Quando penso no período que fiquei internado, me pergunto o que eu pensava de estar ali.
Recolhi com a família e amigos que não pensava, ficava ali, somente. Na UTI
estava bem sedado para suportar a entubação então eu dormia a maior parte do
tempo. Fui extubado e já no quarto, sem sedação, apenas com a traqueostomia,
falava baixo, pouco claro, cansava logo e dormia muito, não pensava. Estava tão
fora de órbita que quando fui transferido para o quarto, pedi para (em tempo:
não lembro nada do coma, tenho alguns lampejos da família lá no quarto, das injeções
na veia mas nada de mergulho no inconsciente ou experiência mística) trazerem meu bandolim para distrair
e passar o tempo:
- Está de férias? Num hotel? Parece? mas o instrumento foi
trazido. Até que uma tarde, **caindo a ficha** recebi a visita do amigo Filipe,
violão sete cordas do meu conjunto de chorinho, logo armamos um som ali no quarto. Demos alguns
telefonemas e chegou o Joaquim com o cavaquinho e o José Domingos com o pandeiro.
- Vamos tocar! e me deram o
bandolim, o acompanhamento iniciou e cadê começar o solo: minha mão esquerda
não se movia, não saiu nada. Que frustração!! Os amigos chorando pelos cantos e
eu ali parado com o bandolim a postos e silencioso. Fui entendendo que estava
ferrado...
Ir ao banheiro não era permitido sozinho. Nunca
evacuei na frente de tanta gente diferente, estranha, eu não entendia, ninguém precisa me ajudar, vou
ao banheiro há 60 anos eu sei como fazer, mas você não sustenta o corpo sentado,
cai de lado, então, tudo bem. Então vamos mesmo assim, ainda pensava em mim
normal, sem limitações. Parece que a cabeça não quer aceitar. Só quando cheguei
em casa ficaram bem
evidentes as limitações. Tudo o que era banal e corriqueiro virava uma operação
de guerra, ficou então bem clara a doença ...aí caiu a ficha com tudo! Tinha
cuidadores experientes da Home Angels para me auxiliar, mas era bem frustrante
não conseguir fazer nada sem ajuda. É, a ficha caiu! O mais difícil de toda esta encrenca, mais que mexer a mão ou correr, para mim foi aceitar essa nova condição, até hoje sou meio cabreiro neste particular. Aceitar as limitações e acreditar que há uma boa vida a ser vivida deste jeito, é o que tento todo dia: uma boa vida. Nem sempre me convenço. Mas erro ao comparar com a vida que eu levava antes, assim voltar para o tênis e para a música é o que eu espero. Não se terei destreza manual para tocar meus instrumentos como antes. Tenho que acomodar o talento com a nova condição física do agora. Enfim terei que começar de novo.
Outro Celso. É o que preciso aceitar.
Gde Celso & Gde Lucidez... parabéns pela Vida Nova...
ResponderExcluirObrigado e continuamos na luta!
ExcluirCelso imagino o que esteja enfrentando, não é fácil quando somos surpreendidos por uma doença, tive um CA ha um tempo, parece que o chão abre a nossa frente. Mas Deus é tão maravilhoso que me deu uma força que nem imaginei que pudesse ter, hoje estou saudável e totalmente curada! Creia, Deus pode fazer o mesmo com você! Não desanime, tudo pode se fazer novo e em tudo Deus tem um propósito, por mais difícil que nos pareça à situação! Conte com minhas orações... Rose Malvezzi
ResponderExcluirRose, continuo contando com suas orações. elas tem me ajudado muito. Graças a Ele pela sua saúde! Obrigado, por suas palavras.
ExcluirNão sei se lembra de mim, mas eu estava em Maringá quando ocorreu o fato e rezei muito por você. Sempre que falo com alguém daí peço
ResponderExcluirnotícias suas, principalmente ao meu irmão que mora em Maringá Anisio Gulla.
Que Deus o proteja e que dê a força necessária para continuar lutando por você e por sua família, um beijo na Estela.
telma vc é muito importante navida minha e da stella esperamos sua visita quando em maringá
ExcluirQue saudade! Esse comentário não substitui sua visita aqui em casa.Estamos aguardando. bjs
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