quinta-feira, 21 de julho de 2016

anestesia




                                     Escrevo-lhes parte da história da medicina a guisa de curiosidade, por episódio muito interessante da nossa história, onde o acasos a perspicácia de quem o o interpretou acabou mais uma vez auxiliando na tomada de novos rumos na historia da medicina, vide a descoberta da penicilina,
quando em 1928 Alexander Fleming estudando substâncias capazes de combater bactérias esqueceu o material de estudo  sobre a mesa quando saia de férias ao voltar viu que as culturas de staphilo cocus aureus estavam contaminadas pelo mofo e ao redor destes se formava-se  um halo claro sugerindo que o mofo produzia alguma substância capaz de inibir o crescimento substância que inibia o crescimento das bactérias depois, estudando estas substâncias , chegou ao desenvolvimento da penicilina.
                                    No século XIX o cirurgião dentista Horace Wells tinha na dor dos tratamentos seu maior inimigo e vinha pesquisando possibilidades de anestesiar seus pacientes. O ópio era usado como analgesico e para funcionar como anestésico a dose deveria ser muito alta o que amedrontava os médicos em usá-lo. Alguns goles de bebida alcoólica era também usada sem sucesso. A coisa era mesmo um verdadeiro show de horrores com gritos, gente amarrada e segura por assistentes corajosos. 
                                  Era comum naquele tempo circos com shows de gás hilariante, o óxido nitroso ou protóxido de azoto, as pessoas pagavam 25 centavos para inalar o composto e ficar no palco rindo e fazendo maluquices e a platéia assistindo encorajando essas sandices, gente  dançando, pulando cambalhotas..  Certa noite nosso dentista se acomodou ao lado da mulher para presenciar o espetáculo quando viu um conhecido seu dando cambalhotas e bater distraidamente sua canela na ponta angulada de uma cadeira. O dentista logo pensou isso dói muito, mas o homem pareceu nem se incomodar e continuou sua performance.
                                 Ao acabar a função aproximou-se do conhecido e lhe perguntou sobre a lesão.  - Qual?  - Essa na sua canela respondeu o dentista. - Nem notei e foi passar a mão na calça banhada de sangue. Com a calça erguida era via-se o talho extenso e profundo. Só seria possível suportar a dor se o indivíduo enfim estivesse anestesiado. Horace Wells não dormiu naquela noite conjecturando e marcou experiência nele mesmo na manhã seguinte. Iniciou inalando o gás até quase até a inconsciência e depois teve seu molar extraído pelo seu assistente sem esboçar nenhum sofrimento. Nas semanas que se seguiram fez alguns tratamentos indolores, sem um gemido sequer. Assim foi aprendendo usar o gás hilariante como anestésico, ainda  empiricamente sem conhecimento dos perigos, transitando perigosamente entre a vida e a morte por asfixia, intoxicação e superdosagem. O protóxido é usado até hoje em anestesias inalatórias em associação com outros compostos.
                                 A medicina, como outras ciências teve seus momentos obscuros, como o tratamento de dores na coluna que consistia em fazer queimaduras a ferro em brasa da nuca até a nádega, tratamentos tão cruéis quanto inúteis, além da crendice dos cirurgiões que o peritonio não podia ser aberto, que depois sobrevinham peritonites gravíssimas seguidas de morte, também com os conceitos de higiene da época não poderia ser diferente. As peritonites principalmente em ferimentos de combate eram quase sempre fatais.  Bons anos se passaram até o maior conhecimento da microbiologia que determinou sérias mudanças nas condutas médicas e cirúrgicas. A medicina e mormente a cirurgia evoluiu lentamente e os dias de hoje "estas informações e outras mais" constam do espetacular livro : "O século dos cirurgiões" de Jurgen Thorwald que eu recomendo efusivamente. Todo médico e profissional da saúde devia tê-lo na estante ler e reler de tempos em tempos.
                                  Hoje em dia vemos as pessoas fazerem cirurgias por motivos fúteis, e sem esgotar todas as possibilidades terapeuticas não invasivas antes de optar pelo tratamento cirúrgico. Hoje se começa pela cirurgia e depois se busca o tratamento clínico. Inversão de valores mas são os modismos costumes da época o imediatismo , a fantasia de se retirar a doença com as mãos acabam somadas nesta tendência atual de se operar tudo rapidamente. 
                                 Enfim é o que se constata,não é?     

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