quinta-feira, 25 de agosto de 2016

histórias olímpicas lll a missão



                    Conto-lhes a saga de um jovem marinagense  em direção a Tóquio 2020.
                     Trata-se de Felipe Brito Ferreira filho da prima da Stella e do Betão, jogador de volei de Maringá.
                       Desde o início da adolescência Felipe já destoava dos colegas de classe pela altura muito acima dos outros  - Esse menino precisa fazer um esporte, está muito alto e não pode ficar mole...era voz corrente na família Ele próprio acabou escolhendo a natação, boa escolha porque mexe com tudo, não estoura joelhos e coluna e assim ele fez sua estrutura física. A dedicação aos treinos fez com que ele colecionasse títulos estaduais, nacionais e sulamericano. Foi convidado a treinar e competir pelo Clube Curitibano e lá foi ele aos treze anos.  Deixou a casa da família em Maringá e foi-se de mala e cuia para Curitiba treinar e viver por lá. O clube exigia dedicação nos estudos e a bolsa /atleta dependeria disso mas Felipe sempre tinha sido um bom aluno e isso não seria dificuldade para ele, mas as coisas começavaam a mudar na capital.  Bernardinho, técnico multi campeão e agora medalha de ouro, do volei brasileiro foi convidado a fazer uma palestra para os nadadores, ao ver Felipe, foi ao seu encontro e puxou conversa - Qual sua altura 2,03? O que vc está fazendo na natação? Bora comigo para o volei! - sou filho do Beto Ferreira ex atleta de volei . -Ah sim me lembro dele. E Felipe contou para o pai o encontro. A partir daí decidiram que o garoto iria fazer um teste no Esporte Clube Pinheiros em SP, clube  que melhor forma atletas de volei assim foi feito. O teste consistia em bater umas bolas com o treinador e Felipe apesar de não jogar volei frequentemente tinha herdado da natação músculos fortes e rápidos e enfim bateu bolas com força e deu saltos rápidos pegando bolas bem altas devido a sua grande envergadura. O treinador  disse rápido - Esse menino é meu! e assim foi feito E de novo Felipe mudou-se. Desta vez para SP numa república de atletas pertinho do clube e foi desenvolvendo sua habilidade de jogador de volei no infanto juvenil e juvenil, sagrando-se campeão também, nesta nova modalidade estava com apenas16 anos.
              Devo aqui fazer algumas considerações, formar um atleta não é apenas dar treino e exigir dedicação exclusiva boas notas. Existe a distancia de casa, dos amigos, o estranhamento da nova cidade, o morar com estranhos, a ausência do conforto que esta acostumado. Esses são alguns aspectos geralmente minimizados no esforço do adolescente, mas fundamentais na trajetória para o sucesso.
               Na época foi convidado a participar dos treinos da seleção principal em Saquarema e lá ficou 3 meses com o grupo meses  com o grupo jogando treinando fundamentos aprimorando as habilidades com a comissão técnica da seleção além de  Bernardinho por perto!
                  Esses são os motivos da minha aposta nesse nome para Tóquio 2020 o que vcs acham?
                 Outro parente, um Barretto agora, menino habilidoso grande boleiro morava e jogava no interior de SP e o grande SPFC foi fazer um amistoso das categorias de base na cidade em que residia e jogava. Ele acabou com o jogo, fez dois gols e dominou o meio campo, claro veio o convite para reinar no SPFC. A família já tinha planos de mudar-se para SP o  que acabou acontecendo. Um ano depois pai e filho foram até Cotia procurar os contatos do convite quando as partes se encontraram acertaram que o menino iria treinar no SPFC/Cotia. A  família morava perto do estádio do Morumbi onde saía o ônibus todas as manhãs e nosso atleta ia treinar , ficava dois períodos treinando e convivendo com os outros jogadores com toda a infra estrutura necessária para formar as novas jóias do clube nosso Barrettinho não cresceu o esperado e seus colegas de time estavam com 1,80 ele permanecia mais mirrado,mas continuava grande no futebol até que um dia foi chamado na diretoria e dispensado, acabava o sonho de ser jogador de futebol a tristeza pelo sonho acabado, as baladas e viagens perdidas pois não era bem recebida a falta mesmo com justificativa, ainda tentou noutros times do interior de sp mas nada se materializou. Tambem se sacrificou, se dedicou, trocou horas de recreação pelo treino, sono por estudo, estava quase lá... Porem um fator alheio a tudo o eliminou...a altura! 
                 As histórias de quase atletas, futuros atletas, atletas disperdiçados, são tantas que terîamos assunto por muito tempo. 
                 Aos futuros atletas e aos que mudaram seus rumos o sucesso, a glória, e a certeza de ter feito bem feito.


