sexta-feira, 31 de julho de 2015

Experiências Musicais



      

                   Convivo com o Hellington e família há mais de 35 anos , com ele e o Geraldinho fundei o memorável receita do samba em muitas festas da casa dele de família, aniversários  eu e os músicos éramos também convidados, assim conheci toda sua família, Cidão, o pai, a mãe Mercedes, donos de grande animação e entusiasmo.D. Mercedes ainda é figura assídua na Casa de Bamba e será assim até o final.                         Acontece que o Cidão começou a sentir algumas dores no peito: vamos operar disseram os doutores, o Cidão era homem positivo e otimista então vamos à faca disse e a cirurgia foi realizada e tudo correu bem, no pós operatório tardio, apareceu uma secreção num ponto do externo.Perigo:e dá-lhe antibióticos mas a  secreção teimava em permanecer ali. No momento de maior depressão, depois de 50 dias e nada de alta, Cidão deixou seus desejos escritos para o seu sepultamento, dentre eles estava ser sepultado ao som do choro André de sapato novo tocado por mim Geraldinho. Estava no velório, me despedindo quando vi uma de suas netas descendo as vielas do cemitério de Iguatemi com um violão na mão, e na outra tremulando a carta com os últimos desejos do avô. Pensei, aí tem coisa. E ela me entregou o instrumento e me fez ler as linhas onde Cidão especificava o desejo musical. Como negar tal pedido à família tão querida e ainda mais àquele que foi um grande fã nosso. Nos posicionamos, Geraldinho e eu cada um de um lado do corpo e começamos a música, com toda solenidade possível, ouvíamos as pessoas que procuravam chorar baixinho. Cidão, ali lívido entre nós parecia sorrir, fomos até o fim e logo após os funcionários ultimaram os serviços fúnebres. Nós dois , grandes chorões de lágimas nos esforçávamos para não escorrer o pranto. Agora o Cidão vai poder ouvir seu chorinhos, com Pixinguinha, Jacob e outros que o esperam lá em cima.
         Foi um momento dos mais emocionantes da minha vasta vida musical.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Conhecendo Geraldinho




Os médicos de Maringá gostavam de música e de se reunir pra tocar e cantar.
             Em 1970 estava aqui para passar férias com minha namorada e fui convidado para uma roda de samba na casa do Dr. Helio Pozzobon na zona2,  com a participação dos que gostavam de música : Dr. Robson, Dr. Jorge Chammas, o neurologista já falecido Douglas Jozzolino... Eu tinha ido como convidado a algumas festas dos médicos e acabou aparecendo um violão, e claro, toquei, foi sucesso imediato, depois eles me chamavam de fenômeno pois ficava horas tocando, sem tomar bebida alcoólica, não entendiam que a música me supria. Sempre fui assim, fiz isso muitas vezes na Casa de Bamba e outros locais. Às vezes uma cerveja para molhar o gogó, mas sempre apenas pra matar a sede, eu sou um médico que poderia ser chamado a atender minhas grávidas a qualquer hora, preciso estar lúcido e bem consciente, algumas vezes ocorreu isso e precisei deixar a música e ir ao encontro da minha verdadeira profissão de médico, acabou o recreio...
           Voltando a roda de samba, eu nessa época era um quase vestibulando de medicina, me animei todo. Chegando lá a frequência era bem maior, a sala estava lotada. Fui com meu recém ganho bandolim e me juntei aos músicos. Foi nesse evento que conheci meu preclaro amigo de tantas jornadas Geraldinho do Cavaco e já se vão 40 e tantos anos de uma amizade com fundo musical, sem um grito, uma rusga, baseada no respeito e na admiração pelo homem e pelo músico. Tocamos em todo tipo de evento em Maringá e região.
           Os tocadores eram além do Geraldinho, Baianinho do violão, Zé irmão do Geraldinho, Dr. Jorge no ritmo e outros tantos que me falha a memória. Essa paixão dos médicos pela música, anos depois acabou se materializando no “Plantão Musical” grupo conhecido de todos os maringaenses pelo seu show anual, que teve sem dúvidas outras contribuições, mas essas reuniões sem dúvida continham a semente que muito contribuiu na gênese do grupo dos médicos cantores.
            Venho, desde então participando dos eventos musicais dos médicos.
           Outro evento muito significativo na origem do Plantão Musical foi o show “Pratas da Casa” uma brincadeira onde uma banda profissional acompanhava os médicos cantores, declamadores, performáticos. Muitos doutores se revelaram e outros se consagraram como a Dra. Maria Tereza Coimbra e Dr. Robson. Na antessalada casa eram expostas as pinturas dos colegas pintores e desenhistas, uma mostra das artes produzidas pelos doutores em seus momentos de lazer e relaxamento.
    Em Maringá consegui a continuar meu hobby de paixão pela musica. Muitas historias eu tenho pra contar de antes e depois do avc. Devagar, bem devagarinho, como tudo que faço hoje em dia, vou contando. Em doses homeopáticas...
Valeu gente! Semana que vem tem mais histórias do Celsão.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cada coisa em seu tempo


