quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Cenário musical dos anos 1980 em Maringá





         Cheguei em Maringá em julho de 1981 vindo de Sampa. Lá eu praticamente só tocava bandolim e pouco violão, nada de rock. Aqui chegando fui ver os points de música o vivo e identifiquei a lanchonete Império que apresentava o Geraldinho do cavaco com o Wagner na percussão e voz, além do violonista Toninho Sapateiro, a boite Kalahari apresentava o Boi num espaço e seu irmão Bal noutro. Algumas vezes peguei emprestado o baixo do meu amigo Roberto Peralto e lá ia eu me juntar  ao Bal, ao Lélio e um baterista para fazer a noite algumas vezes Stella me acompanhou, mas esse local iniciava após 23:00h e se estendia até 2, ou 3 da manhã. 
        Fui convidado por alguém que não me lembro para tocar uma homenagem ao Noel Rosa no auditório da biblioteca pública ao lado do correio apenas eu e meu violão, logo quando cheguei observei um garoto alto e bem magrinho com um estojo de pandeiro nas mãos que veio logo conversar comigo desse jeito conheci o Pézinho batuqueiro, convidei-o para tocar comigo e lá fomos nós para o palco assim nascia uma grande amizade que se estende até hoje.       
         Havia também  o Chaplin bar, na Av. Herval dos irmãos Julio e Jorge. Foi, talvez o embrião do Car Wash choperia, um bar pequeno com um palco no canto onde sempre havia boa música brasileira num espaço muito aconchegante.   Festas dos colegas médicos, o Geraldinho do cavaco era sempre chamado para abrilhantar a noite e muitas vezes nos juntávamos e fazíamos a noite juntos. 
         O Sukiaki House na Av. Brasil também apresentava música ao vivo, o Rosalino, grande cantor da região estava sempre por ali , me lembro de uma noite acompanhados do Dr. Robson acabamos sentados na calçada acompanhando o Rosalino que cantou de tudo ali comigo. A parceria foi muito boa e o Rosalino pode cantar fragmentos dos standarts americanos que ele gostava tanto. Imaginem a cena ali na Av. Brasil 3 homens sentados na calçada tocando e cantando e o Rosalino desfilando sua prodigiosa garganta! Deus o tenha com carinho Rosalino.
         Com o rock no Seis e Meia do Hellington acabei conhecendo a moçada do rock, e fizemos uma formação o Be baterista, sumido, o cantor Júnior, e acabamos fazendo um bom ruído.
         Lá no Chicken In, chamado pela moçada de Balaio de Frango, também promoveu algumas noites de rock com minha presença. O barulho era bem grande. Tem uns caras que confundem rock com música alta, muito longe disso! Mas esses caras vão acabar aprendendo, volume de som não interfere na qualidade muitas vezes atrapalha. 
         As festas em Maringá eram sempre muito animadas, fui chamado a tocar em muitas delas, bom churrasco e música,a gritaria do truco só atrapalhava a música mas os truqueiros gostam de gritar mais alto que tudo. Não gostava de tocar nestas festas onde havia muita gritaria e bebedeira, não combina com musica mas algumas vezes era impossível evitar.
             Segui tocando aqui e ali até começar a fazer parte da Receita do Samba no final da década de 1980 e depois partindo para carreira solo e com A Válvula, com Stone, Lu barriga e eu, desde os tempos do Tribu's onde A Válvula começou e  ficou conhecida dos rockeiros da cidade. Hoje existem outras boas opções, com destaque para a Casa de Bamba e o Varanda, lugares de boa música brasileira instrumental ao vivo   



Um comentário:

  1. Grande Dr. Celso! O sr fez o parto do meu filho caçula Lennon, há quase 23 anos. Ironicamente, não foi ele quem seguiu pelos caminhos da música e sim meu filho mais velho, Heitor. Hj estamos em uma banda com repertório baseado em rock nacional e temos nos apresentando por aí ´´Nos Bailes da Vida´´, como diria Milton, ele na guitarra e eu nos vocais além de um baixista e baterista. Um forte abraço e uma ótima recuperação.
    Osvaldo Barreto

    ResponderExcluir