quinta-feira, 28 de julho de 2016

minha vida pós AVC esta semana




                                                                         
                          Semana que marcou pela minha falta de disposição pensei só vou fazer o que me der prazer e bem estar fiquei um pouco sem paciência com o passo de formiguinha da fisioterapia queria algo mais imediato visível, sei que não existe mas fiquei uns dias meio abatido, corroborado por um analgésico opiáceo com os quais não me acerto, noites mal dormidas.. com tudo isso me dei uns dias de folga: ver tv e dormir sem culpa..mas não dá, precisava levantar e tocar a vida! Cada movimento novo deve ser aprendido então imagine pra andar bem, correr "dis costas", cantar 30 músicas.. vai levar anos de trabalho. Já estou a quase três nessa e melhorei muito para alguém que tinha prognóstico de não sair da cama. Fui bem longe, e procuro mirar bem mais longe pra acertar coisas normais, quero correr em volta do parque o que nunca fiz antes do avc, mas quero fazer agora, depois. Vou dar festa em comemoração neste dia!   
                  Vou fazer uma aplicação bloqueadora da dor e da coceira  no nervo pudendo (que me causa uma coceira insana na região pudenda é gente, "nas parte"), acho que uma parte do meu incomodo vai parar. Outra dor bem chata é causada pela fraqueza dos músculos posteriores da coxa que se inserem na tuberosidade isquiática isto é onde sentamos, na frente desse osso da nádega onde sentamos. Normalmente sentamos distribuindo o peso entre o osso e os tendões dos músculos da coxais que em mim estão mais fracos pela atrofia causada pelo avc, tenho feito fortalecimento muscular mas que ainda me causa dor ao sentar e atualmente também andar e ficar em pé  
                  Todos sabem, mas vou repetir com conhecimento de causa, a inatividade gera inatividade e muito pior, faz muito mal pra auto estima, me esforcei e voltei com a Fabiana fisio e fiz todos os exercícios solicitados, voltei pra casa muito mais leve e confiante,  feliz por ter feito, hoje ainda tenho uma preguicinha mas administrável, até fui no ensaio do Plantão Musical na sociedade médica, onde tive preparação vocal pra cantar minha música no nosso show no começo de outubro, que vcs ficam sabendo em primeira mão. O ritmo está ainda meio falho mas atribuído ao fato de que frases devem ser cantadas em concordância com a respiração, se vc corre e acaba a frase muito cedo, corre um pouco na letra para dar certo.. enfim precisa ensaiar e automatizar a dicção com o movimento respiratório. Constatei feliz que a afinação está aceitável, as vezes claudica mas está bem aceitável, agora tenho que cantar a música duzentas vezes antes de me assanhar com microfones e palco o que me era natural e intuitivo, hoje carece de muito treino para automação e ajuste da velocidade de falar as palavras, respirar e manter o ritmo. Dito assim vê-se que não é tão fácil em passar meus dias. Acertando isso também notei que estou de fôlego curto não tenho conseguido falar as frases então corro e falo de soquinho sem respirar muito, até na conversa, estou com a respiração desmesurada, o que me faz correr para acertar tudo. Tenho muito que fazer não,amigos…??
                     Bem gente este é meu momento atual, feliz com o que conquistei e consciente do longo caminho que tenho a percorrer mas com ajuda e todos da família chego lá, sou novo ainda…estou confiante na aplicação de segunda, depois conto. 
                     Pois é gente a vida é feita de dia/dia, tijolo por tijolo e coitado dos apressados, vão se frustrar muitas vezes, montar a vida com boas escolhas, qualidade e serenidade são fundamentais, mas a atualidade está sem paciência e quer tudo pra já. O computador e as redes sociais dão a falsa impressão de que as coisas são imediatas "sqn"… Vamos com foco e tranqüilidade construir nosso caminho. 
                     Beijos a todos e até a próxima semana! 