       Queridos leitores, boa notícia! Eu sonhava com alguns momentos sem dores, aleluiah!! Consegui uma posição de dormir que me proporciona dormir bem e um despertar leve e sem dor, uma delícia. Agradeço a meu pai celeste por mais esta graça concedida. 
       Gostava de jogar meu tênis no clube, passar no vestiário trocar de roupa e dar uma entrada na sauna esquentar a carcaça e aí ir pro banho. Acostumei com sauna, pedia insistentemente pros meus médicos quando estava ainda no hospital que me autorizassem ir à sauna. Até que fui autorizado, já faz um ano e fui com meus cuidadores Fernando e Katia. Sauna é bem perigoso para desequilibrados como eu, não foi uma experiência boa, eu queria voltar com meus filhos me assessorando, fui no último sábado com o Guga, e continuo achando perigoso e difícil, vou passar longos meses sem tentar de novo. Chão molhado, irregular, alguns lugares com sabão, não foi feito para desequilibrados e limitados como eu, preciso mais segurança e equilíbrio no andar para tudo, mas principalmente na sauna.
       Aproveito e conto a experiência da piscina aquecida que eu que tive naquela ocasião. Com os pontos da cabeça recém tirados, para entrar, já foi um sufoco, pois a piscina do clube não é preparada para limitados e tive que me jogar nela, primeiro sentei na borda e depois tchibum, que medo!, fiquei alguns minutos e veio a ansiedade, e para sair?? aquela escadinha conhecida de todos não serve, meu lado esquerdo não consegue segurar e me dar suporte e acabo capotando para o lado, tive que ser praticamente arrancado dali com ajuda dos amigos de sauna. Constrangedor mas saí, não volto na piscina depois disso. Tempos depois fui fazer hidroginástica com a Helen que entrou junto e fomos trabalhando equilíbrio e outras variáveis necessárias para a época, em piscina aparelhada e com a fisioterapeuta dentro da água me passando exercícios específicos, outro papo. 
       Assim eu constato outra vez que entro enfim na recuperação. Cada coisa em seu tempo e seu lugar, a ansiedade fica gritando lá dentro, mas devo aprender a controlá-la pois recuperação demora...agora já trabalho a mão no  estimulador eletrônico, mais uns meses e já mexerei sozinho! Espero! Esse tempo é lento...mas espero como um bom menino sem reclamar. Tem sido assim até agora e será assim até o final. Com vocês vamos superando os obstáculos.
       Valeu gente!
     

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Brasil visto de dentro (ficção?)



       Tenho começado os posts as terças, assim terça cheia de gente, sempre meio atabalhoado, apenas rascunhando as ideias. Mas hoje, minha personal esta viajando, a Helen fisio presa em casa por conta do asfalto em sua rua, de maneiras que foi uma terça de repouso. Chuva, frio e ainda achei meu sumido HD externo com 250 giga de musicas e estou ouvindo Ella Fitzgerald. Talvez a melhor garganta de todos os tempos entre homens e mulheres estou procurando a Sara Vaughan para comparar mas ainda não achei. Nate King Cole também vou ouvir e ja ouvi All Jarreau hoje e acho que não chega aos pés da Ella.
Cenário perfeito para escrever calmamente fatos e causos como esse. Verdade? vocês dirão!
       Nessas minhas conversas com meus colegas de infortúnio fiquei sabendo da historia que transcrevo abaixo: 
       Estando nosso compatriota afastado do trabalho, óbvio por invalidez temporária, já havia feito a perícia pelo estado pois apesar de ser servidor público federal, estava cedido a um departamento estadual e por isso lá foi ele mais uma vez na perícia do estado que dessa vez não foi aceita pois não foi feita pelo serviço público federal. Poucas cidades fora das capitais tem essa junta, então teve que ir, por seus próprios meios, a cidade mais próxima para isso. Bom conversador que é, acabou batendo um bom papo lá com todos que acabaram contando que um dia “ ligaram do ministério da saúde de Brasília” e disseram:
       - Montem a junta médica federal
       - Mas como? Com quem? Onde? Com o que a verba?
       -Virem-se!
       E eles correram atrás, requisitaram uma sala de um departamento antes usada como depósito, outro departamento cedeu o mobiliário usado, gasto mesmo e o computador com uma mini mesa e pronto estava montada a junta pericial federal! Funcionários realocados poucas horas por dia. Até que a internet caiu. E eles ficaram isolados sem poder trabalhar pois o sistema deve ser integrado. Fuça daqui e dali, descobriram com uma funcionária da logística que não foi o sistema que caiu e sim que o governo esqueceu de pagar a conta e cortaram a internet, é mole? 
       Para esquecer tudo isso volto a enfocar a terça de reciclagem musical, maravilha! Musica que me faz bem pro cérebro e pro coração.

       Valeu, gente!