quinta-feira, 21 de maio de 2015

Verdão do Arouche



         




      

  
            Estudei na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo de 1972 até 1978, na XI turma.
        Os hospitais da Santa Casa, por serem muito antigos e estruturados serviram de hospital escola para várias faculdades que ainda não possuiam hospitais para absorve-las, o hospital das clínicas da USP só foi inaugurado em 1944 , até este momento a USP usava a Santa Casa como hospital escola. Relembrei este fato no samba enredo que compus no terceiro ano e que pegou muito bem entre os alunos. Tínhamos prova de patologia e nos reunimos em casa para estudar, cada um com seu caderno de anotações de aula e mais o livro texto para complementação, ficamos até tarde e o papo acabou evoluindo para outros assuntos. Claro, o amor e o engajamento pela nossa escola eram os preferidos dos participantes daquele grupo. Apesar de eu ter ido dormir tarde e ter de acordar cedo para a prova, tive uma das minhas insônias criativas com um assunto martelando na cabeça, fui para o violão e a música saiu praticamente pronta. No dia seguinte fui pra o laboratório, onde tínhamos prova. Com o samba na ponta da lingua fiz a avant premiere do “ Verdão do Arouche”, pra minha turma : lágrimas e abraços ! foi um sucesso e passei o dia inteiro cantando o samba na cantina pras outras turmas, vários grupos de colegas, todos ligados a movimentos estudantis, e invariavelmente bem recebido foi aumentando minha expectativa, queria cantá-lo para meus companheiros de música...
    Que prazer gente quando, na minha formatura em que fui o orador, alguém gritou da assistência : - Canta o Verdão! eu comecei e a estudantada continuou, que emoção gente! Num dos nossos jantares de encerramento com os professores do curso, o prof. Hungria, da ortopedia, sempre muito sisudo e rigoroso me pediu a  música, agora só para os professores que como os alunos gostaram muito e se emocionaram. Os mais velhos com certeza viveram aquilo que o samba trata. 
Transcrevo aqui a letra:

 Neste samba,
relembramos velhos tempos
que o passado apagou ,
 mas que agora recordamos,
Santa Casa foi a primeira faculdade ,
 primeiro hospital escola de todo estado de São Paulo ,
de todas vc é a primeira chama
das outras  vc é a irmã mais velha,
 com um passado de muita glória e tradição
cravado a ferro no meu coração
mas chegou! Chegou chegou, chegou
 Verdão do Arouche recobrando seu valor
vai lá, vai lá santa casa! areguá!(este era o nosso grito de guerra)
 tire o chapéu que nossa escola vai passar 

         A Santa Casa fica a duas quadras do Largo do Arouche no centro de São Paulo, e verde é a cor da medicina. Até vejo a Batusanta, bateria nota 10 ( que fui diretor por 6 anos) da Santa Casa, na avenida marcando o ritmo cadenciado e a estudantada cantando uníssono e forte, com funcionários e professores. Daria uma bela evolução. Deveria propor isto para o centro acadêmico... participar do carnaval de SP seria lindo, mas não seria uma boa propaganda para uma faculdade de medicina da envergardura da nossa, não?
               É sempre um prazer encontrar ex alunos da minha faculdade e dizer: -Sou o Bodão (meu apelido de escola), aquele que compos o Verdão do Arouche! que alegria, minha musica se tornou o hino dos encontros, intermeds, eventos esportivos, formaturas...                 Poxa saí da escola há 35 anos gente! Há alguns anos recebi a incumbência da associação dos ex alunos de regravar o samba e enviar a SP pois com tanto tempo sendo cantado sem minha presença, eles temiam que a musica tivesse assumido vida própria e se afastado muito da versão correta. Fiz isso e o samba vai continuar com a versão do compositor . A MINHA versão, nascida do orgulho e do amor por uma escola, por uma profissão, que ainda cresce a cada dia!




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