    

quinta-feira, 21 de julho de 2016

anestesia




                                     Escrevo-lhes parte da história da medicina a guisa de curiosidade, por episódio muito interessante da nossa história, onde o acasos a perspicácia de quem o o interpretou acabou mais uma vez auxiliando na tomada de novos rumos na historia da medicina, vide a descoberta da penicilina,
quando em 1928 Alexander Fleming estudando substâncias capazes de combater bactérias esqueceu o material de estudo  sobre a mesa quando saia de férias ao voltar viu que as culturas de staphilo cocus aureus estavam contaminadas pelo mofo e ao redor destes se formava-se  um halo claro sugerindo que o mofo produzia alguma substância capaz de inibir o crescimento substância que inibia o crescimento das bactérias depois, estudando estas substâncias , chegou ao desenvolvimento da penicilina.
                                    No século XIX o cirurgião dentista Horace Wells tinha na dor dos tratamentos seu maior inimigo e vinha pesquisando possibilidades de anestesiar seus pacientes. O ópio era usado como analgesico e para funcionar como anestésico a dose deveria ser muito alta o que amedrontava os médicos em usá-lo. Alguns goles de bebida alcoólica era também usada sem sucesso. A coisa era mesmo um verdadeiro show de horrores com gritos, gente amarrada e segura por assistentes corajosos. 
                                  Era comum naquele tempo circos com shows de gás hilariante, o óxido nitroso ou protóxido de azoto, as pessoas pagavam 25 centavos para inalar o composto e ficar no palco rindo e fazendo maluquices e a platéia assistindo encorajando essas sandices, gente  dançando, pulando cambalhotas..  Certa noite nosso dentista se acomodou ao lado da mulher para presenciar o espetáculo quando viu um conhecido seu dando cambalhotas e bater distraidamente sua canela na ponta angulada de uma cadeira. O dentista logo pensou isso dói muito, mas o homem pareceu nem se incomodar e continuou sua performance.
                                 Ao acabar a função aproximou-se do conhecido e lhe perguntou sobre a lesão.  - Qual?  - Essa na sua canela respondeu o dentista. - Nem notei e foi passar a mão na calça banhada de sangue. Com a calça erguida era via-se o talho extenso e profundo. Só seria possível suportar a dor se o indivíduo enfim estivesse anestesiado. Horace Wells não dormiu naquela noite conjecturando e marcou experiência nele mesmo na manhã seguinte. Iniciou inalando o gás até quase até a inconsciência e depois teve seu molar extraído pelo seu assistente sem esboçar nenhum sofrimento. Nas semanas que se seguiram fez alguns tratamentos indolores, sem um gemido sequer. Assim foi aprendendo usar o gás hilariante como anestésico, ainda  empiricamente sem conhecimento dos perigos, transitando perigosamente entre a vida e a morte por asfixia, intoxicação e superdosagem. O protóxido é usado até hoje em anestesias inalatórias em associação com outros compostos.
                                 A medicina, como outras ciências teve seus momentos obscuros, como o tratamento de dores na coluna que consistia em fazer queimaduras a ferro em brasa da nuca até a nádega, tratamentos tão cruéis quanto inúteis, além da crendice dos cirurgiões que o peritonio não podia ser aberto, que depois sobrevinham peritonites gravíssimas seguidas de morte, também com os conceitos de higiene da época não poderia ser diferente. As peritonites principalmente em ferimentos de combate eram quase sempre fatais.  Bons anos se passaram até o maior conhecimento da microbiologia que determinou sérias mudanças nas condutas médicas e cirúrgicas. A medicina e mormente a cirurgia evoluiu lentamente e os dias de hoje "estas informações e outras mais" constam do espetacular livro : "O século dos cirurgiões" de Jurgen Thorwald que eu recomendo efusivamente. Todo médico e profissional da saúde devia tê-lo na estante ler e reler de tempos em tempos.
                                  Hoje em dia vemos as pessoas fazerem cirurgias por motivos fúteis, e sem esgotar todas as possibilidades terapeuticas não invasivas antes de optar pelo tratamento cirúrgico. Hoje se começa pela cirurgia e depois se busca o tratamento clínico. Inversão de valores mas são os modismos costumes da época o imediatismo , a fantasia de se retirar a doença com as mãos acabam somadas nesta tendência atual de se operar tudo rapidamente. 
                                 Enfim é o que se constata,não é?     

