quinta-feira, 31 de março de 2016

motivação


     Então, hoje vou escrever sobre um assunto que todos nós conhecemos muito bem e temos algo a falar e a pensar:  motivação!  farei isso também para compreender melhor porque eu não tenho motivação/vontade de fazer exercícios para melhorar minha condição física.Tenho uma insegurança/medo que me paralisa então o sofá com tv, o futebol, o tênis  ficam mais interessantes e eu sentado assistindo, procuro coisas para fazer nos meus dias mas nem sempre arranjo. Acabo de voltar de um encontro com as gestantes do Roupeiro Santa Rita mas só uma vez por mês, a Unimed também me chama eventualmente para alguns encontros com gestantes  essas ocasiões não conseguem ocupar todos os meus dias apesar de eu ser muito grato a estas oportunidades de me manifestar sobre a obstetrícia que eu amo e conheço profundamente mas por enquanto estou no estaleiro, fora de combate! Esses encontros fazem muito bem pelo menos para mim, espero que também para as grávidas! tenho procurado outras possibilidades mas ainda não pintou nada, eu gostaria muito  de dar uma aula inaugural para o curso de a medicina, seria um animado stand up do assunto…
            Falando mais um pouco de motivação lembro quando iniciei no tênis e ficava no paredão praticando por uma hora ou mais para aprimorar um golpe ali sozinho, além da música que me fazia ficar sentado com o instrumento no peito, repassando uma frase mais complicada e rápida, sobrava motivação e eu ficava ali sem reclamar e sem ninguém mandar, agora minha fisio Helen me deu um ultimato: "ou faz exercícios ou tchau mas assim não vamos continuar". Eu não tenho vontade de fazer exercícios: sair por aí andando, ficar levantando o braços, senta/levanta no sofá da sala..Onde se compra a  tal da motivação que neste momento não encontro… a tal motivação que sobrou no tênis e na música, e agora me desapareceu?deve estar escondida nos mais "recônditos escaninhos do escrínio da minha mente" como diria meu amigo Paulo de M. Godoy, para melhorar meu andar e meus movimentos de braço? difícil isso porque conscientemente quero ir lá correndo, mas na hora de ir tudo fica esquecido. Será que é chato se exercitar? (É). Ou eu preciso comprar a motivação, será que tem no Paraguai? estou procurando a minha sei que está aqui dentro mas deve estar perto de algum sentimento grande que esconde o outro é deve ser isso, pois motivação eu sempre tive muita, só não consigo ligá-la agora, mas eu já acho a tomada então vou deixar no máximo, esgotar toda ela! tudo bem se gastar tudo,já vou estar correndo e movendo os braços..quando ela acabar rsrs
              Agora entendo aqueles adolescentes que também não se mexem e a família reclamando: Levanta, vai fazer alguma coisa útil! não sou adolescente mas a falta motivação é a mesma…e a família também pega no meu pé,graças a deus sempre exigindo e impedindo amanha sempre penso inércia penso quando vou dormir: amanhã eu arrebento vou até a  academia do clube passar a tarde naquela bicicleta , mas qual a cama parece ter imã e eu fico mais um pouquinho, mais um pouquinho, a tv passando o imbrólio de Brasília, e acabo perdendo a manhã. Por isso é bom combinar com a turma e a personal, tá combinado a hora….e a minha personal chega causando, se precisar ela vai me arrancar da cama, a pequena grande Marcella, seu pique contagiante acaba me motivando. Lá vou eu me exercitar, senta, levanta, abdominal, levanta 30 x a perna esquerda, agora a direita, mais 15 senta levanta e eu vou te alongar. Mais um transtorno, apesar dos cuidados da equipe de fisio do hospital, com a imobilidade com os músculos da perna e do pescoço e ficaram encurtados então o alongamento é sofrido mas já elevo a perna esquerda quase a 90 graus com gemidos e reclamações mas vou  chegar lá como tudo até agora.   
             Então quem souber como fazer renascer a minha motivação mande um post. Não vale coisa malcriada.. pro resto estou aqui. Seria bom um remédio, pra tomar e pronto! Só valem drogas lícitas….claro.

