Estávamos no quinto ano e um de nossos colegas tinha uma bela casa no Guarujá (naquele tempo menos famoso que agora) mas´a com uma bela praia em frente. combinamos na aula (para isso que aula serve), descer e passar o fim de semana na praia marcamos horário de saída para irmos em caravana, juntos mas, como sempre acontece surgem os retardatários eu e mais dois colegas atrasamos na saídas e ficamos para trás mesmo assim resolvemos descer a serra e nos juntarmos a eles lá no litoral.
Fomos de bug que com sua capota de plástico permitia a entrada de vento gelado por todos os lados. Chegamos alta madrugada morrendo de frio e sonhando com um lugar para jogar a carcaça. Claro que resolvemos pregar uma peça nos que estavam lá dormindo. Escondemos o carro e começamos a correr em torno da casa procurando não ser vistos e mexendo nas portas e janelas sem nos mostrar. Soubemos depois que o grupo de dentro da casa ficou apavorado pensando que podia ser um grupo de ladrões e malfeitores querendo entrar na casa. Jogávamos pedrinhas no telhado, mexíamos nos carros estacionados e a brincadeira demorou em torno de uma hora, quando enjoamos da brincadeira resolvemos aparecer e acabar com o susto, para tomarmos um belo café da manhã juntos e rirmos de tudo. Mas pessoal da casa não entendeu assim,o dono saiu enfurecido dizendo - Podem voltar que aqui vcs não entram e nos contaram que tudo que queríamos que eles pensassem aconteceu. Eles ficaram apavorados dentro da casa - um deles disse : -ainda bem que desci sem meu revolver senão ia dar merda. este mesmo do revolver se armou de uma faca imensa e foi o primeiro a sair para enfrentar a situação.
Enfim, desenxabidos, voltamos para dormir no sitio de um de nós em Sp. Lembro-me que subir a serra do mar naquele bug como ar frio da serra de nunca mais esquecer, com sono da noite acordados, e ainda de barriga vazia, foi um alto pagamento pela brincadeira. A vingança dos apavorados foi bem imediata, fria e demorada.
Enfim valeu este blog, uma lembrança gostosa e a certeza de que amizades verdadeiras são pra sempre apesar das brincadeiras nem sempre salutares como essa que eu lhes contei.
Na faculdade de medicina ficamos seis anos vivendo muito juntos alguns fazem a residências, uns ainda como professores e afins e ficam mais alguns anos. É uma vida compartilhada estreitamente com os colegas que acabamos por conhecer aprofundadamente, com suas famílias, namoradas e tudo mais que nos cerca. Enfim, formamos uma famíliona grande com os cem da turma mais amigos dos amigos, familiares, conjuges, atualmente netos… nossa grande família vai crescendo mas mantém o amor nascido em muitas horas de estudo e aulas intermináveis, plantões noturnos, fins de semanas perdidos dentro do hospital, natais e reveillons passados atendendo, operando, tratando. Isso nos uniu inexoravelmente mesmo depois de 38 nos de formado agora estamos revivendo essa paixão, unidos pelo whatsapp.
Valeu décima primeira turma !
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