quinta-feira, 14 de julho de 2016

eu e a medicina


   O frio nos acarreta alterações! Comemos mais e comidas mais calóricas pra aumentar o panículo adiposo que isola nos do frio isso tudo é fisiológico em nosso organismo. Época de emagrecer é o verão,
                               Maravilha, é a medicina me a me dando chance de me aprofundar no estudo do organismo mais perfeito do universo tudo isso. Deus nos fez a sua imagem e semelhança e caprichou mesmo na sua obra.
                               Assisti ao filme (do livro do mesmo nome, O Fisitian, médico em inglês, mas aqui mal traduzido para O Físico) , me atiçou o orgulho de ser médico. Nosso conhecimento uma dádiva, nossa profissão abençoada, minha especialidade linda , a única que atende dois indivíduos diferentes em situações distintas de uma só vez: que vc faz com um afeta o outros assim por diante tem que saber muito! e gostar muito! mas mais lindo de tudo é participar do momento da chegada de um novo ser: mais um filho, outro neto ! participar deste momento de pura felicidade é um privilégio que a medicina me proporcionou. ser tratado como da família
                              Saber que fiz bem a minha parte é motivo de orgulho para mim e também para meu pai que não esta mais entre nós mas onde ele estiver acompanha o filho na sua trajetória na medicina do filho que era motivo de  orgulho.  Eu já estava no quinto ano  conseguia um dinheirinho dando plantões e substituindo colegas em ambulatórios e meu pai satisfeito me fazia gastar tudo de uma vez…estou lembrando e dividindo com vcs. Assim era meu pai, sempre vibrando com as conquistas dos filhos. Foi cedo como eu gostaria de passar uma tarde com ele atualmente, compartilhar sua bondade e confiança na família que era  seu maior orgulho adorava ser um Pereira Barretto puro como ele dizia, transmitiu para os filhos esse mesmo sentimento, quatrocentão na São Paulo dos anos 30 e 40  isso era importante e o crack do café  acabou com a fazenda de café do interior de SP, onde por muitos anos viveu minha família. 
                          Cresci escutando histórias de Luiz Pereira Barretto, o gênio da família ele realmente foi muito importante em seus estudos de moléstias tropicais numa de suas viagens para a Amazônia conheceu o guaraná e o trouxe para o sul, durante muitos anos no rótulo do guaraná Antártica aparecia: fórmula do dr. Luiz Pereira Barretto além disso trouxe a uva para o Brasil pois o imigrante italiano só se fixaria ao novo país se o acompanhasse o vinho; tratou ele de trazer as uvas para a região de Valinhos / Jundiaí e lá começou a cultura da uva no Brasil. Além disso participou com Vital Brasil e Carlos Chagas no estudo da febre amarela que grassava na região sudeste. Conta-se que para provar que a febre amarela não era transmitida pelas emanações do paciente chegou a dormir no leito de um paciente recém morto pela doença e ainda ingerir pílula feita do vomito deste, acabaram provando a responsabilidade do vetor na transmissão da enfermidade que é o mesmo mesmo  aedes egypti desde aquele tempo nos atrapalhando a  saúde houve um tempo em que se considerava erradicado o aedes e consequentemente a doença mas agora o mosquito voltou com força total todos   sabemos o resto da história.
                          Agora me apercebi de onde vem meu interesse de estudar medicina: pressão silenciosa da família pois  nunca ouvi meus pais me obrigando nem mesmo sugerindo que seguisse a profissão. Enfim achei minha vocação, repito o que já disse no blog anteriormente apesar da paixão e da facilidade pela música nunca pensei em torná-la minha profissão. A música ficou no lugar certo na minha vida, um hobby bem sério, nada mais que isso. E nem me considero bom o bastante para ser músico de profissão como instrumentista e intérprete sou comum, nada extraordinário ainda mais aos 19 anos muito menos capaz que atualmente. Mas nem se pudesse voltar atrás não iria viver de música, achei meu lugar como médico, adoro minha profissão, sofro por ser obrigado a ficar longe dela excetuando nas palestras e reuniões com gestantes que me torno médico onde viro médico novamente. Dos desgastantes plantões, a ausência no almoço familiar e em outras datas importantes como alguns natais e reveillon, muitos domingos, o cansaço, que também era grande, claro que não tenho saudade mas trabalhar, operar, pensar montar os quebra cabeças das enfermidades atender as gestantes com sua energia positiva, contagiante me fizeram um privilegiado de trabalhar com algo que me dava tanto prazer.
                       Atualmente , ainda sem mexer a mão esquerda satisfatoriamente não há como exercer a profissão, voltar ao trabalho mas esse dia enquanto não chega vou pensando em um jeito de ficar conectado com minha amada profissão lendo, estudando lembrando...