quinta-feira, 18 de junho de 2015

Uma história antiga, porém atual...

       Tenho um história para contar hoje, que fala de um personagem que ocupou as manchetes policiais da imprensa por esses dias. Há 50 anos meu pai jogava futebol no Clube Atlético Indiano em São Paulo, lá ele era colega de time de José Maria Marin, na ocasião gerente da Caixa Econômica do estado de São Paulo. Anos treinadinho em armar esquemas de propina foi governador do estado  deposto pelo regime militar... meu pai demorou muitos anos para contar essa história, ainda pediu que mantivesse segredo dela, como que envergonhado com a desabonadora conduta do importante homem público.

       Meu pai, querendo ter uma casa própria, entrou em contato com nosso senhorio, um português que depois de tantos anos como inquilinos, acabou amigo da família.

       A Caixa Econômica estava com programa de financiamento para a casa própria, meu pai que era contador e mantinha seus documentos sempre em ordem, juntou aquela papelada toda e se apresentou ao banco, se animou por um instante ao constatar que o camarada de futebol José Maria Marin era o gerente da instituição. Como apresentou toda documentação necessária em ordem em poucos dias seu financiamento foi aprovado. Mas vai dia, semana e mês e nada do dinheiro sair, papai se angustiava em pagar logo o senhorio e sacramentar a compra, chegava a perder o fôlego de pensar, de tanto reclamar da morosidade da liberação do dinheiro. Foi falar com o gerente, seu camarada de futebol que conhecia superficialmente. No gabinete foi avisado pelo camarada do time, que deveria deixar uma porcentagem para sair o dinheiro, o que, sem demora foi feito. Ora gente, o Sr José Maria sabia muito bem que meu pai era um contador, pai de família, tentando comprar sua casa própria e mesmo assim o rouba. Bandido de última categoria. Ladrão que rouba de trabalhador, que apodreça na cadeia. Batedor de carteira de ponto de ônibus. Vagabundo punguista. A família exultou ao saber de sua prisão merecida. Meu pai, já falecido pelo seu jeito magnânimo deve tê-lo perdoado: 'isto é assim mesmo, filho'. Não é culpa dele, tinha todo o staff para azeitar, passou... fomos felizes naquela casa, isso que importa.
                - Sim pai eu sei disso, pensei com revolta.

3 comentários:

  1. Me lembro bem da sua casa e testemunhei a felicidade que imperava na residencia dos Pereira Baretto!!

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  2. não estou lembrando de vcithacamas se vc esteve em casa devemos ser próximos, me sguce a lembrança se puder

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