sábado, 19 de março de 2016

Aprendendo com a experiencia




          Terça 15/03 tive a maravilhosa oportunidade de me reunir e me manifestar sob o tema "aprendendo com a experiência" com o grupo de estudos da conhecida psicanalista Soledad Ferdinandi.
           Debatemos momentos da minha vida de médico dublê de músico e vítima deste avc que revirou minha vida e expôs o grande desafio do resto da minha vida de conseguir renascer renovado e extraindo todo o possível de mim com essa nova condição física que as seqüelas me acarretaram. Enfim como foi dito lá, fazer o parto de mim mesmo… isto, aceitar minha condição e extrair dela o máximo tem sido o mais difícil da minha vida pós avc pois ainda hoje não aceito, lembro constantemente do Celso de antes e anseio retornar àquela condição, o que será afinal impossível. Por vezes me percebo na ilusão de tudo isso ser um sonho ruim que em breve vai acabar e não preciso me preocupar, me conformar, mas a realidade aparece como um raio. E me assusta, me faz recuar, me acua. Mas o dia do parto de uma nova pessoa que aprendeu não só com seus erros e acertos mas principalmente com as surpresas que a vida apresenta, chegará e aí terei o meu terceiro dia anual de aniversário.
            Foi realmente uma tertúlia muito animada com a participação interessada das presentes que faziam, com suas perguntas com que eu me aprofundasse na minha alma. Uma oportunidade única de crescimento pessoal pois as vezes alguns temas são por nós evitados por incômodos íntimos e nada como uma conversa como a de terca que me forçou abrir algumas portas emperradas da minha alma, enxergar detalhes esquecidos da minha vida conturbada por este avc irremediável.
            Na quinta 16/03 fui me encontrar com as grávidas do NIS Tuiuti, numa iniciativa da Unimed, outro prazer pois adoro estar com elas conversando sobre a gestação, o parto, seus desdobramentos, afinal estou lidando com isso desde o hospital Santa Marcelina em Itaquera em 1975: meu primeiro registro em carteira, ainda estudante!São gerações nascidas pelas minhas mãos, uma emocão sem preco.(gente esse teclado é doido, a cedilha sumiu)
            Preciso esquecer daquele e deixar nascer outro, enfim fazer o parto de um outro Celso com sua nova condição física, tem sido o mais difícil para mim. A lembrança daquele outro, habilidoso, completo e muito vitorioso é para mim muito difícil de esquecer, mesmo com a consciência de que muitas vezes as lembranças são distorcidas por fantasias. acordar cedo todos os dias, trabalhar mais de 10 horas por dia, correr de um lado pro outro nem sempre era prazeiroso como me lembro agora, mas parece que só lembro do lado bom, tocar, jogar meu tênis,trabalhar.. tudo isso, nas lembranças de hoje era perfeito mas tão claro tambem tinham seus espinhos, agora esquecidos...
           Meninas do grupo de estudo, obrigado!

sábado, 12 de março de 2016

Zona de conforto



               Este é um conceito muito difundido e comentado atualmente: todo ser vivo procura manter sua zona de conforto, até as plantas nos nossos jardins são conhecidas por terem elas mesmas suas zona de conforto, preferem ambientes com  mais ou menos sol e brisa, com isso nossas donas de casa que ficam atentas a estas variações das zonas de conforto das suas plantinhas tem terraços mais verdejantes que suas vizinhas
              Para o derramado, a zona de conforto  é mais estreita e específica. Vejamos, planejamos uma viagem de carro até para testar minha capacidade de suportar uma viagem mais longa. Ano passado eu ja havia ido a Brotas, Sp numa viagem de +- 5h vencida com muita dificuldade. Ate Sp seriam +- 8h e depois iríamos para o litoral norte. Mais 4h!  Sabíamos da necessidade de parar a cada hora e meia para eu andar um pouco e esticar o espinhaço, fazer xiixi… assim fomos até Sp, com muitas dores, paradas cada vez próximas uma da outra, irritação, insegurança, quase pânico,vontade de ficar ali…. Achava que nunca iria chegar. Cheguei quebrado e com muita dor na perna no hotel, Surpresa: uma convidativa banheira me esperava! Pensei: vou ficar 2h relaxando, e tchibum! Delicia! mas quem entra tem que sair e é aí que mora a grande dificuldade. Com a banheira molhada e ensaboada e sem um apoio auxiliar, ficou muito, muito difícil. Se não fosse meu filho estaria lá até agora. Mesmo com a ajuda dele foi difícil e apavorante. Nao entraria lá de novo, mesmo tendo sido reconfortante e um alivio para o tormento da viagem. É gente um simples reconfortante banho de banheira tem todas essas implicações para um derramado. Tudo se torna complicado e requer planejamento, a sensação de incapacidade grita no seu ouvido e a auto estima despenca, nem um guindaste consegue levantar
             Banheiro sempre trás preocupação: box, vaso sanitário, apoios, piso anti derrapante, sao motivos de tensão, stress. Saio de casa para me testar e ampliar minha capacidade e independência, mas sempre procuro levar um "ajudante... " - vale a pena sair do meu cantinho?
            Depois de algum descanso no hotel, já renovado saí pra jantar com a família e ai foi só alegria. No dia seguinte depois de um sensacional e revigorante encontro de turma, embarcamos para praia. 
              Uma viagem mais curta, mas ainda cansativa! 
              A casa da prima Vera é uma delicia, ampla com uma refrescante piscina, mas tem uma escada em caracol de ferro, nunca havia me exercitado numa destas, subir e descer era trabalhoso e sempre acompanhado de perto pelo filho, meu anjo da guarda, paciência e cuidados incansáveis. A primeira subida foi assustadora mas no último dia subi praticamente sozinho. Vitoria! Mais que isso , é a prova concreta que nao posso me acovardar perante as dificuldades, sou capaz de superá-las.  
            Eu pretendia ir a praia, entrar no mar para testar meu equilíbrio com as ondas e o puxa puxa, seria só no raso claro, mas gostaria de ter tentado: a chuva não permitiu. 
             Voltamos também em 2 etapas. Uma parada na casa do meu irmão em Sp onde dormimos e também foi uma alegria, dessas que nos fazem continuar dia apos dia a vontade de ir alem. Partimos no dia seguinte e a volta de maneira geral foi muito melhor. Com dores? Sem duvida! O desconhecido assusta mas os obstáculos vencidos sao mais gratificantes que o desconforto. 
             Mas que bom chegar em casa, meu ambiente conhecido, minha rotina, minha cama.
             Acabei de fazer uma ressonância magnética para conhecer a fundominha dor na perna, saber sua causa, sentamos nesse osso duro do bumbum, ali se inserem três músculos que em mim estão atrofiados pelo comprometimento motor do avc. Esta insercão  esta sobrecarregada pois os tendões deste lado esquerdo estão mais fracos e não suportam o meio do corpo: venho fazendo fortalecimento desta musculatura com a "Jeronima coração peludo" a tendência é que eu finalmente consiga quase o mesmo tonus de antes do avc, estou lutando por isso, então direi adeus a estas dores  
           Assim sair de sua zona de conforto eh muito desgastaste para o derramado com seqüelas como eu, mas com persistência e disposição vamos superando os obstáculos sob risco de se negar a sair de casa como muitos fazem! mas eu me nego, procuro sair sempre que posso. Vou a shows, teatros baladas e clube com aquela sauna apavorante sem apoios e a piscina aquecida sem acesso adequado, restaurantes e continuarei indo. Com dificuldades e sempre contando com a boa vontade da família e dos incansáveis amigos que tenho.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Boiçucanga