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

histórias de consultorio



                     Recebi no consultório uma senhora com irregularidades menstruais de aproximadamente 35 anos portanto longe da menopausa. Logo quando fui recebê-la chamava atenção a adiantada calvíce que já acendia a luz para distúrbio hormonal, presença de hormonio masculino: calvíce e irregularidade menstrual.  Solicitei perfil de hormonios masculinos que se mostrou bem alterado com tendência geral de elevação que me conduzia a hipótese de um tumor funcionante de ovário ou supra renal  produtor de hormônio masculino. já trazia um ultra-som normalize afastava por hora o tumor de ovário que pode ser pequeno e não visível ao exame. A cada retorno íamos estreitando nossa relação que me conduziu ao esdrúxulo diagnóstico. Disse-me que era esposa de um viajante que ficava fora aproximadamente um mês antes de voltar para casa com sua expectativa de que quando chegasse a esposa estivesse desejosa de sexo e que por isso teriam relações intensas e demoradas mas que desafortunadamente isto contrariava totalmente sua natureza, calma e parcimoniosa. O marido, então ficava desconfiado de que na sua ausência a mulher tivesse outros homens o que a deixava tranqüila e desinteressada de sexo seguia-se briga e discussão que a deixava muito triste e desgastada. foi aconselhada por uma amiga que padecia do mesmo problema a usar uma injeção que lhe daria o fogo tão ansiado e necessário para sua convivência harmoniosa com o viajante. E assim ela fazia já há muitos meses. ao ser avisada que o marido iria chegar ia até a farmácia e pedia a tal injeção que nada mais é do que hormônio masculino responsável por essa função no homem e na mulher. Esse comportamento era responsável pelo desarranjo hormonal em que se encontrava, trazendo sinais leves de masculinização. Orientada a suspender esse medicamento suas funções normais retornaram em alguns meses e foi encorajada a conversar com o marido e expor seu verdadeiro caráter. Com compreensão e tempo as coisas chegaram ao normal. 
                    A consulta muitas vezes é muito mais que uma relação doença/cura, vários aspectos emocionais sociais, familiares, mesmo no posto de saúde do bairro temos boas histórias como a transexual que se vestia e pintava como mulher e desejava por isso ser vista por um ginecologista! aqueles tempos ha mais de 20 anos a questão gênero ainda era a tradicional e o desejo da paciente era inusitado mas a consulta foi feita muitas dúvidas foram discutidas e ela ficou assídua no meu consultório muitas vezes acompanhada da companheira.
                 Sem saber eu estava lançando moda e sendo moderno pois o desejo do paciente impera e deve ser respeitado se possível. Neste caso ficou uma falação e risadinhas na sala de espera, mas nada afetou a orientação de atendimento a paciente. Muitas  vezes atendi a ex mulher e a atual, nesse caso a recepcionista era orientada a não marcar hora para as duas no mesmo período…
                Num outro momento eu era o médico da esposa e da outra, nada mais que uma aventura que acabou resultando em gravidez. Esposa que já tinha filhos crescidos e nutria o desejo de que a moça abandonasse a criança que esta criaria junto com o pai o marido num utópico final feliz. Mas a gestante, apesar da aparente simplicidade veio nas últimas consultas com a mãe, futura avó e estas se uniram para criar bem o menininho lindo e sadio que veio ao mundo!  
                 O bom profissional deve cuidar de seus pacientes sem julgamentos nem preconceitos. 
                  Essa história aconteceu no pronto socorro num final de tarde o Siate trouxe homem e mulher acidentados de moto numa das rodovias ao redor de Maringá foram acomodados inicialmente em macas próximas assim que pode falar o homem pediu que em hipótese nenhuma os familiares poderiam saber que os dois foram acidentados juntos.   Separar os dois era difícil pois o ps não é grande a este ponto. Internamos logo quem precisava com o cuidado de alojá-los em quartos distantes, mesmo assim na chegada dos familiares e entrega dos documentos na secretaria do ps foi impossível manter o segredo e não durou muito a    o costumeiro burburinho de um ps tão movimentado somaram-se mais lágrimas e gritaria do caso descoberto pelos cônjuges e depois sempre havendo um frisson nos horários de visitas. Felizmente tudo acabou bem.. esses exemplos mostram a diversidade humana de valores morais, físicos, éticos, de possibilidades sociais, emocionais, familiares. Ao médico cabe amparar, orientar e se possível curar… sem julgamentos nem preconceitos.
                Assim vamos participando intensamente desses momentos que depois de resolvidos chegam a ser engraçados. Muitas outras foram vivenciadas nesses anos todos de lida que encheriam muitas postagens deste blog. Com o tempo lhes contarei algumas.    

