Terça feira cheia
gente! Comecei na segunda, pois passei a noite em claro. Esperei o avião
aquecer os motores pra subir, é +-5:30h, já está claro e levanto para ir ao banheiro
sem acender as luzes do quarto e sem incomodar ninguém. No fim da manhã, já tem
a microfisioterapia com a Riane, após o almoço, fisio com a Suyane, em seguida,
fono com Raquel – grávidinha de 10 semanas –, com seus exercícios: Bã, Tã, Kãrrrggrgrgrggrgrgr...
aí chegou a Helen com sua estimulação elétrica para o braço esquerdo e às 17h
minha personal Marcela Chinaglia me esperava no Maringá Clube, para uma sessão
de academia. Encontrei bons amigos e bons papos por lá. Comi o melhor pão de
queijo do mundo. Em casa só depois das 18:30.
Essa é minha rotina quase diária,
muitos exercícios, muita repetição, muita chatice para falar a verdade. Existem
momentos que o melhor é ficar prostrado frente à TV, de pijama, se puder, sem
pensar nem agir. Mas é disso que preciso? Repetir, refazer, e fazer de novo? Então
vamos que vamos...
Mesmo pós AVC, sem fazer piada, o que
continua igual é minha cabeça, isto é, a memória, o raciocínio, a capacidade de
falar. Não a parte que comanda o lado esquerdo, claro, e que me impede de fazer
coisas que me faziam ser conhecido, como a música e a medicina. Que me fazem
muita falta, muita falta!. Mas a memória, a criatividade e a efervescência continuam
aqui. Ainda não entendi bem como acomodar esse velho Celso irrequieto, cheio de
ideias e invenções nesse novo esquema.
Vejam a insônia! Continua a mesma,
nunca fui de dormir cedo e nem bem. Sempre gostei da madrugada, as vezes
chegava em casa tarde e ainda assim ia para o violão ou para TV, como se
lutasse contra o sono. É que na hora que os outros cérebros normais estão
querendo repouso, o meu acende, fica uma efervescência criativa impossível de
ignorar, então, é na alta madrugada me vem as ideias, os contos, as vezes
histórias longas e completas, letras de música, arranjos musicais entre outros.
Como viram meu dia e noite é cheio de compromissos, minha profissão é me
reinventar com essas limitações, digo-lhes que é bem penoso, sempre me vem na cabeça
o eu de antes que eu muitas vezes lembro até melhor do que realmente era. A adequação
deste corpo com esta cabeça não está sendo fácil, as vezes fico paralisado e
tiro umas tardes de folga – uns sábados atrás acordei 19h, é mole?
A vida é um eterno recomeço,é um aprender e reaprender constante.Paciência, muita força e muita fé.Abraços.
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