Esta semana por conta da expectativa de mover os membros parados e conseguir realizar tarefas como enxugar o corpo, usar a faca na refeição, sem falar da minha vontade de tocar meus instrumentos, muitas vezes tenho a impressão de estar malhando em ferro frio! Qual será o meu limite? A capacidade de aumentar meu poder neuro /muscular: minha expectativa e das pessoas ao meu redor é sempre muito alta e a frustração de não atingir os objetivos também é grande e paralisante. Esse passo de formiguinha da recuperação cansa e surge a vontade de alguma coisa mágica que seja mais rápida (eu sei que não existe mas sonho com essa possibilidade), a resposta me vem nítida na seqüência.
A neuroplasticidade - até já escrevi neste blog sobre ela, mas como é assunto novo e polêmico e ainda me assolou esta semana, resolvi colocá-lo na discussão - é a capacidade do cérebro de se transformar. Até pouco tempo atrás, o conceito era que o cérebro não tinha capacidade de se transformar e recuperar áreas lesadas. Com o interesse de esclarecer aqueles que não estão familiarizados com essa terminologia - a unidade funcional do encéfalo - o neurônio é uma célula estrelada que emite vários pequenos prolongamentos chamados dendritos e normalmente um ou dois bastante extensos, os axônios, que se ligam com outros fora do encéfalo na medula espinhal ou em gânglios neurais. Com pequenos prolongamentos os dendritos fazem a comunicação entre os neurônios formando uma rede.
Os novos métodos de imagem puderam evidenciar como o encéfalo procura saídas nos casos de perda da funcionalidade de alguma área por trauma ou a.v.c. O neurônio não regenera, isto é irrevogável, mas essas novas ligações dendriticas quase chegam a substituir o neurônio perdido, assim o cérebro se transforma e procura manter suas funções motoras e cognitivas. Isso demora muito e depende de estímulo que a fisioterapia promove. Deus caprichou no ser humano, nosso organismo é perfeito e é muito prazeiroso entender seu funcionamento e conhecer suas capacidades, sente-se a presença de Deus o tempo todo sorrindo pelo maravilhoso trabalho executado! É linda a natureza e o homem seu melhor trabalho!
É possível fazer uma analogia, apenas com o intuito de simplificar o intrincado funcionamento do encéfalo, se numa casa um cômodo ficasse sem luz seria possível retirar energia de um cabo de um outro quarto e trazer energia ao quarto sem luz, essas novas ligações podem enfim fazer isso. A fisioterapia induz essas novas ligações, também facilitará estes novos circuitos, unindo algumas ligações que são mantidas inativas e essa situação ativa essas conexões "desligadas" na parte intacta do cérebro.
Nos estudos para a recuperação de uma área lesada por um trauma ou por um avc os novos métodos de imagem mostraram aspectos novos e desconhecidos de como o cérebro se transforma para manter a funcionalidade mesmo em casos de lesões graves, viu-se que até os axônios podem emitir prolongamentos dendriticos coisa desconhecida até nossos dias. A fisioterapia e a repetição de movimentos induz essas novas ligações razão pela qual, não se deve abandonar a fisioterapia mesmo que pareça cansativa, ineficaz e demorada.
Enfim não vou ficar livre da fisio, nem minhas terapeutas livres de mim. Essa é a minha vida, buscar meus movimentos perdidos…andar bem, correr, me vestir, ser independente, falta muito ainda.. tenho o que fazer por mais 10 anos ou mais segundo me falou um dos meus terapeutas só não pode morrer antes…vou morrer nada tenho vida e quero vida! vou viver e voltar a tocar como antes é o que eu quero! assim, contando com a neuroplasticidade vou caminhando. Uns dias melhor, outros nem tanto mas sempre em frente! Essa neuroplasticidade é lenta e não há nenhum sinal de que ela está acontecendo, só sabemos que está e só vamos vivendo e deixando o sistema nervoso fazer seu trabalho, mesmo que seja lento! Todos conhecemos sequelados de avc que se recuperaram muito bem depois de alguns anos.
Eu serei um desses.
Devo principalmente conter minha ansiedade, porque a recuperação definitiva não tem data de entrega.
Só o amor salva!
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