quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Iniciação musical





    A minha evolução musical, foi muito característica e parecida com a da geração mais nova, depois de um certo amadurecimento começam a ouvir músicas antigas vintage... e eu vejo um pouco disso com  a moçada mais  curtindo hoje o que eu curtia quando mais novo até na mesma ordem evolutiva e até na mesma ordem. O que aconteceu com meu gosto musical, quando adolescente eu curtia rock raiz com Credence, Alman Brothers que os mais velhos não gostavam muito. Meu irmão mais velho teve influencia no meu gosto musical pois ele levava os discos dos amigos e da namorada para ouvir em casa e eu acabava ouvindo à exaustão. Na época ouvia pouca música brasileira pois a moda era o rock dos Beatles e Rolling Stones, e outros. Mudou com o Jorge Ben e a bossa nova, mas difícil de tocar no violão, só quem tinha professor tocava essas músicas e depois os amigos copiavam e saíam tocando, mas como eram difíceis, poucos se aventuravam nelas e eu que estava começando não conseguia acompanhar a bossa nova. A molecada toda se enrolava. E mesmo o Jorge Ben, difícil pra mim na época, hoje vejo que é muito simples.
 Vejam, achei boa a definição - diferença entre jazz e rock: rock 3 acordes e platéia de 3000 pessoas, jazz 3000 acordes e platéia de 3 pessoas.
Não era comum se ouvir música clássica que chegou pra mim pelo meu pai e também ópera pelo meu avô paterno, um flautista muito bom que tocava tudo por música, numa orquestra filarmônica que ensaiava no salão de uma igreja pertinho de casa e o eu sempre o acompanhava nos ensaios. Ele passava em casa para me pegar e assim fui apreciando mais as músicas clássicas, fascinado pela sonoridade ecoando pelo salão. As vezes ensaiavam na nave central da igreja que era pouco frequentada, e aí era um arraso..
       Conheci Jannis Joplin que me causou impacto, tanto pela interpretação única para uma cantora jovem e branca quanto pela sua história esdrúxula e bem anos 70, Ray Charles e os spirituals além de Elvis Presley, Beatles.
 Os spirituals achava chato no começo, depois entendi a musicalidade daquilo e fiquei fã.  Anos depois o Fernando morando em Savanah, Georgia, me levou a um culto religioso, com aquela cantoria linda, maioria de afro-americanos tão cativante que vc acaba participando do Aleluiah, e consagrou minha admiração.
 Com a bossa nova, o Jorge Ben e o iêiêiê tocando sem parar no rádio, meu pai ouvindo música clássica e Beth Carvalho, que como bom adolescente eu odiava, o tempo foi passando e eu fui pro chorinho e depois pro jazz e já não tinha paciência para o barulho do rock, e aí era a época do Jimmy Hendrix que a molecada tirava nota por nota e eu também. Ganhei um disco do Black Sabath da minha madrinha e fui iniciado, adorei, comprei um do Credence,  Stones e a MPB entrou com a Tropicália, Novos Baianos, Caetano, Gil, Elis, Milton, ainda mais que meu primo era seu baixista, Djavan, Ivan Lins, depois passei a curtir jazz, Oscar Peterson, George Benson, Jimmy Smith e o álbum The Cat que não saia da “ vitrola”, Ray Charles...
E até hoje minha cabeça ferve com música! Se tiver tocando alguma coisa não fale comigo. Todos os ritmos me encantam, procuro escutar cada um, buscando suas influencias e origens, explorar a musicalidade de cada instrumento de cada frase musical. O pouco de cérebro que me resta estará ocupado com a música. Cada acorde, cada harmonia, cada nota alcançam minha alma.
Valeu gente!

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