Convivo com o Hellington e família há
mais de 35 anos , com ele e o Geraldinho fundei o memorável receita do samba em
muitas festas da casa dele de família, aniversários eu e os músicos éramos também convidados, assim
conheci toda sua família, Cidão, o pai, a mãe Mercedes, donos de grande
animação e entusiasmo.D. Mercedes ainda é figura assídua na Casa de Bamba e
será assim até o final. Acontece que o Cidão começou a sentir
algumas dores no peito: vamos operar disseram os doutores, o Cidão era homem positivo
e otimista então vamos à faca disse e a cirurgia foi realizada e tudo correu
bem, no pós operatório tardio, apareceu uma secreção num ponto do externo.Perigo:e
dá-lhe antibióticos mas a secreção teimava
em permanecer ali. No momento de maior depressão, depois de 50 dias e nada de
alta, Cidão deixou seus desejos escritos para o seu sepultamento, dentre eles
estava ser sepultado ao som do choro André de sapato novo tocado por mim
Geraldinho. Estava no velório, me despedindo quando vi uma de suas netas
descendo as vielas do cemitério de Iguatemi com um violão na mão, e na outra
tremulando a carta com os últimos desejos do avô. Pensei, aí tem coisa. E ela
me entregou o instrumento e me fez ler as linhas onde Cidão especificava o
desejo musical. Como negar tal pedido à família tão querida e ainda mais àquele
que foi um grande fã nosso. Nos posicionamos, Geraldinho e eu cada um de um
lado do corpo e começamos a música, com toda solenidade possível, ouvíamos as pessoas
que procuravam chorar baixinho. Cidão, ali lívido entre nós parecia sorrir,
fomos até o fim e logo após os funcionários ultimaram os serviços fúnebres. Nós
dois , grandes chorões de lágimas nos esforçávamos para não escorrer o pranto.
Agora o Cidão vai poder ouvir seu chorinhos, com Pixinguinha, Jacob e outros
que o esperam lá em cima.
Foi um momento dos mais emocionantes
da minha vasta vida musical.