      
        Olá amigos seguidores blog do Celso Barretto, estas últimas semanas este blog falhou pois esqueci de comunicar a todos que estou de férias de tudo, só no doce far niente. Agora mesmo escrevo de Boiçucanga, litoral norte de São Paulo, onde cheguei há dois dias na casa da minha querida prima Vera. 
       Vim de carro com meu filho na direção, minha mulher e eu, foi bastante sofrido por conta da minha chatíssima dor na perna, apesar de sozinho no banco de trás foi difícil me acomodar porém valeu cada quilometro pois cheguei a São Paulo, para um encontro de turma depois de 38 anos de formado.                                                                                                           
          Juntamos +- 60 colegas e agregados. Todos muito alegres e cuidadosos comigo. Lá pelas tantas me chamaram para descerrar uma placa em homenagem ao nosso colega de turma J. Eduardo Dolci, hoje diretor da faculdade, mas tive uma ótima surpresa ao ver a placa! Ali estava a letra do samba enredo da Santa Casa composta por mim e cuja história já contei em postagem anterior sob o nome Verdão do Arouche, nome do samba e na última linha: "homenagem a Celso Pereira Barretto". Agora sou imortal... . Consegui não chorar, meu nome, minha música, não só nos gritos de guerra, nos coros dos jogos, mas agora simbolicamente na parede da Toca, a nossa eterna cantina. Muitas fotos, beijos e abracos afetuosos, muito amor externado. Viva a sempre Beatriz, querida Beatriz da união, da alegria, da disposição. Viva o Andraus, o Pirito e o Domingos meu irmão.
 Saímos de lá direto para Boiçucanga, mais 4 horas de dor na perna, mas cheguei, já descansei e estou pronto pra outra... nem tanto.
         Até agora choveu muito com queda de barreiras, alagamentos, desmoronamentos, mortes e tudo mais que uma chuva torrencial pode causar no litoral norte de São Paulo por isso ainda não fui a praia, só pus pés na piscina daqui de casa, agua muto fria.. e devo ir amanhã à praia segundo a metereologia.
         Gente, vou me redimir postando as novas direto de Boicucanga, ( choveu, choveu, choveu! voltamos mais cedo) contando as novidades, dificuldades de sequelado fora de seu ambiente adaptado e conhecido! Vitórias, conquistas, medos e delícias da vida fora de casa, me aguardem. 
       Beijos em todos, obrigado por aqueles que me contactaram reclamando da falta do blog. Aqui estou. Conto mais semana que vem.
    
      Valeu gente!!