. É lama de mineradora, contaminada com metais pesados usados em processos de purificação de metais, muito tóxicos à vida.  Que coisa, que incompetência! Com os atentados em Paris a mídia esqueceu um pouco essa tragédia tão grave. Mas o Brasil é assim. Nós somos assim, de ficar assistindo sem mostrar nossa indignação.  Achamos que antes de tudo precisamos tratar do nosso dia a dia. Vender o almoço pra comprar o jantar. Otimismo? Apatia? Ignorancia?
           Veja o que o ministro da justiça disse: - “O Brasil tem condições de sediar uma olimpíada segura e organizada" (chamada na UOL : especialistas apontam falhas na segurança rio/2016! é mole?), nem teve a humildade de falar que depois dos últimos acontecimentos na França estaria revendo e melhorando a organização dos nossos jogos, segurança dos atletas e turistas. A tragédia olímpica já aconteceu nos gabinetes e concorrências, e está camuflada e escondida do grande público. Depois a brasileirada torce contra, vaia a presidente na abertura e todos ficam ofendidos. Ué?? Por quê? Só pelos 0,20 centavos? Ou pelas filas do SUS, pelos buracos das estradas, pelos mortos em assaltos e pela lamas. Lama do petrolão, domensalão e do nosso rio que era Doce. E o povo assiste pacífico!
  As vezes melhor outras pior, eu e o mundo!
    

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Vem chegando o natal






                  Então gente está chegando o natal e a perspectiva de juntar a família outra vez, com a vinda do Fernando para as festas de fim de ano e meu segundo aniversário do ano, o dia do AVC quando nasci de novo 27/12. Agora comemoro 2 nascimentos, o do meu nascimento 22/08 e o proporcionado, como tudo em minha vida pelo meu pai celeste, pelo caprichoso AVC, que me permitiu viver com qualidade apesar de parecer bem feio nos primeiros dias e exames. Nenhum médico prognosticava nada, aquele papo de vamos esperar sair do coma para ver a extensão, isto dito pra Stella e meus filhos, imaginem o clima! hoje até uma das  minhas terapeutas disse - povo exagerado, dizem que ele passou muito mal está tão bem! - mas lembro aos leitores que eu não sustentava a cabeça nem o tórax, quando sentado caia para o lado,para tomar banho era amarrado na cadeira. Hoje tudo mudou, depois de muita luta e perseverança com meu exército de apoio com o generalato da família e de dona Stella.
                  Tenho convite do irmão e dos primos para as festas na praia, litoral norte de SP, a idéia é tentadora pois a festa será boa com a reunião da barretada com certeza mas a estrada não entusiasma , ficar 8 ou 10h sentado me quebra a bunda, inviabiliza total. Para andar mais 180km até Ubatuba/Maresias, onde a parentada fica, a estrada é praticamente parada nem dá pra sair de casa. Tô fora! não anda, tudo cheio e difícil. Estou programando descer mas iremos fora de temporada e de grandes feriados, sou aposentado, posso ir em qualquer época sem muvuca e confusão.
                     Dona Stella voltou feliz de Los Angeles e cheia de novidades, o filhinho está bem! gostou muito e aprendeu sobre Los Angeles, cidade bem particular e com o por do sol mais lindo de todos já vistos, o momento mágico da cidade, todos param para ver, até os taxistas. Tomou susto na universal estúdios como boa turista e adorou! Só faltou deixar suas pegadas na calçada da fama.
                    Estava muito bem cuidado pelos filhos Guilherme e Guga que estavam sempre presentes dando carinho, atenção e mimo mas estava com saudades dela a casa vazia e a cama grande. A vida já voltou ao normal hoje muito o que fazer. A novidade é que logo vou ter aulas de pintura... com minha paciente Adriana Yunes, mãe do Paulo José, guitarrista de mão cheia. Disseram que artes é bom para o hemisfério esquerdo, então, vamos lá! Se disserem que na lua recupera mais rápido a família dá um jeito de me enviar. Esse povo me dá muita força e exige também isso me põe adiante enfim, as vezes cansa, aí mando a Stella viajar e depois ela volta e toda a disposição tambem! Ano que vem vou junto então melhor!! Preciso estar bom,nem eu quero ir se não estiver bem.  12h em poltrona de avião é torturante mas tenho que encarar, andar um monte na conexão em São Paulo, Atlanta ou outro aeroporto, escadas rolantes, filas,isso tudo é dificuldade para mim então tenho que estar mais espertinho para ir. Dona Stella não dá conta  de duas malas grandes! Uma tem que ter pezinhos que andem bem!
         Então é isso gente, assim que tiver algum desenho, ponho “a fotinha” aqui.  Beijos a todos.
 





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

MAIS UM POST DA SENSACIONAL SÉRIE DIDÁTICA CELSÃO TAMBÉM É CULTURA: CONHEÇA O AVC POR DENTRO A BEXIGA NEUROGÊNICA



       A natureza desenvolveu a bexiga para os animais que as tem poderem se aliviar de seus dejetos quando conveniente, os machos para marcar território e, ao contrário, as fêmeas, os escondem ao máximo para que os machos não as identifiquem e as persigam e, caso tenham crias, matarem-nas para que parem de amamentar, se forem mamíferos, e cuidar delas e voltem a ter cio para assim cruzarem com estes machos para então gestarem crias com sua genética. É assim com ursos e alguns grandes felinos como leões, leopardos, tigres, etc.

       A bexiga neurogênica acontece em algumas entidades neurológicas assim como no meu AVC, quando a vontade deixa de comandá-la e ela funciona com comando da coluna vertebral, isto é, sem controle da vontade, esperem um pouco que já volto..., está cheia, esvazia.

       Tive nos últimos 2 dias 3 episódios desse, muita vontade de urinar e ao chegar ao lado do vaso, sinto a urina descer sem controle. É uma humilhação urinar nas calças! Aí entra no banho, põe tudo para lavar, uma chatisse. No sábado nem fui ao samba do mercadão com medo: imagina eu ter um episódio desses fora de casa!, vou fazer um buraco e entrar dentro, em casa já é humilhante, quem dirá em lugar público.

       Apesar do medo, domingo saí para almoçar e não houve nenhum fiasco, comi e bebi muito bem, um super bacalhau do Armazém Português, como eu desejava, porém sentados no Alamanda Bistrô, que é ao lado do Armazém.

       Como sou cliente VIP e para não esperar em pé até vagar uma mesa, me acomodaram no bistrô, que tinha um lugar naquele momento, mas comi do Armazém.

       O bacalhau do Armazém Português foi como eu desejava acompanhado de um sensacional vinho branco escolhido pelo Serginho, o atencioso gerente do Alamanda Bistrô. O vinho harmonizou super bem com o peixe.

        Cheguei e presenciei um ótimo ambiente entre os vizinhos, que se ajudam e se esmeram em servir bem os seus clientes. Um prazer de almoçar ali e de vivenciar esse ambiente de almoço familiar. Ainda pretendo voltar ao Bistrô e experimentar suas delícias, que me pareciam ser muitas, ao ver pelo seu cardápio variado e de dar água na boca. Voltarei assim que a Dona Stella chegar, que será na próxima sexta à tarde.

       Valeu gente! Depois deste post vou perder muita carona...pelo medo de eu urinar no carro, mas também não é assim dá para se precaver.                                                                                                                                                                                                                                

P.S.: já era tempo de a Dona Stella voltar, mas ela precisava descansar a cabeça e da rotina do marido limitado, deve ter feito isso, agora mais um tempo de rotina e voltamos em abril/maio, aí eu vou junto.