Vejo com profundo pesar os comentários abordando o fechamento do Car Wash Chopperia. Estou em Maringá desde 1981 e fui um freqüentador assíduo, desde quando ainda lavavam carros, ocupando apenas o "bico" do terreno. Ali tudo começou, primeiro ofereciam um lugar com certo conforto para os proprietários dos automóveis, depois passaram a ter uma bebidinha, uma comidinha e assim nasceu o bar.
Maringá mudou muito desde então, cresceu, se sofisticou, chegou mais perto dos grandes centros e o Car Wash acompanhou, se atualizou, participou dessas mudanças, mas seu cerne permaneceu, por isso permanceu na liderança da noite por tanto tempo. Vivi ali bons momentos musicais.
Era um lugar onde vc sempre encontraria gente bonita, ótima música e além de um serviço de bar muito caprichado. Era um lugar com musica ao vivo que mantinha alto o padrão dos músicos que ali se apresentavam. No começo era o Mizael e o Cascavel que mostravam o melhor da MPB todas as noites, era um local que mudava o músico a cada semana. Fiquei muito satisfeito quando fui chamado para me apresentar, me esmerei no repertório e fui com o Beto Batera que era fixo da casa e o baixista Machado. Eu sempre gostei de rock e ali também interpretei muitos deles. O Jorge, sempre preocupado com o barulho, não querendo incomodar as conversas entre amigos, ficava fazendo cara feia e abaixando o som, cujo comando ficava próximo do caixa, mesmo assim toquei meus blues e os freqüentadores mandavam muitos pedidos para este tipo de música, com isso Jorge foi entendendo que seus clientes aprovavam o repertório e até que comprou alguns cds do gênero para o som ambiente. Fui convidado para tocar este estilo na área contígua ao bar, onde hoje é a pizzaria, fazia meu som nas terças feiras e convidava os amigos rockeiros para tocar comigo. Fizemos um bom barulho ali, sem me preocupar mais com a altura da música. Tinha liberdade pra chamar pessoas pra uma canjinha, brincarmos de desafio musical. Luciano Barriga foi meu parceiro por muito tempo também. Varios "estrangeiros" também se apresentaram naqueles palcos, acompanhei alguns, fiquei de espectador em outros. Muitas feras…
Enfim é triste ver que esse bar está prestes a encerrar suas atividades, o choppe sempre bem tirado e servido muito rápido pelos céleres garçons, Paulo, Valdir e outros que não permitiam que a bebida esquentasse. Mas as comidas eram, também especiais com destaque para o kibe, o carpaccio que era meu preferido nos fins de noite e que eu trazia para casa, os rissoles deliciosos que vinham sempre muito quentes, queimando algumas vezes a boca deste apressado. Quase sempre me esquecendo de levar os pratos de volta e o Jorge dando broncas. Não tenho mais pratos do Car Wash, se tivesse seriam uma boa recordação, juntava-os em casa e devolvia, para alívio deles.
Enfim era um bar onde eu me sentia em casa. Médicos e outros prfissionais costumavam fazer ali seu happy hour, quando os colegas saiam do consultório passavam devagar pela praça esticando a cabeça para identificar as mesas se formando e sempre havia alguém da área chegando também. Esse happy hour se estendia até o inicio das atividades musicais e se juntava ao pessoal chegando pra noite…
O nome Car Wash vai se juntar aos clássicos bares brasileiros como a lendária boate Mustache, Bar Brahma, Jogral, Bar do Juarez, e outras tantas que fazem e fizeram a alegria de tantos freqüentadores.
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