Esqueci de uma
vitória bem importante e não queria deixar passar, por isso vou contar: quando
estava de alta do hospital, principalmente a minha amiga infectologista Ana
Gurgel, lembrou que eu deveria ter um acesso, uma veia calibrosa pega, pois
iria tomar 28 ampolas de vancomicina, 14 dias, então a sugestão foi passar um
intracath, que ficava dentro do átrio direito, e é ótimo porque aguenta ficar
este tempo todo, não incomoda os movimentos e se adequava muito bem às minhas
necessidades. Como era vip, cheio de frescura, fui ao
centro cirúrgico passar o tal aparato, que se trata de uma
agulha calibrosa que penetra na pele abaixo da clavícula e acessa a veia infra
clavicular, depois o cateter é ajustado para entrar mais e chegar ao átrio, é procedimento
corriqueiro e todo paciente de UTI tem seu acesso central para a medicação.
Voltando ao meu pulmão murcho e ao furinho que me impedia de inflá-lo, causando o desconforto respiratório, precisei fazer uma drenagem torácica e fiquei mais 2 dias no hospital, até o pulmão expandir de novo, tirar o dreno e receber alta.
A drenagem torácica foi feita no PS do Santa Rita com a família em torno, procedimento que eu sabia ser sob anestesia local, quando passou por ali minha colega e amiga Dra Naiene e lhe pedi anestesia, já tinha veia pega, então era só injetar o anestésico que faz dormir e acordar rapidamente (obs.: é aquele do Michael Jackson). O anestésico foi aplicado e eu apaguei. Com o orifício recém aberto, no lugar certo, foi posicionado dentro da caixa torácica o dreno que é um tubo de plástico de +- 1cm de diâmetro e dois dias depois o dreno foi tirado e alta prá casa, eba! Meu filho que estava a meio metro da função quando viu o médico penetrando o orifício com o dedo, não deu conta e saiu de fininho, depois comentou que pensou que eu seria levado ao centro cirúrgico para aquilo e ficou bem impressionado com a simplicidade do procedimento.
Claro que eu venho de um tempo, década de 80, que esse ato começou
a ser utilizado como rotina e a punção desta veia não era fácil. Como
estudantes fazíamos fila para passar um desses, naquele tempo a técnica era
provavelmente dolorosa, apesar da anestesia local que aplicávamos .
Entrava-se com a agulha apontada para o fim da clavícula e era virada
dentro da pele por baixo da clavícula e torcíamos para a punção voltar sangue,
o que significava que atingíamos a veia necessária. Afortunadamente nunca mais
precisei passar um intracath nestes anos todos, mesmo trabalhando no PS do
Santa Rita, frequentado por pacientes graves. Sempre tinha um intensivista mais
treinado para fazê-lo e eu o deixava realizar o procedimento, o que era sem
dúvida melhor para todos...
Voltei pra
casa e 2 ou 3 dias depois comecei a sentir muita dificuldade de respirar,
sentia como se tivesse uma pedra em cima do meu peito, ora meu cérebro
funcionante de médico sabe que isso não está certo, voltei para o gigante da
colina, conhecido como hospital Santa Rita para avaliação. Fiquei orgulhoso de
adentrar andando, com ajuda, mas com minhas pernas. Os que me viam logo
manifestavam sua surpresa ao me ver andando. Fiz questão, apesar da distância,
de subir até o posto de enfermagem para me exibir a equipe de atendimento que
me acompanhou com eficácia e carinho na internação e foi uma festa! eu por
dentro me orgulhava em cada cumprimento: -Estou aqui andando! Porém foi
diagnosticado um pneumotórax, o que significa que na passagem do intracath, a
ponta da agulha perfurou o pulmão que murchou e essa é complicação frequente
neste procedimento, aqui atribuído a esmeraldite: lembro que a esmeralda, é a
pedra que representa a medicina, e dizemos que, se
alguma intercorrência desagradável vai acontecer, provavelmente será
com paciente médico ou seu relativo.
Voltando ao meu pulmão murcho e ao furinho que me impedia de inflá-lo, causando o desconforto respiratório, precisei fazer uma drenagem torácica e fiquei mais 2 dias no hospital, até o pulmão expandir de novo, tirar o dreno e receber alta.
A drenagem torácica foi feita no PS do Santa Rita com a família em torno, procedimento que eu sabia ser sob anestesia local, quando passou por ali minha colega e amiga Dra Naiene e lhe pedi anestesia, já tinha veia pega, então era só injetar o anestésico que faz dormir e acordar rapidamente (obs.: é aquele do Michael Jackson). O anestésico foi aplicado e eu apaguei. Com o orifício recém aberto, no lugar certo, foi posicionado dentro da caixa torácica o dreno que é um tubo de plástico de +- 1cm de diâmetro e dois dias depois o dreno foi tirado e alta prá casa, eba! Meu filho que estava a meio metro da função quando viu o médico penetrando o orifício com o dedo, não deu conta e saiu de fininho, depois comentou que pensou que eu seria levado ao centro cirúrgico para aquilo e ficou bem impressionado com a simplicidade do procedimento.
Como estudante eu
não acreditava muito na anestesia local, por não saber ainda utilizá-la bem. O
paciente às vezes reclamava de dor no final do procedimento, eu tinha dúvidas
da sua eficácia. Isso mudou quando, no ambulatório de cirurgia, meu chefe me
mandou amputar o dedo de um paciente diabético, olhei espantado e perguntei,
aqui?? e a anestesia? e ele disse impassível. - Local oras! - Então venha me ensinar. E claro, ele
veio, a local foi aplicada e o dedo amputado sem nenhuma dor. Aí pensei, esse
treco funciona mesmo! e mudei meu conceito sobre a eficácia da local...
Ao contar essas idas e vindas ao
hospital surgiram-me lembranças do tempo de estudante, e entre histórias de
vitórias e recordações de faculdade, contei a vocês mais um episodio desse meu
longo caminho de reabilitação.
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