                           

         


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Histórias olímpicas

               
                  Estava no quarto ano e junto com outros colegas da faculdade montamos um ótimo time de futebol society extraído da seleção da faculdade, com 6 a 8 integrantes. 
                   Nos fins de semana arranjávamos partidas contra times das chácaras ao redor de SP. Normalmente fazíamos o jogo no final da manhã do sábado ou domingo, depois saboreavamos um churrasco e ficavamos tomando sol e papeando ao redor da piscina mas não eram só flores pois esses times eram formados pela família e amigos e ficavam muito bravos de perder em casa! Lembro de uma a vez que a coisa andou feia contra uns armênios quase chegando as vias de fato, mas o dono da chácara era aluno da Santa Casa e nossos carros estavam perto fez tudo acabar em churrasco.            
                 Nessas pelejas as nossas mulheres nos acompanhavam. Stella era muito amiga de Sueli, que em viagem para a Europa acabou conhecendo um sueco que virou seu marido, anos depois numa dessas pelejas a Sueli foi junto conosco e se fez acompanhar por uma bela sueca que estava hospedando, fomos todos, a sueca pegou seu material para jogar bola, lá chegando  a moça se vestiu colocou sua chuteira e entrou no campo conosco no aquecimento; aquilo de chutar no gol trocar passes, correr em volta do campo ela mostrava uma boa intimidade com a bola, bom domínio e bom chute enfim não seria a última a ser escolhida caso fizessemos dois times para jogar uma pelada. No jogo Brasil e Suécia da Rio 2016 o spiker disse que lá existem quatro divisões de futebol feminino que as deixam em atividade o ano todo, as nossas jogadoras acabando a olimpíada estão desempregadas, pois acaba-se o futebol feminino no Brasil. Essa diferença é marcante para um esportista, mas mesmo com toda essa diferença de estrutura fizemos 5x1com direito a gol de letra nelas e temos a melhor jogadora do mundo eleita por cinco anos. Ganhamos delas abusando do nosso talento individual nato e muita improvisação.
                    a dupla de volei de praia americana bem conhecida de Fernando meu filho que tambem joga  nos USA  por recreação era composta de Paterson e Jake Gibbs, este último já com mais de 39 anos e acometido por dois canceres; o primeiro um melanoma no ombro esquerdo em 2002 que depois de extirpado, permitiu a volta deste ao esporte ele foi pego tempos depois em 2010 no exame antidopping que deu positivo para um derivado raro da testosterona que o atleta e seu técnico juravam não ter usado. Os médicos fizeram um rastreamento minucioso  e acharam um tumor funcionante de testículo que por ser recente e ainda pequeno  foi também tratado com sucesso permitindo a volta dele ao esporte sem muito  prejuízo.  
            Essas histórias servem para dignificar ainda mais a trajetória desses atletas olímpicos exemplos de vida e superação. que devem nos servir de exemplo para todos nós.
           Minha família sempre foi do esporte, meu pai era basicamente do futebol mas fez algumas incursões no atletismo no Mackenzie College como ele gostava de falar, onde estudou o primeiro e segundo graus. Meu irmão mais novo e eu sempre ligados ao futebol, fiz uma tentativa estéril no judo, no handebol que me deixou uma história muito boa e uma fratura consolidada de segundo metacarpo que me impediu de tocar na final do concurso brasileiro de chorinho da tv bandeirantes, já contada em postagens anteriores.
             Esse gosto pelo esporte fez com que fossemos `a cerimonia de abertura dos jogos Panamericanos de sp em 1960 no Pacaembu perigosamente superlotado.  Meu pai adorava fotografar e claro fotografou meu irmão mais novo com um ano no colo daqueles monstros do basquete americano. Coisas do sr. Byron, figuraça humana e surpreendente, saudades pai! Conseguir isso daqueles caras marrentos da NBA  é mesmo um grande feito, mas o sr. Byron era demais, impossível dizer não pra tamanha honestidade e pureza. 
           Eu também adoro esportes estou adorando essa olimpíada numa época em que posso assistir muitos esportes na tv e me transportar para a pele destes atletas maravilhosos.
            O Brasil acaba de vencer a Alemanha! primeira do ranking mundial    Uuhuuuuu!!!
             



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

meu primeiro filho

       

                           Lembro que era um sábado paulistano de sol e calor, como hoje. Estávamos no sítio do meu amigo e parceiro Cesar Brunetti jogando tenis  as 3 da tarde, quando a Stella chegou na beira da quadra e avisou que algo estava estranho com sua barriga, fomos até o banheiro e constatei um fio de água que escorria. Guga estava querendo chegar. Mas com toda calma de um residente em gineco, e como a Stella estava ótima, sem contração nem nada, saboreamos o churrasco, conversamos, rimos, descansamos e as 6 e meia fomos pra casa. Ligamos para o médico. Numa época anterior a celulares, bips, e outros meios de comunicação ainda aguardamos a volta dele do circo para onde havia ido com seus filhos, afinal era sábado, 7 da noite. Dia e horário dedicados a criançada.
                      Imaginei que a bolsa não havia estourado, apenas  uma pequena rotura. Faltavam ainda 20 dias pra "data" o que aconteceria? Internada Stella foi direto pra sala de parto, ao chegar o obstetra viu que mesmo sem cólicas já apresentava 80%  da dilatação necessária, depois  acomodada na mesa de parto com soro e tudo, tremia como vara verde e nossa anestesista, uma divertida nordestina alto astral dizia: - Trema, minha filha vc tem direitos use-os, ajudando a descontrair o impacto de um primeiro filho chegando antes da hora.  Entre risadas e palavras de incentivo fiquei na sala o tempo todo, o médico, também meu professor, perguntou se eu queria fazer o parto mas declinei por não me sentir apto naquele momento. Anos mais tarde já em Maringá, fiz o parto do meu terceiro filho, auxiliado pelo Dr. Moacir Manetti.
               Ainda comunicamos a meus sogros aqui em Maringá que seu primeiro neto estava chegando, os avós sairam na corrida e conseguiram passagens de ônibus pinga, pinga até SP pois era o tempo dos postos de gasolina fechados inviabilizando a viagem de carro., avião nem existia por aqui. Quando chegaram, filha e neto já estavam bem. Guga no berçário e Stella no quarto descansando! Guga era uma criança linda e saudável com 3.800g e 52cm, havia sido um parto normal, sem intercorrências e nem incidentes as 23:15h. Eu babava no meu primeiro filho! Extasiado com o comportamento de Guga e Stella tudo tão sereno, grande nascimento , sem atropelos, gritos e confusões.
              Meus pais chegaram para conhecer seu primeiro neto, depois a família foi se juntando no quarto, a tia e a avó da Stella, todos ali comemorando a alegria do primeiro bebe.
             A vida mudou, em casa, os ensaios musicais de chorinho agora eram acompanhados do autentico "chorinho"...as saídas eram trabalhosas, cheias de tralhas, casacos, carrinho e tudo mais..os plantões as vezes eram locais de dormir, descansar.. mas ainda assim a vida se tornou mais colorida, saborosa..
             Retornar a rotina, voltar pra minha vida real de residente ficou mais dificil, em cada momento de folga, fechava os olhos e relembrava aqueles momentos inesquecíveis o primeiro choro forte e saudável! Emoção a flor da pele depois de uma noite com nene novo! Antes saía dos plantões pingando de sono, agora já chegava nesse estado, e não vendo a hora de chegar em casa e me juntar a minha família novamente.  E assim íamos nos adaptando ao nosso filho que insistia em ficar acordado até tarde contrariando nossa proposta de acostumá-lo a dormir as 20 h. Ele chorava um pouquinho mas era bom para expandir bem os pulmões! rsrs..  Acabamos nos adaptando, os tres com respeito aos horarios e necessidades de cada um e fomos em frente.
           Mais de trinta anos se passaram! Me tornar pai foi um presente seu pra mim. A emoção do convívio de cada dia continua, a adaptação, o respeito aos horários e necessidades de cada um tambem continuam.
           Meu filho, hoje é seu aniversário, mas não só hoje desejo toda felicidade, sucesso, e que vc continue com sua determinação, alegria e diplomacia atras dos seus sonhos. Conte sempre com seu pai.
           Estamos todos nós digerindo e nos recuperando desse AVC, que nos surpreendeu a todos, mas somos os mesmos na essencia, no amor e na fortaleza de nossos laços.